{"id":693,"date":"2025-10-13T06:44:47","date_gmt":"2025-10-13T09:44:47","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2025\/?p=693"},"modified":"2025-10-13T10:54:25","modified_gmt":"2025-10-13T13:54:25","slug":"marcas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2025\/marcas\/","title":{"rendered":"MARCAS"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 13px;\">por Cl\u00e1udia Formiga (EBP\/AMP)<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 13px;\">Coordenadora da Comiss\u00e3o de M\u00eddias<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Trauma \u00e9 tra\u00e7o, rasura. O que n\u00e3o se apaga do encontro com o real e que, em uma an\u00e1lise, se recolhe no sintoma como marca, letra de gozo. Esta rubrica se destina a acolher refer\u00eancias comentadas pelos membros EBP\/AMP, bem como as marcas deixadas por sua leitura.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Neste n\u00famero, tr\u00eas cita\u00e7\u00f5es, cuidadosamente garimpadas do di\u00e1logo com os Eixos da nossa Jornada, encontram o tra\u00e7o singular das colegas Karynna N\u00f3brega, Gisella Lopes e L\u00eddia Pessoa, que se deixaram tocar pelo texto de Lacan e a partir dele se colocaram a trabalho.<\/span><\/p>\n<blockquote><p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cDigamos que o fantasma, em seu uso fundamental, \u00e9 aquilo mediante o qual o sujeito se sustenta no n\u00edvel de seu desejo evanescente, evanescente porquanto a pr\u00f3pria satisfa\u00e7\u00e3o da demanda lhe subtrai seu objeto.\u201d <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">[1]<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><b>Comentada por Karynna N\u00f3brega\u00a0 (EBP\/AMP)<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Lacan indica a import\u00e2ncia do manejo da transfer\u00eancia na dire\u00e7\u00e3o da cura e destaca a relev\u00e2ncia dos objetos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">a<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (seio, fezes, olhar, voz, nada) para se ter acesso \u00e0 montagem do fantasma. Montagem, porque \u00e9 constru\u00edda no decorrer do tratamento e est\u00e1 vinculada a uma frase ou cena proveniente do Outro.\u00a0 O analista n\u00e3o deve atender \u00e0 demanda, pois \u00e9 justamente a partir dessa negativa que o desejo pode advir.\u00a0 A express\u00e3o \u201cuso fundamental\u201d indica o modo singular, pelo qual cada sujeito se serve do fantasma para responder \u00e0 dimens\u00e3o enigm\u00e1tica do desejo do Outro e para extrair uma satisfa\u00e7\u00e3o mediada pelo desejo. O fantasma \u00e9, portanto, uma resposta ao desejo do Outro e faz o sujeito mover-se em torno dos objetos. Contudo, essa satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 evanescente, pois se desfaz,\u00a0 ap\u00f3s a resposta \u00e0 demanda do Outro.<\/span><\/p>\n<blockquote><p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO inconsciente \u00e9 que, em suma, fala-se sozinho, se \u00e9 que h\u00e1 falasser&#8230; Falamos sozinhos porque s\u00f3 se diz uma \u00fanica e mesma coisa, exceto se nos abrimos para dialogar com um psicanalista. N\u00e3o h\u00e1 meio de fazer outra coisa que receber de um analista o que perturba nossa pr\u00f3pria defesa [\u2026]\u201d <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">[2]<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><b>Comentada por Gisella Sette Lopes (EBP\/AMP)<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A cita\u00e7\u00e3o toma como refer\u00eancia o inconsciente enxame \u2013 inconsciente dos Uns sozinhos (S1, S1, S1&#8230;..). Falando sempre o mesmo, de si para si, se fala s\u00f3 at\u00e9 que surja um eu que delira na equivocidade linguageira. Ou ainda, conforme Lacan, quando algum analista perturbar a defesa aquela de uma letra de gozo sintom\u00e1tico. Vale esclarecer que este inconsciente de Uns sozinhos n\u00e3o articulados faz consistir o inconsciente\u00a0 e se traduz ao escrever-se como as letras de gozo do sintoma.<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Se a viol\u00eancia distin\u00adgue-se em sua ess\u00eancia da fala, pode colocar-se a quest\u00e3o de saber em que medida a viol\u00eancia como tal \u2014 para distingui-la do uso que fazemos do termo agressividade \u2014 pode ser recalcada, uma vez que postulamos como princ\u00edpio que s\u00f3 pode ser recalcado, em princ\u00edpio, aquilo que revela ter ingressado na estrutura da fala, isto \u00e9, a uma articula\u00e7\u00e3o significante<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d [3]<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><b>Comentada por Maria L\u00eddia Pessoa (EBP\/AMP)<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Lacan vai distinguir a viol\u00eancia como tal da no\u00e7\u00e3o de agressividade a partir da no\u00e7\u00e3o de recalque. Pois, a princ\u00edpio, somente pode ser recalcado o que incide sobre articula\u00e7\u00f5es significantes. Lacan questiona se a viol\u00eancia pode ser recalcada, uma vez que est\u00e1 colocada fora do circuito da palavra, n\u00e3o sendo alcan\u00e7ada pela interpreta\u00e7\u00e3o como ocorre na agressividade, que est\u00e1 ligada \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o narc\u00edsica e a estrutura do eu, desenvolvida na tese IV em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">A agressividade em psican\u00e1lise<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Nos dias de hoje, assistimos a atos violentos, como o genoc\u00eddio pol\u00edtico, o feminic\u00eddio, talvez como resultados do rompimento com o simb\u00f3lico, retornando no real, um gozo fora do sentido.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><b>NOTAS<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><span style=\"font-weight: 400;\">[1] LACAN, J. A dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios de seu poder [1958]. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">In<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">: LACAN, J. <\/span><b>Escritos<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. 1998 , p. 643.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><span style=\"font-weight: 400;\">[2] _____. <\/span><b>Le S\u00e9minaire, livre 24:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> L\u2019insu que sait de l\u2019une-b\u00e9vue s\u2019aile \u00e0 mourre (1976-1977). Li\u00e7\u00e3o 4 de 11\/01\/1977. Texto in\u00e9dito.<\/span><b>\u00a0<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><span style=\"font-weight: 400;\">[3] _____.<\/span><b>O semin\u00e1rio, livro 5: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">as forma\u00e7\u00f5es do inconsciente. RJ: JZE, 1999, p. 471.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Cl\u00e1udia Formiga (EBP\/AMP) Coordenadora da Comiss\u00e3o de M\u00eddias Trauma \u00e9 tra\u00e7o, rasura. O que n\u00e3o se apaga do encontro com o real e que, em uma an\u00e1lise, se recolhe no sintoma como marca, letra de gozo. 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