{"id":362,"date":"2025-07-19T06:32:59","date_gmt":"2025-07-19T09:32:59","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2025\/?page_id=362"},"modified":"2025-07-19T06:40:18","modified_gmt":"2025-07-19T09:40:18","slug":"argumento","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2025\/a-jornada\/argumento\/","title":{"rendered":"Argumento"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 13px;\">Anamaria Vasconcelos<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 13px;\">Cassandra Dias<\/span><\/p>\n<p>\u00c9 com alegria que lan\u00e7amos o argumento sobre a tem\u00e1tica que nortear\u00e1 nossas pesquisas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa <em>V Jornada<\/em> da Se\u00e7\u00e3o Nordeste. Entre um enxame de leituras e ideias, fizemos nossa escolha e optamos pelo que, primordialmente, Freud nos ensinou a reconhecer na cl\u00ednica. Aquilo que \u00e9 imposs\u00edvel de se dizer, uma experi\u00eancia farta de excesso, que delimita um antes e depois em nossa vida de modo contingente: o trauma.<\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o de trauma remonta \u00e0 origem da psican\u00e1lise. Em sua investiga\u00e7\u00e3o, Freud foi encontrando, na escuta das hist\u00e9ricas, a din\u00e2mica inconsciente que localizava um encontro traum\u00e1tico com o sexual, produzindo o sintoma hist\u00e9rico. Ele estabelece uma rela\u00e7\u00e3o causal entre o trauma ps\u00edquico e o fen\u00f4meno hist\u00e9rico que o levou a dizer: \u201cOs hist\u00e9ricos sofrem principalmente de reminisc\u00eancias\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Inicialmente, elaborou uma teoria da sedu\u00e7\u00e3o, para abandon\u00e1-la logo depois. \u201cN\u00e3o acredito mais na minha neur\u00f3tica\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> desloca o trauma de uma cena para o car\u00e1ter traum\u00e1tico da sexualidade. Lacan formula outra maneira para abordar o trauma: ao adotar o neologismo <em>les trumains<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup><strong>[3]<\/strong><\/sup><\/a><\/em>, que \u00e9 pronunciado em franc\u00eas da mesma forma como \u201cser humano\u201d \u2013 <em>l\u00b4\u00eatre humain<\/em> \u2013, ele introduz a dimens\u00e3o do furo (<em>trou<\/em>) para abordar o trauma, n\u00e3o tanto pelo evento em si, mas sobretudo pela experi\u00eancia com o gozo que <em>troumatiza<\/em>.<\/p>\n<p>A perspectiva que ele nos indica acerca do trauma \u00e9 a do encontro entre corpo e linguagem, por seu car\u00e1ter intrusivo. O mal-entendido encontra-se na raiz da rela\u00e7\u00e3o dos <em>trumains<\/em> com o campo do gozo, na rela\u00e7\u00e3o entre a palavra e a carne. \u201cNosso corpo n\u00e3o foi feito para ser sexuado, como mostra o fato de que homens e mulheres se comportam muito pior que os animais. Deduz-se disso um trauma incontest\u00e1vel ligado ao sexo. Pode-se, ent\u00e3o, descrever a sexua\u00e7\u00e3o inteiramente como uma dif\u00edcil rea\u00e7\u00e3o ao trauma\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O mal-entendido do gozo entre os sexos \u00e9 a premissa que fundamenta a experi\u00eancia que traumatiza os sujeitos, pois n\u00e3o h\u00e1 reciprocidade poss\u00edvel nesse campo. No campo da linguagem, n\u00e3o h\u00e1 inscri\u00e7\u00e3o poss\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o sexual. Frente \u00e0 experi\u00eancia traum\u00e1tica, deparamo-nos com uma impossibilidade de inscri\u00e7\u00e3o porque h\u00e1 algo que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever, revelando o seu car\u00e1ter de imposs\u00edvel. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Laurent afirma que \u201cO trauma decorre de uma topologia que n\u00e3o \u00e9 simplesmente de interior e de exterior. O trauma, a alucina\u00e7\u00e3o, a experi\u00eancia de gozo perverso s\u00e3o fen\u00f4menos que podemos dizer que tocam o real.\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Segundo Marcus Andr\u00e9 Vieira, \u201cO axioma freudiano \u00e9 o de que apenas a partir da realidade ps\u00edquica uma viol\u00eancia na realidade se inscreve como trauma\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. H\u00e1, em qualquer trauma, um fator subjetivo inelimin\u00e1vel \u2013 \u201c\u00c9 preciso contar que, independentemente do que ter\u00e1 ocorrido, algo singular precisar\u00e1 entrar sempre em a\u00e7\u00e3o para que se possa definir um trauma\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>. Isso que n\u00e3o se elimina da experi\u00eancia com o trauma \u00e9 a presen\u00e7a mesma do efeito \u00fanico e singular da linguagem no sujeito, assim como a opacidade na sua rela\u00e7\u00e3o com certo modo de satisfa\u00e7\u00e3o paradoxal que constitui o gozo. \u201cGozo \u00e9 exatamente tudo o que eu quero quanto \u00e9 tudo o que eu menos quero\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O gozo extra\u00eddo do encontro traum\u00e1tico permanece como res\u00edduo silencioso do que n\u00e3o foi absorvido no traumatismo, um <em>quantum<\/em> de energia na linguagem freudiana. H\u00e1 algo que sobra e excede, que escapa ao sujeito e pelo qual ele precisar\u00e1 responsabilizar-se. \u201cPodemos dizer que o desejo \u00e9 o desejo do Outro, seguindo a m\u00e1xima de Lacan dos anos cinquenta e sessenta, mas n\u00e3o podemos dizer que o gozo do sujeito \u00e9 o gozo do Outro\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Em um primeiro momento, portanto, podemos dizer que \u201co trauma \u00e9 um buraco no interior do simb\u00f3lico\u201d<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>, mas, para al\u00e9m da recomposi\u00e7\u00e3o do sentido perdido com a experi\u00eancia traum\u00e1tica, Laurent aponta que h\u00e1 outro caminho que excede o campo do sentido; que \u00e9 preciso \u201cdepois de um trauma, reinventar um Outro que n\u00e3o existe mais\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>. \u201c\u00c9, sobretudo pela via do insensato do fantasma e do sintoma que essa via se tra\u00e7a\u201d<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>. A partir da premissa de que, em se tratando do gozo n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual, duas perspectivas se abrem: a constru\u00e7\u00e3o de uma fantasia e o campo do ato \u2013 duas vias distintas de tratamento ao real do trauma.<\/p>\n<p>Para Bassols, \u201cClinicamente, constatamos hoje que esta tela da fantasia parece cada vez mais t\u00eanue em sua media\u00e7\u00e3o com o real, cada dia cumpre menos sua fun\u00e7\u00e3o, a cada vez o sujeito parece estar mais perto da passagem ao ato\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>. Assim, em que medida \u201co trauma, tal como concebido por Lacan como estrutural, inclu\u00eddo no programa de todo sujeito de um discurso, pode ser articulado ao trauma como concebido na realidade quotidiana de nossos dias?\u201d<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o formulada acima pelo convidado da nossa Jornada, Marcus Andr\u00e9 Vieira, norteia tamb\u00e9m esse percurso de investiga\u00e7\u00e3o que agora se inicia: a \u00e9poca em que vivemos est\u00e1 prenhe da <em>ideologia da supress\u00e3o do sujeito<\/em>, conforme Lacan nos anuncia em \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<em>Radiofonia<\/em> \u2013 a experi\u00eancia com o trauma foi conduzida \u00e0 denomina\u00e7\u00e3o \u201cs\u00edndrome de stress p\u00f3s-traum\u00e1tica\u201d como resultado do discurso da Ci\u00eancia, operando com o trauma generalizado e, consequentemente, com sua banaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A consist\u00eancia dessa ideologia tem consequ\u00eancias cl\u00ednicas e \u00e9ticas para a civiliza\u00e7\u00e3o do nosso s\u00e9culo: o imp\u00e9rio da ind\u00fastria farmac\u00eautica e a multiplica\u00e7\u00e3o das respostas que visam o restabelecimento do <em>status quo<\/em> anterior ao trauma, a partir, inclusive, do apagamento da mem\u00f3ria como um fator decisivo no tratamento. H\u00e1 diferentes figuras do discurso do Mestre que se apressam em tamponar o efeito sujeito e que ofertam diversas solu\u00e7\u00f5es para tratar o real do trauma: os beb\u00eas <em>reborn <\/em>(renascidos em ingl\u00eas) parecem ser uma das solu\u00e7\u00f5es mais recentes.<\/p>\n<p>A patologia pr\u00f3pria \u00e0s metr\u00f3poles produz um espa\u00e7o social marcado por um efeito de irrealidade, diz-nos Laurent<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>, referindo-se ao pensador alem\u00e3o Walter Benjamin, que chamava esse efeito de \u201co mundo da alegoria\u201d. Um mundo artificial em que proliferam a mercadoria, a publicidade e a virtualidade na promo\u00e7\u00e3o do apagamento do sujeito. Nossa \u00e9poca trabalha em prol do esquecimento.<\/p>\n<p>Sabemos, desde Freud, que a mem\u00f3ria e o relato s\u00e3o decisivos na elabora\u00e7\u00e3o do traumatismo. O caso Emma \u00e9 emblem\u00e1tico no estabelecimento de dois tempos no aparelho ps\u00edquico, para que o sentido sexual se articule \u00e0 lembran\u00e7a, produzindo a realidade ps\u00edquica. Na cena p\u00fablica, tanto na pol\u00edtica quanto na arte, \u00e9 digno de nota \u2013 entre tantos outros \u2013 o trabalho realizado pela Comiss\u00e3o da Verdade na busca pela responsabiliza\u00e7\u00e3o dos crimes cometidos pelo Estado brasileiro na \u00e9poca da ditadura, assim como a produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica <em>Ainda Estou Aqui<\/em> ou, ainda, a pe\u00e7a teatral <em>Lady Tempestade<\/em><a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>, que visam produzir um trabalho de simboliza\u00e7\u00e3o em torno do sem sentido e do horror de um acontecimento traum\u00e1tico na vida de milhares de pessoas e em nossa cultura \u2013 exemplos de um trabalho decidido em prol da preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria de uma na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Portanto, tanto na cultura quanto na cl\u00ednica, o lugar da mem\u00f3ria enquanto elabora\u00e7\u00e3o \u00e9 crucial quando se trata de trauma. Dar lugar ao <em>trou <\/em>nos indica que, mais al\u00e9m do agente do trauma e suas circunst\u00e2ncias, \u00e9 preciso o acontecimento de corpo que suporte os aluvi\u00f5es e, sobretudo, aquilo que escoa por entre as rasuras que o choque com a linguagem produz. \u00c9 por esse caminho, apontado por Lacan, que, ao tomarmos as duas vias de tratamento ao real do trauma \u2013 fantasia e ato \u2013 como perspectivas de investiga\u00e7\u00e3o ao tema dessas Jornadas, interessa-nos interrogar se a viol\u00eancia \u00e9 uma resposta em ato ao fracasso da fantasia enquanto recurso frente ao real, apagando o sujeito. Ser\u00e1 que podemos separar trauma e viol\u00eancia? Como pensar essa rela\u00e7\u00e3o \u00e0 luz da cl\u00ednica psicanal\u00edtica? Diante da desordem do mundo e do real sem sentido, qual o lugar do psicanalista?<\/p>\n<p>Se a \u00e9poca atual oferta a inscri\u00e7\u00e3o em categorias, de prefer\u00eancia an\u00f4nimas, e tamb\u00e9m a parceria com a terap\u00eautica qu\u00edmica, \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0com o objetivo de tornar os sujeitos d\u00f3ceis \u00e0s regras sociais sob uma perspectiva cognitiva, o psicanalista orientado pelo real se localiza em outro ponto \u2013 ocupando o lugar da perda essencial do objeto, segundo Laurent, por estar, ele mesmo, no lugar do trauma. \u201cEle pode ocupar esse lugar do insensato, pois sua forma\u00e7\u00e3o o levou a reduzir o sentido do sintoma a seu n\u00facleo mais pr\u00f3ximo de uma conting\u00eancia fora de sentido. Digamos que ele n\u00e3o cr\u00ea mais no sentido\u201d<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Se a linguagem \u00e9 um virus, a an\u00e1lise \u00e9 uma instala\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria e, atrav\u00e9s dela, podemos conjugar outro sentido para o trauma, mais como processo do que como acontecimento. E, sem d\u00favida, nossa responsabilidade \u00e9tica em poder ir al\u00e9m do \u201cher\u00f3i hermen\u00eautico\u201d (aquele que injeta sentido ao trauma) s\u00f3 aumenta, pois, como nos diz Laurent, \u201cO mundo, depois de 11 de setembro de 2001, nos conduzir\u00e1, sem d\u00favida alguma e para nossa infelicidade, a intervir depois de um trauma ou outro. Freud havia nos deixado o s\u00e9culo XX no \u201cmal estar da civiliza\u00e7\u00e3o\u201d, talvez o s\u00e9culo XXI nos leve a falar da civiliza\u00e7\u00e3o e de seu trauma\u201d<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\"><sup>[18]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Interessa-nos, portanto, verificar as incid\u00eancias do \u201canalista trauma\u201d na pr\u00e1tica do psicanalista dos dias atuais, frente \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es pulsionais diante do rateio da fantasia e \u00e0 abertura para a dimens\u00e3o do ato em sua articula\u00e7\u00e3o com a viol\u00eancia e a puls\u00e3o de morte. Repensar o trauma em sua conjuntura, interrogando o seu estatuto, \u00e9 coloc\u00e1-lo no \u00e2mago das nossas investiga\u00e7\u00f5es para interpretar os tempos atuais e pensar o lugar que o analista precisa ocupar na cl\u00ednica de hoje. A partir desse percurso, os eixos tem\u00e1ticos se abrem:<\/p>\n<p><strong>1 \u2013 A tela da fantasia<\/strong><\/p>\n<p>Nesse eixo, interrogamos a rela\u00e7\u00e3o entre reminisc\u00eancias e a constru\u00e7\u00e3o da cena traum\u00e1tica; o car\u00e1ter traum\u00e1tico da sexualidade; os dois tempos do trauma; a estrutura da fantasia; a diferen\u00e7a entre fantasia; fic\u00e7\u00e3o e del\u00edrio; a aus\u00eancia da fantasia no autismo; o\u00a0 decl\u00ednio da fantasia como media\u00e7\u00e3o diante do real, entre outras perspectivas que trar\u00e3o para o debate a fun\u00e7\u00e3o da fantasia como uma via de tratamento ao real do trauma.<\/p>\n<p><strong>2 \u2013 O horizonte do ato<\/strong><\/p>\n<p>Nesse eixo, a pergunta norteadora que lan\u00e7amos \u00e9: podemos separar trauma e viol\u00eancia? Em que medida a ideologia da supress\u00e3o do sujeito, segundo Lacan, \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0favorece a escalada das solu\u00e7\u00f5es em que o objeto n\u00e3o est\u00e1 vestido com a roupagem do fantasma? A perspectiva do ato se coloca como sendo uma resposta do sujeito diante do rateio da fantasia. Cabe, aqui, pensar as adic\u00e7\u00f5es e toxicomanias, o <em>acting out<\/em>, feminic\u00eddios e segrega\u00e7\u00e3o, <em>challengers<\/em> digitais, cancelamentos e <em>bullyings<\/em>,\u00a0 os quais apontam para o horizonte da puls\u00e3o de morte e da passagem ao ato em sua articula\u00e7\u00e3o com a viol\u00eancia, entre tantas dimens\u00f5es em que o ato se coloca em nossa \u00e9poca.<\/p>\n<p><strong>3 \u2013 Analista trauma<\/strong><\/p>\n<p>Esse eixo pretende tocar a especificidade do trabalho do psicanalista e sua rela\u00e7\u00e3o com o trauma \u2013 como n\u00e3o perder de vista a dimens\u00e3o do <em>trou <\/em>frente \u00e0s in\u00fameras demandas pela restitui\u00e7\u00e3o do sentido que proliferam na \u00e9poca atual? Qual a rela\u00e7\u00e3o entre a posi\u00e7\u00e3o do analista e a dimens\u00e3o da perda? Quais as incid\u00eancias do analista trauma na pr\u00e1tica daqueles que exercem a psican\u00e1lise? Abrimos espa\u00e7o para recolher o manejo frente \u00e0s s\u00edndromes da \u00e9poca atual: estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico; p\u00e2nico; crises de ansiedade; <em>burnout<\/em>; psicoses extraordin\u00e1rias e ordin\u00e1rias, entre outras manifesta\u00e7\u00f5es do traum\u00e1tico. Como ir al\u00e9m da inje\u00e7\u00e3o de sentido, rastreando o caminho pulsional?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>REFER\u00ca<span style=\"font-size: 13px;\">NCIAS<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">AGENTE: REVISTA DE PSICAN\u00c1LISE. Salvador: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise \u2013 Se\u00e7\u00e3o Bahia, v. 18, n. 17, set. 2018.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">BASSOLS, M. O trauma e seus mal-entendidos. <strong>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/strong>, S\u00e3o Paulo, v. , n. 70, p. 57-66, jun. 2015.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">FREUD, S. A Proton Pseudos [Primeira Mentira] Hist\u00e9rica. <em>In<\/em>: FREUD, S. <strong>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas, Vol. I \u2013 Publica\u00e7\u00f5es pr\u00e9-psicanal\u00edticas e esbo\u00e7os in\u00e9ditos (1886-1899).<\/strong> Rio de Janeiro: Imago, 1977. p. 251-385.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">FREUD, S. Extratos dos documentos dirigidos a Fliess. <em>In<\/em>: FREUD, S. <strong>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas, Vol. III \u2013 Primeiras publica\u00e7\u00f5es psicanal\u00edticas (1893-1899).<\/strong> Rio de Janeiro: Imago, 1974. p. 251-385.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">FREUD, S. Sobre o mecanismo ps\u00edquico dos fen\u00f4menos hist\u00e9ricos. <em>In<\/em>: FREUD, S. <strong>Obras Completas Vol. 2 \u2013 Estudos sobre a histeria (1893-1895).<\/strong> S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2016. p. 18-38.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">LACAN, J. Lituraterre. <em>In<\/em>: <strong>Outros escritos.<\/strong> Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003. p. 11-25.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">LACAN, J. Radiofonia. <em>In<\/em>: <strong>Outros escritos.<\/strong> Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003. p. 400 &#8211; 447.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">LAURENT, \u00c9. O trauma ao avesso. <strong>Pap\u00e9is de Psican\u00e1lise<\/strong>, Belo Horizonte, v. 1, n. 1, p. 21-28, abr. 2004.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">MILLER, J.-A. Momento de concluir. <em>In<\/em>: <strong>El Ultim\u00edsimo Lacan.<\/strong> Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2013. p. 181-196.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">VIEIRA, M. A. A viol\u00eancia do t<\/span>rauma e seu sujeito. <em>In<\/em>: MACHADO, O. M. R.; DEREZENSKY, E. (Orgs.). <strong>A viol\u00eancia: <\/strong>sintoma social da \u00e9poca. Belo Horizonte: Scriptum, 2013. p. 73-90.<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup><span style=\"font-size: 13px;\">[1]<\/span><\/sup><\/a><span style=\"font-size: 13px;\"> Freud, 2016, p. 25<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Freud, 1974, p. 357<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Miller, 2013, p. 185<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Laurent, 2004, p. 22<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Laurent, 2004, p. 24<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> Vieira, 2013, p. 75<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> Vieira, 2013, p. 75<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> Vieira, 2013, p. 81<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> Bassols, 2015, p.61<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> Laurent, 2004, p. 25<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> Laurent, 2004, p. 26<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> Laurent, 2004, p. 25<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a> Bassols,2015, p. 61<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> Bassols, 2015, p. 75<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> \u00a0\u00a0Laurent, 2004, p. 22<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\"><sup>[16]<\/sup><\/a> <em>Lady Tempestade<\/em>: mon\u00f3logo teatral com Andr\u00e9a Beltr\u00e3o, dirigido por Yara de Novaes, inspirado a partir do di\u00e1rio da advogada pernambucana M\u00e9rcia Albuquerque e sua atua\u00e7\u00e3o em defesa de centenas de presos pol\u00edticos do Nordeste, entre 1973 e 1974, em plena ditadura brasileira.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\"><sup>[17]<\/sup><\/a> Laurent, 2004, p. 26<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a> Laurent, 2004, p. 27<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anamaria Vasconcelos Cassandra Dias \u00c9 com alegria que lan\u00e7amos o argumento sobre a tem\u00e1tica que nortear\u00e1 nossas pesquisas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa V Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste. Entre um enxame de leituras e ideias, fizemos nossa escolha e optamos pelo que, primordialmente, Freud nos ensinou a reconhecer na cl\u00ednica. Aquilo que \u00e9 imposs\u00edvel de se&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":384,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-362","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=362"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/362\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":386,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/362\/revisions\/386"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/384"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}