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Boletim Baque

Editorial Boletim Baque #06

por Anamaria Vasconcelos (EBP/AMP)
Pela Comissão Científica

Inicio destacando minha satisfação em contribuir para esta edição do Baque, publicação que exerce papel significativo ao promover a circulação de reflexões, questionamentos, transferências e o desejo de Escola, elementos que mobilizam a comunidade de trabalho em direção à V Jornada da Seção Nordeste, conforme observado por Cláudia Formiga (EBP/AMP), Coordenadora de Mídias desta Jornada, na primeira edição deste Boletim.

Uma Escola abriga muitas nuances e cada vez mais, fico surpresa quando paro para aprofundar um olhar que até então não havia feito. Em 5 de março de 1995, muito próximo à fundação da Escola Brasileira de Psicanálise, Jacques-Alain Miller redigiu a Carta à Escola Brasileira de Psicanálise, colocando que ela nasce da melhor forma possível; no entanto, nos recomenda uma atenção sobre o Uno e o múltiplo da Escola. Ressalta que o múltiplo faz parte da natureza do Brasil, fator que pode dificultar o desenvolvimento do Uno da Escola, visto que este não possui sede nem estatuto, é uma experiência sem fronteiras dedicada à preservação da Orientação Lacaniana. Na Escola, não há standard, mas há uma orientação.

A Seção Nordeste, formada por vários estados, vive o desafio de ter uma natureza múltipla, no entanto, com desejo decidido dos seus membros, o Uno nos acontecimentos de Escola, em suas jornadas e seus aparelhos, como a livraria, local onde a função de fazer circular o saber psicanalítico através dos livros se cumpre.

Em Teoria de Turim: sobre o sujeito da Escola, Miller reflete sobre o estatuto da Escola, antes de ser considerada um sujeito de direito, assinalando que ela se constitui, primeiramente, como sujeito do desejo. Destaca, ainda, que “ela não existe apenas sob a forma de desejo vago, abstrato, mas já sob a forma de acontecimentos de Escola, como conversações, assembleias, congressos, publicações, criação de múltiplas entidades de transmissão e pesquisa, bem como novas articulações para entidades já existentes.”

As palavras de Cristina Maia (EBP/AMP), em seu texto Livraria, que apresentam as publicações que irão ser disponibilizadas na Livraria da V Jornada remeteram-me a Borges e sua reflexão sobre o valor do livro fechado, repousando apenas nas prateleiras, tornando-se um simples cubo de papel e couro, composto por folhas; porém, ao lermos, algo inusitado acontece, sempre ocorre alguma transformação.

Assim, a livraria da V Jornada da Seção Nordeste se faz viva a partir do desejo de seus organizadores, que os levou a buscar publicações, em maior número possível, cientes de que as enunciações depositadas naqueles livros não serão desperdiçadas nem se tornarão meros cubos mortos. Que muitas conversas rolem, que muitos livros sejam abertos e levados. Que o saber-dizer se encontre com o saber-ler. Que muitas conversas rolem, que muitos livros sejam abertos e levados!

E para concluir, me sirvo das palavras de Mauricio Tarrab: “nossa flecha, a flecha da psicanálise, a flecha de Lacan, a flecha da Orientação Lacaniana, é como uma flecha zen, que em seu voo atingirá o coração do arqueiro que a lançar”.

 


Referências bibliográficas

MILLER, J.-A. Teoria de Turim: sobre o sujeito da Escola. Opção Lacaniana Online, n. 21, 2016. Disponível em: http://www.opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_21/teoria_de_turim.pdf

TARRAB, M. El decir y lo real. Hacer escuchar lo que está escrito. Olivos: Grama Ed, 2023.

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