{"id":705,"date":"2024-11-25T18:02:39","date_gmt":"2024-11-25T21:02:39","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2024\/?p=705"},"modified":"2024-11-27T05:19:19","modified_gmt":"2024-11-27T08:19:19","slug":"referencias-ressonantes-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2024\/referencias-ressonantes-2\/","title":{"rendered":"REFER\u00caNCIAS RESSONANTES"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_695\" aria-describedby=\"caption-attachment-695\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-695 size-medium\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/hiante004_003-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/hiante004_003-300x300.jpg 300w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/hiante004_003-150x150.jpg 150w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/hiante004_003.jpg 327w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-695\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 10px;\">Lois Greenfield &#8211; JENNIE CLUTTERBUCK<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Por Raissa da N\u00f3brega Pessoa<\/em><\/span><\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s, precisamente, nos atemos \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de uma psicopatologia geral, mas do esfor\u00e7o de cada sujeito para tratar do seu sintoma e do acolhimento que lhe damos em institui\u00e7\u00f5es que, sem nossa presen\u00e7a, teriam tend\u00eancia a trat\u00e1-lo como categoria.&#8221;<\/p>\n<p>O Del\u00edrio da Normalidade. In: Loucuras, sintomas e fantasias na vida cotidiana\/\u00c9ric Laurent. Belo Horizonte. Scriptum Livros, 2011, p. 45<\/p>\n<p>Como bem pontuado por \u00c9ric Laurent, os novos significantes mestres da contemporaneidade s\u00e3o a arma\u00e7\u00e3o (armature) do discurso do mestre. O espa\u00e7o do singular \u00e9 reduzido e banalizado, caminha-se ao seu desaparecimento. Em meio \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, o analista \u00e9 o deslocado, \u00e9 o representante da estranheza e diferen\u00e7a frente aos ideais utilitaristas, \u00e9 o guardi\u00e3o do furo. Se h\u00e1 linguagem, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 a harmonia t\u00e3o ansiada pela sa\u00fade mental, o sintoma \u00e9 o pr\u00f3prio obst\u00e1culo \u00e0 norma, isto \u00e9, \u00e9 a via pelo qual o Real n\u00e3o cessa de se inscrever. Na presen\u00e7a de um sujeito soterrado pelos significantes, talvez o analista nas institui\u00e7\u00f5es seja o ponto de suspiro.<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Por Paulo T. Carvalho<\/em><\/span><\/p>\n<p>No Semin\u00e1rio 20, Lacan nos fala que\u00a0 \u201co que vem em supl\u00eancia \u00e0 rela\u00e7\u00e3o sexual, \u00e9 precisamente o amor\u201d (LACAN, 1985, p.62)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. Ele acrescenta que essa supl\u00eancia articula-se ao \u201cpara-esser\u201d. Lacan nos adverte, contudo, que quanto mais se aproxima desse furo da inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o, mais \u201ca linguagem s\u00f3 faz manifestar sua insufici\u00eancia\u201d (Ibid).\u00a0 Nesse sentido, a experi\u00eancia da an\u00e1lise, possibilitada pelo amor de transfer\u00eancia, estaria confrontada com o fracasso, com o que \u00e9 da ordem do imposs\u00edvel para cada sujeito. Miller argumenta em \u201cUma fantasia\u201d que, nesse ponto do ensino de Lacan, estar\u00edamos diante de uma nova concep\u00e7\u00e3o do amor enquanto aquilo que permite \u201cfazer media\u00e7\u00e3o entre os um-sozinho\u201d (MILLER, 2015)<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>. Se confrontar com a insufici\u00eancia significa dizer que o\u00a0 inconsciente real n\u00e3o existe enquanto saber. \u00c9 preciso apostar que algo a\u00ed se inscreva &#8211; apesar do imposs\u00edvel. Para tal, para se tornar um saber, seria preciso o amor. O amor que \u00e9 do analisante ao pr\u00f3prio inconsciente.<\/p>\n<p>Pergunto se n\u00e3o \u00e9 desse amor que\u00a0 fala o poema \u201cApar\u00eancias\u201d, de Antonio Cicero, poeta e ensa\u00edsta que nos deixou no \u00faltimo 23 de outubro. O amor enquanto aquilo que \u201creveste a puls\u00e3o\u201d e \u201ccoordena o gozo\u201d se mostra assim na sua vertente vivificante, uma aposta em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 vida.<\/p>\n<p><strong>Apar\u00eancias &#8211; Antonio Cicero<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o sou mais tolo n\u00e3o mais me queixo:<\/p>\n<p>enganassem-me mais desenganassem-me mais<\/p>\n<p>mais r\u00e1pidas mais vorazes mais arrebatadoras<\/p>\n<p>mais vol\u00faveis mais vol\u00e1teis<\/p>\n<p>mais aparecessem para mim e desaparecessem<\/p>\n<p>mais velassem mais desvelassem mais revelassem mais re-<\/p>\n<p>velassem<\/p>\n<p>mais<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>eu viveria tantas mortes<\/p>\n<p>morreria tantas vidas<\/p>\n<p>jamais me queixaria<\/p>\n<p>jamais.<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Por Anna Luzia Oliveira<\/em><\/span><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>\u201cNada h\u00e1 de criado que n\u00e3o apare\u00e7a na urg\u00eancia, e nada na urg\u00eancia que n\u00e3o gere sua supera\u00e7\u00e3o na fala\u201d. (LACAN, 1998, p, 242).<\/p>\n<p>A cita\u00e7\u00e3o supramencionada revela a din\u00e2mica de como os conte\u00fados internos, especialmente aqueles ligados ao sofrimento ou aos impulsos inconscientes, v\u00eam \u00e0 tona diante da experi\u00eancia da urg\u00eancia e, paradoxalmente, podem ser elaborados e transformados atrav\u00e9s da fala.<\/p>\n<p>Em <em>Al\u00e9m do Princ\u00edpio do Prazer<\/em>, Freud (1920) afirma que as necessidades de satisfa\u00e7\u00e3o sexual, oriundas do inconsciente, representam uma press\u00e3o cont\u00ednua em busca de express\u00e3o, o que implica dizer que as urg\u00eancias da vida, como sofrimento, sintomas e ang\u00fastia, servem como canais pelos quais o inconsciente se manifesta, em busca de reconhecimento e al\u00edvio.<\/p>\n<p>Lacan complementa essa perspectiva ao enfatizar que a fala \u00e9 um dos instrumentos primordiais para que o sujeito expresse os conte\u00fados reprimidos, facilitando a supera\u00e7\u00e3o de suas ang\u00fastias. Em seu semin\u00e1rio a<em> ang\u00fastia<\/em> (1962-63, p. 178), afirma: \u201ca ang\u00fastia, dentre todos os sinais, \u00e9 aquele que n\u00e3o engana\u201d, ou seja, ela aponta de forma direta para o n\u00facleo do desejo inconsciente. Para Lacan, o atravessamento desse afeto na fala permite ao sujeito enfrentar e ultrapassar a ang\u00fastia, mostrando que o \u201creal\u201d do sofrimento precisa ser simbolizado para ser superado.<\/p>\n<p>Miller, em <em>O ultim\u00edssimo Lacan<\/em> (2014), ao dialogar com essas ideias, destaca que o real se apresenta como o que escapa ao sujeito, fora do sentido, indiz\u00edvel. No entanto, \u00e9 precisamente nesse contato com o imposs\u00edvel que o sujeito pode encontrar alguma sa\u00edda pela palavra, sugerindo que a fala n\u00e3o apenas alivia a urg\u00eancia, mas atua como um dispositivo de enfrentamento para o que \u00e9 da ordem do imposs\u00edvel de dizer, em que o ato de nomea\u00e7\u00e3o passa a representar um manejo poss\u00edvel, uma escrita singular para servir-se: \u201cum regime que n\u00e3o de um ditado, mas um regime em que se trata de inventar uma escrita\u201d (p. 61).<\/p>\n<p>Assim, tanto em Freud quanto em Lacan e no \u00faltimo Lacan de Miller, a fala aparece como o caminho para que a urg\u00eancia se desdobre em cria\u00e7\u00e3o, no ato de escrita sobre a marca que est\u00e1 no real.<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\">Refer\u00eancias<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\">FREUD, S.\u00a0 Al\u00e9m do princ\u00edpio de prazer [1920].\u00a0<em>In<\/em>:\u00a0<strong>Al\u00e9m do princ\u00edpio de prazer.<\/strong>\u00a0<strong>\u00a0<\/strong>(Obras incompletas de Sigmund Freud). Belo Horizonte: Aut\u00eantica editora, 2020, p. 57-205.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\">LACAN, J. Fun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem [1953].\u00a0<em>In<\/em>: LACAN, J.\u00a0<strong>Escritos<\/strong>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editora, 1998, 238-324.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\">LACAN, J.\u00a0<strong>O semin\u00e1rio, livro 10<\/strong>: a ang\u00fastia [1962-63]. Rio de Janeiro, Jorge Zahar editora, 2058.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\">MILLER, J.-A.\u00a0<strong>El ultim\u00edssimo Lacan\u00a0<\/strong>[2006-2007]. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2014<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> LACAN, J. <strong>O Semin\u00e1rio: livro 20: Mais, ainda.<\/strong> 2\u00aa ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> MILLER, J-A. \u201cUma fantasia\u201d. In: <strong>Opc\u0327a\u0303o Lacaniana<\/strong>. n. 42, Fevereiro, S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Eolia, 2005.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> CICERO, Antonio. <strong>Porventura<\/strong>. Rio de Janeiro: Record, 2012.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Raissa da N\u00f3brega Pessoa &#8220;N\u00f3s, precisamente, nos atemos \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de uma psicopatologia geral, mas do esfor\u00e7o de cada sujeito para tratar do seu sintoma e do acolhimento que lhe damos em institui\u00e7\u00f5es que, sem nossa presen\u00e7a, teriam tend\u00eancia a trat\u00e1-lo como categoria.&#8221; O Del\u00edrio da Normalidade. 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