{"id":468,"date":"2024-07-15T09:18:21","date_gmt":"2024-07-15T12:18:21","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2024\/?p=468"},"modified":"2024-07-16T14:42:42","modified_gmt":"2024-07-16T17:42:42","slug":"in-locu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2024\/in-locu\/","title":{"rendered":"In locu"},"content":{"rendered":"<p>por <span class=\"wpex-text-sm\">Anderson<\/span> Barbosa<\/p>\n<blockquote><p><span class=\"wpex-text-sm\">\u201cO Sol ainda n\u00e3o nascera. Era quase imposs\u00edvel distinguir o c\u00e9u do mar, mas este apresentava algumas rugas, como se de um peda\u00e7o de tecido se tratasse. Aos poucos, \u00e0 medida que o c\u00e9u clareava, uma linha escura estendeu-se no horizonte, dividindo o c\u00e9u e o mar. Ent\u00e3o, o tecido cinzento coloriu-se de manchas em movimento, umas sucedendo-se \u00e0s outras, junto \u00e0 superf\u00edcie, perseguindo-se mutuamente, sem parar.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span class=\"wpex-text-sm\">Virg\u00ednia Woolf, <em>As ondas<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-469\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Ponta-do-Seixas.jpg\" alt=\"\" width=\"1290\" height=\"704\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Ponta-do-Seixas.jpg 1290w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Ponta-do-Seixas-300x164.jpg 300w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Ponta-do-Seixas-1024x559.jpg 1024w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Ponta-do-Seixas-768x419.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1290px) 100vw, 1290px\" \/><\/p>\n<p>O <em>In Locu<\/em> do primeiro Boletim <strong><em>Hiante<\/em><\/strong> se debru\u00e7a sobre o significante que marca a cidade de Jo\u00e3o Pessoa, no extremo oriental das Am\u00e9ricas: Porta do Sol. Como apontado no editorial de abertura, nossa cidade \u00e9 recortada pela luz que primeiro invade o continente, mas que dele tamb\u00e9m primeiro se esvai. \u00c9 nesse lugar, conhecido como \u201cPonta do Seixas\u201d, que em 1972, sob a assinatura do professor do Departamento de Arquitetura da UFPB, Pedro Abra\u00e3o Diebe, foi constru\u00eddo o farol que visava ser a marca dessa dan\u00e7a com a luz.<\/p>\n<p>A ideia era homenagear a planta de sisal, s\u00edmbolo comercial do estado da Para\u00edba durante muitos anos. Para tal, foram projetadas pontas em formato triangular, como lan\u00e7as, que, em seu conjunto e vistas do alto, parecem apontar como uma seta para o sem-fim do horizonte mar\u00edtimo.<\/p>\n<p>O farol se localiza sobre uma fal\u00e9sia que o mar desenhou na encosta durante milhares de anos e que, apesar das constru\u00e7\u00f5es, estradas, explora\u00e7\u00e3o humana e tentativas de conten\u00e7\u00e3o, segue sendo esculpida pelo oceano que, em nossa orla, insiste em imprimir curvas salientes, rasgando a terra como um tecido, feito de luz e sombra, como diz Virginia Woolf em <em>As ondas<\/em>. Pouco a pouco, a paisagem que antes era local de passagem, exp\u00f5e uma ferida arredondada, um furo feito pelo mar.<\/p>\n<p>Lacan escreve <em>Lituraterra<\/em> depois de voltar de uma viagem a Osaka, no Jap\u00e3o (pa\u00eds conhecido por ser, talvez como aqui, a \u201cterra do sol nascente\u201d). Fica impressionado ao sobrevoar a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e observar como o oceano se confunde com o continente em um estreito litoral, cuja \u00e1gua desenhava sulcos. No Semin\u00e1rio 18, comenta sobre a arquitetura japonesa que mescla o antigo e o moderno. Fica capturado, assim, pela l\u00f3gica das curvas que cobriam toda a cidade, permitindo-o constatar que nada segue a linha reta, nem mesmo o facho de luz que \u00e9 \u201ctotalmente solid\u00e1rio com a curva universal\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> (p. 115).<\/p>\n<p>Totalmente solid\u00e1ria com a curva universal, tamb\u00e9m a fal\u00e9sia do Cabo Branco recebe a luz sinuosa do al\u00e9m-mar e se deixa desenhar em curvas pela viol\u00eancia das \u00e1guas. O mar avan\u00e7a e cria, ao mesmo tempo, o cart\u00e3o postal e o buraco. \u00c9 de bra\u00e7os dados com isso que n\u00e3o faz linha reta, sinal do real, que Jo\u00e3o Pessoa visa receber a todos os interessados em participar presencialmente ou mesmo online da IV Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste.<\/p>\n<hr \/>\n<p><span class=\"wpex-text-sm\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Woolf, V. (2021). <em>As ondas<\/em>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica. (Trabalho original publicado em 1931).<\/span><\/p>\n<p><span class=\"wpex-text-sm\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Lacan, J. (2009). <em>O semin\u00e1rio, livro 18: de um discurso que n\u00e3o fosse semblante<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em 1971).<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Anderson Barbosa \u201cO Sol ainda n\u00e3o nascera. 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