{"id":57810,"date":"2023-10-26T09:43:08","date_gmt":"2023-10-26T12:43:08","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/?p=57810"},"modified":"2023-10-26T09:43:08","modified_gmt":"2023-10-26T12:43:08","slug":"editorial-divagacoes-08","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/editorial-divagacoes-08\/","title":{"rendered":"Editorial Divaga\u00e7\u00f5es #08"},"content":{"rendered":"<h6>Jos\u00e9 Augusto Rocha (da Comiss\u00e3o de Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>Caros leitores,<\/p>\n<p>Chegamos ao Boletim #8.<\/p>\n<p>O que o leitor tem em m\u00e3os s\u00e3o textos que buscam articular duas premissas, a meu ver, fundamentais para psican\u00e1lise: pol\u00edtica lacaniana e acontecimento de corpo.<\/p>\n<p>Em <strong>Resson\u00e2ncias<\/strong>, resenha da Atividade Preparat\u00f3ria III feita por V\u00e2nia Ferreira, <em>O que est\u00e1 em jogo na pol\u00edtica lacaniana se nos referirmos a ela como acontecimento de corpo?<\/em> foi a pergunta orientadora a diversos trabalhos, os quais buscavam, a seu modo, cerzir que n\u00e3o h\u00e1 cl\u00ednica sem pol\u00edtica nem psican\u00e1lise que n\u00e3o esteja atenta \u00e0s modalidades de la\u00e7o, segrega\u00e7\u00e3o e racismo de seu tempo.<\/p>\n<p>Durante uma sess\u00e3o, Suzanne Hommel relata um sonho: \u201cacordo todo dia \u00e0s 5h\u201d. N\u00e3o sem antes acrescentar: \u201cera \u00e0s 5h que a <em>Gestapo<\/em> vinha procurar os judeus em suas casas\u201d. Hommel havia nascido na Alemanha em 1938 e crescera, portanto, sob os horrores da guerra \u2014 a hostilidade e a ang\u00fastia, a fome e as mentiras, o desamparo e a solid\u00e3o. Ao relatar, ent\u00e3o, o sonho a Lacan, este moveu-se como um raio, saindo de sua poltrona em dire\u00e7\u00e3o ao corpo de Hommel. A essa itera\u00e7\u00e3o de gozo, Lacan fez um ato. <em>Gestapo<\/em> \u2014 a pol\u00edcia secreta nazista \u2014 ganhara um novo efeito no corpo de Hommel: <em>gest \u00e0 peau<\/em>, um doce carinho em sua face feito pelo analista. Lacan apostou evidentemente na equivocidade materializada no significante mestre <em>Gestapo<\/em> em dire\u00e7\u00e3o ao <em>gest \u00e0 peau<\/em>. Ao fazer tal ato, produziu em seu corpo um acontecimento contingente, o qual lhe garantiu, que 40 anos depois daquela sess\u00e3o, pudesse n\u00e3o apenas recordar como sentir novamente o afago, <em>gest \u00e0 peau<\/em>. Tal epis\u00f3dio \u00e9 retomado na apresenta\u00e7\u00e3o de L\u00eddia Pessoa, presente na Atividade Preparat\u00f3ria do Eixo III. Retomado, diga-se, ao sublinhar &#8220;o horror do nazismo&#8221; no significante<em> Gestapo <\/em>\u2013 ou seja, destacando a dimens\u00e3o pol\u00edtica presente.<\/p>\n<p>Francisco Santos, em <em>O analista e sua \u00e9poca<\/em>, apresenta como a pol\u00edtica e o analista s\u00e3o insepar\u00e1veis. Com efeito, quando pensamos nessa rela\u00e7\u00e3o, cabe estabelecer, de sa\u00edda, de que pol\u00edtica se trata. O analista n\u00e3o pode calar-se frente \u00e0s quest\u00f5es de sua \u00e9poca; deve estar atento aos significantes em circula\u00e7\u00e3o, sem que, contudo, seja apanhado pelos ideais pol\u00edticos, o imperativo do consumo e da ci\u00eancia. Fazer calar o empuxo ao gozo difere de crer-se neutro ou anuente ao que se apresenta na civiliza\u00e7\u00e3o. Para Francisco Santos, o analista em sua pr\u00e1tica \u00e9 um fato pol\u00edtico. Perguntamos, com ele, &#8220;em que o analista pode se implicar, a partir de e para al\u00e9m do consult\u00f3rio&#8221;.<\/p>\n<p>Na rubrica <strong>A palavra do IPSIN<\/strong>, Anamaria Vasconcelos e Janu\u00e1rio Marques, que coordenam o N\u00facleo de Pesquisa sobre Autismo, escrevem um texto a quatro m\u00e3os e muitas vozes. As m\u00e3os s\u00e3o dos dois autores, e as vozes, dos autistas. A princ\u00edpio, evidenciam que &#8220;a palavra \u00e9 coisa s\u00e9ria&#8221;, e nos levam a perceber seu estatuto singular para os autistas. Ao apostar que os autistas t\u00eam algo a dizer, conv\u00e9m ao analista uma posi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica (e por essa raz\u00e3o pol\u00edtica) de ouvi-los.<\/p>\n<p>Em <strong>Pe\u00e7as Soltas<\/strong>, assistimos ao v\u00eddeo dos parangol\u00e9s de H\u00e9lio Oiticica e, simultaneamente, compreendemos que a arte \u00e9 o avesso da neutralidade. Neste Boletim #8, o leitor pode acessar, em <strong>Refer\u00eancias Comentadas<\/strong>, as contribui\u00e7\u00f5es da Comiss\u00e3o de Refer\u00eancias nos coment\u00e1rios de Kesia Ramos e Roberta de Ara\u00fajo Gusmao, bem como na entrega da terceira e \u00faltima remessa das Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas, a qual re\u00fane um rico material bibliogr\u00e1fico como suporte nas pesquisas de cada um em torno dos Eixos Tem\u00e1ticos. Na rubrica <strong>Acolhimento<\/strong>, temos um guia, confeccionado especialmente pela Comiss\u00e3o de Acolhimento, para os que vierem presencialmente para a <strong>III Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste<\/strong> a fim de aproveitarem melhor a cidade do Recife, sede da nossa <strong>III Jornada<\/strong>.<\/p>\n<p>E, por falar em Recife, cabe recordar o frevo de Antonio Maria: <em>Quando eu me lembro\/ O Recife t\u00e1 longe\/ A saudade \u00e9 t\u00e3o grande\/ Eu at\u00e9 me embara\u00e7o<\/em>. Recife est\u00e1 perto. Cada dia mais perto. Estamos em contagem regressiva. Essa <strong>III Jornada<\/strong> ser\u00e1 o acontecimento do encontro dos corpos em uma terra que tem ritmo, cheiro e cor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Augusto Rocha (da Comiss\u00e3o de Divulga\u00e7\u00e3o) Caros leitores, Chegamos ao Boletim #8. 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