{"id":57725,"date":"2023-09-27T10:22:49","date_gmt":"2023-09-27T13:22:49","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/?p=57725"},"modified":"2023-09-27T10:23:59","modified_gmt":"2023-09-27T13:23:59","slug":"ressonancias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/ressonancias\/","title":{"rendered":"RESSON\u00c2NCIAS"},"content":{"rendered":"<p><b data-wp-editing=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-57712\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/boletim005_002-853x1024.png\" alt=\"\" width=\"333\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/boletim005_002-853x1024.png 853w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/boletim005_002-250x300.png 250w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/boletim005_002-768x922.png 768w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/boletim005_002-1280x1536.png 1280w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/boletim005_002-900x1080.png 900w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/boletim005_002.png 1333w\" sizes=\"auto, (max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/>Fina Pele do Sintoma<\/b><\/p>\n<h6><span style=\"font-weight: 400;\">Francisco Santos (da Comiss\u00e3o de Biblioteca da Se\u00e7\u00e3o Nordeste)<\/span><\/h6>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Neste dia 5 de setembro, tivemos mais uma atividade voltada para a <\/span><b>III Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, vestida de Noite de Biblioteca, com a discuss\u00e3o sobre o filme <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Pele Fina, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">dirigido por Arthur Lins, que esteve presente ao lado de Susane Zanotti, coordenadora da Comiss\u00e3o Cient\u00edfica da Jornada, animados por Sandra Conrado, que conduziu a fecunda conversa\u00e7\u00e3o em torno da quest\u00e3o: o que o filme nos ensina sobre <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;cada um em seu mundo: todos delirantes?\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, tema que permear\u00e1 os trabalhos nos dias 24 e 25 de novembro pr\u00f3ximo, em Recife.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQue se abram as cortinas!\u201d, \u00e9 um dos motes da obra, que como indica o diretor, \u00e9 \u201cponto de partida e ponto de chegada\u201d. Uma artista \u00e0s voltas com o seu processo criativo que, ao mesmo tempo em que se d\u00e1, deflagra um outro processo, ao qual Arthur chamar\u00e1 de \u201ccrise&#8221;, que por sua vez fala da ang\u00fastia, dos sintomas que nos chegam aos consult\u00f3rios, e diante dos quais os sujeitos tecem suas inven\u00e7\u00f5es, sendo o pr\u00f3prio sintoma j\u00e1 uma inven\u00e7\u00e3o, uma forma de lidar com a ang\u00fastia, com a n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual, com o desencontro entre os pares,\u00a0 com a demanda imposs\u00edvel do Outro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se somos todos delirantes, cada um \u00e0 sua forma, somos diante do real que nos atravessa, e que no filme \u00e9 personificado &#8211; ou fantasmaticado? &#8211; na figura de Sarah Kane, a dramaturga do s\u00e9culo passado que atormenta a protagonista, a qual ao mesmo tempo afasta e abra\u00e7a esse peda\u00e7o de real com um tamb\u00e9m peda\u00e7o de discurso que n\u00e3o deixa de ser uma defesa contra o real, cantando, \u201cquem tem medo de Sarah Kane, Sarah Kane\u2026\u201d, uma fala, uma ora\u00e7\u00e3o contra o real esmagador, contra a ang\u00fastia que se apresenta em diversas cenas do filme, o que de certa forma est\u00e1 presente no pr\u00f3prio trabalho cinematogr\u00e1fico: o diretor diz que Sarah \u201cfoi surgindo\u201d, \u201cganhando corpo\u201d ao longo da produ\u00e7\u00e3o de um roteiro que prescindia das delimita\u00e7\u00f5es, tal qual os sujeitos que, \u00e0 medida que avan\u00e7am em suas exist\u00eancias, catam as pe\u00e7as soltas dos discursos para balizar o gozo, como diz Brousse, \u201ctodo discurso implica num freio ao gozo\u201d. Em resumo, como o diretor tamb\u00e9m indica, o processo criativo \u00e9 enquanto crise (ang\u00fastia), mas tamb\u00e9m enquanto constru\u00e7\u00e3o. Ler esses processos vividos no \u00edntimo de cada discurso, de cada <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">falasser<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, talvez seja isso, \u201calcan\u00e7ar em seu horizonte a subjetividade de sua \u00e9poca\u201d, a pol\u00edtica lacaniana desde dentro do consult\u00f3rio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Suzanne Zanotti destaca o corpo como indica\u00e7\u00e3o cadente no filme que remete ao tema da nossa <\/span><b>III Jornada<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. O corpo da protagonista que se revolve durante o processo criativo, na cena em que ela declama o que produz; que cai diante do desencontro com o antigo amante, vociferado, depois calado, ca\u00eddo; que se esvai, na pele que cai, rasgada, fina do sintoma, at\u00e9 o ponto de ruptura com a imago de Sarah Kane na \u00faltima cena, lan\u00e7ando-se ao mar\u2026 ou se une a ela, que vai logo depois, sendo a ruptura com a vida, com o la\u00e7o social?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Arthur duvida de uma depress\u00e3o em Luiza, e nos diz que seu furor, suas l\u00e1grimas, sua queda, sua pele, tudo isso mostra que \u201ch\u00e1 algo a ser dito\u201d, pois o processo criativo \u00e9 perigoso para o artista, que no decorrer da constru\u00e7\u00e3o, como no caso de Luiza, \u201cprocurando um corpo para existir na cena\u201d, neste momento, \u201co perigo \u00e9 sucumbir\u201d, pensando nisso que \u00e9 em parte a riqueza da arte: tocar o real.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se o artista se encontra vulnerabilizado pelo processo criativo, pois entra com o corpo nesse (n\u00e3o) saber-fazer com o real, ilustrado por in\u00fameros artistas que demonstraram, fatidicamente, rela\u00e7\u00f5es perturbadas com o corpo na passagem-ao-ato (como sugere uma das interpreta\u00e7\u00f5es da \u00faltima cena do filme), o sujeito, ainda que n\u00e3o artista, que recorre ao consult\u00f3rio de psican\u00e1lise, tamb\u00e9m vive com as suas perturba\u00e7\u00f5es que se apresentam no acontecimento de corpo, nas queixas, nos sintomas, convocando o analista a interpretar, a olhar para este corpo (\u201cn\u00e3o v\u00eas que estou queimando?\u201d), a ler as inscri\u00e7\u00f5es de gozo e apostar ainda no sujeito e suas inven\u00e7\u00f5es, para al\u00e9m das solu\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas das prescri\u00e7\u00f5es e adi\u00e7\u00f5es, para al\u00e9m do regramento comportamental sugerido aos sujeitos \u201cat\u00edpicos\u201d e do objeto <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">a <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">elevado ao z\u00eanite no discurso capitalista.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, a \u00faltima cena sugere um conceito que surge na discuss\u00e3o, o conceito de litoral, o limite no simb\u00f3lico para fazer margem ao real que se apresenta ao <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">falasser<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Um delineamento a cada leitura feita por cada um que assiste ao filme, que aprecia uma obra de arte, que se lan\u00e7a com seu corpo na contempla\u00e7\u00e3o dessa inven\u00e7\u00e3o com o real proposta, exposta por cada artista.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fina Pele do Sintoma Francisco Santos (da Comiss\u00e3o de Biblioteca da Se\u00e7\u00e3o Nordeste) Neste dia 5 de setembro, tivemos mais uma atividade voltada para a III Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste, vestida de Noite de Biblioteca, com a discuss\u00e3o sobre o filme Pele Fina, dirigido por Arthur Lins, que esteve presente ao lado de Susane Zanotti,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[18],"tags":[],"class_list":["post-57725","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-boletim-divagacoes","category-18","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57725","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57725"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57725\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57726,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57725\/revisions\/57726"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57725"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57725"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57725"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}