{"id":57620,"date":"2023-08-06T16:52:13","date_gmt":"2023-08-06T19:52:13","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/?p=57620"},"modified":"2023-08-06T16:52:13","modified_gmt":"2023-08-06T19:52:13","slug":"ler-um-sintoma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2023\/ler-um-sintoma\/","title":{"rendered":"LER UM SINTOMA"},"content":{"rendered":"<h6>Jacques-Alain Miller (Paris)<\/h6>\n<p>Tenho que lhes revelar o t\u00edtulo do pr\u00f3ximo congresso da NLS, para justific\u00e1-lo e apresentar sobre o assunto algumas reflex\u00f5es que poder\u00e3o servir-lhes como refer\u00eancia para a reda\u00e7\u00e3o dos trabalhos cl\u00ednicos que ele convoca. Esse t\u00edtulo, escolhi a partir de duas indica\u00e7\u00f5es que recebi de sua presidente, Anne Lysy. A primeira \u00e9 que o Conselho da NLS gostaria que o pr\u00f3ximo congresso falasse sobre o sintoma; a segunda \u00e9 que o lugar do congresso seria em Tel-Aviv. A quest\u00e3o era ent\u00e3o determinar qual acento, qual inflex\u00e3o, qual impuls\u00e3o dar ao tema do sintoma. Pesei isso em fun\u00e7\u00e3o de meu curso, que acontece em Paris, semanalmente, onde me explico com Lacan e a pr\u00e1tica da psican\u00e1lise hoje, essa pr\u00e1tica que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 exatamente, talvez n\u00e3o seja de modo algum aquela de Freud. E em segundo lugar, pesei o acento a dar ao tema do sintoma em fun\u00e7\u00e3o do lugar, Israel. E ent\u00e3o, tudo suficientemente ponderado, escolhi o seguinte t\u00edtulo: \u201cler um sintoma\u201d,\u00a0<em>to read a symptom<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Saber ler<\/strong><\/p>\n<p>Aqueles que leem Lacan, sem d\u00favida reconheceram aqui uma resson\u00e2ncia do que prop\u00f5e em seu escrito \u201cRadiofonia\u201d, que voc\u00eas encontram na colet\u00e2nea dos\u00a0<em>Outros escritos<\/em>, na p\u00e1gina 427. Ali ele destaca que o judeu \u00e9 aquele que sabe ler.<sup>1<\/sup>\u00a0\u00c9 esse saber ler que se tratar\u00e1 de questionar em Israel, o saber ler na pr\u00e1tica da psican\u00e1lise. Eu diria de pronto que o saber ler, como o entendo, completa o bem-dizer, que se tornou um slogan entre n\u00f3s. Eu sustentaria de bom grado que o bem-dizer na psican\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 nada sem o saber ler, que o bem-dizer pr\u00f3prio \u00e0 psican\u00e1lise se funda em saber ler. Se algu\u00e9m d\u00e1 muito cr\u00e9dito ao bem-dizer, s\u00f3 alcan\u00e7a a metade do que se trata. Bem-dizer e saber ler est\u00e3o do lado do analista, \u00e9 seu apan\u00e1gio, mas ao longo da experi\u00eancia, trata-se de que o bem-dizer e o saber ler se transfiram para o analisante. De certo modo, que ele aprenda, fora de qualquer pedagogia, a bem-dizer e a saber ler. A arte de bem-dizer \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o dessa disciplina tradicional que se chama ret\u00f3rica. Certamente, a psican\u00e1lise participa da ret\u00f3rica, mas n\u00e3o se reduz a ela. Parece-me que \u00e9 o saber ler que faz a diferen\u00e7a. A psican\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 quest\u00e3o de escuta,\u00a0<em>listening<\/em>; ela \u00e9 tamb\u00e9m quest\u00e3o de leitura,\u00a0<em>Reading<\/em>. No campo da linguagem, sem d\u00favida a psican\u00e1lise se inicia com a fun\u00e7\u00e3o da fala, mas ela se refere \u00e0 escrita. H\u00e1 uma dist\u00e2ncia entre falar e escrever,\u00a0<em>speaking and writing<\/em>. \u00c9 nessa dist\u00e2ncia que a psican\u00e1lise opera, \u00e9 essa diferen\u00e7a que a psican\u00e1lise explora.<\/p>\n<p>Eu acrescentaria um toque mais pessoal \u00e0 escolha desse t\u00edtulo: \u201cLer um sintoma\u201d, uma vez que foi o \u2018saber ler\u2019 que Lacan imputou a mim. Voc\u00eas encontram isto na ep\u00edgrafe de seu escrito \u201cTelevis\u00e3o\u201d, na p\u00e1gina 508 da colet\u00e2nea\u00a0<em>Outros escritos<\/em>, onde eu lhe fazia certo n\u00famero de perguntas em nome da televis\u00e3o e ele destacou do texto que reproduz com algumas mudan\u00e7as o que havia dito ent\u00e3o \u201cAquele que me interroga tamb\u00e9m sabe me ler\u201d<sup>2<\/sup>. Portanto, Lacan me fixou ao saber ler, pelo menos saber ler Lacan. \u00c9 um certificado que ele me atribuiu em raz\u00e3o das anota\u00e7\u00f5es com as quais escandi seu discurso na margem, dentre as quais muitas fazem refer\u00eancia \u00e0s suas f\u00f3rmulas chamadas de matemas. Ent\u00e3o, a quest\u00e3o de saber ler tem todos os motivos para me enlevar.<\/p>\n<p><strong>O segredo da ontologia<\/strong><\/p>\n<p>Depois desta introdu\u00e7\u00e3o, vou agora evocar o ponto em que estou no meu curso deste ano e que conduz precisamente a esse assunto de leitura e de leitura do sintoma. Por estes dias estou em vias de articular a oposi\u00e7\u00e3o conceitual entre ser e exist\u00eancia. E este \u00e9 um passo no caminho em que entendo distinguir e opor o ser e o real,\u00a0<em>being and the real<\/em>.<\/p>\n<p>Trata-se, para mim, de valorizar os limites da ontologia, da doutrina do ser. Foram os gregos que inventaram a ontologia. Mas tamb\u00e9m eles perceberam seus limites, uma vez que alguns desenvolveram um discurso que incidia diretamente sobre um \u2018para al\u00e9m\u2019 do ser,\u00a0<em>beyong being<\/em>. Nesse \u2018para al\u00e9m\u2019 do ser, em rela\u00e7\u00e3o ao qual \u00e9 preciso admitir que sentiram necessidade de fazer isto; eles colocaram o Um,\u00a0<em>the one<\/em>. Em particular aquele que desenvolveu o culto do Um como um al\u00e9m do ser, o que se chamava Plotino. E ele extraiu isto de uma leitura de Plat\u00e3o, alguns s\u00e9culos depois dele, precisamente do Parm\u00eanides de Plat\u00e3o. Portanto, ele extraiu um certo saber ler Plat\u00e3o. E aqu\u00e9m de Plat\u00e3o h\u00e1 Pit\u00e1goras, matem\u00e1tico, mas m\u00edstico-matem\u00e1tico. Foi Pit\u00e1goras quem divinizou o n\u00famero, em particular o Um, e n\u00e3o fazia uma ontologia, mas o que, em termos t\u00e9cnicos a partir do grego, ele chama de henologia, isto \u00e9, uma doutrina do Um. Minha tese \u00e9 que o campo do ser exige, necessita um \u2018para al\u00e9m\u2019 do ser.<\/p>\n<p>Os gregos que desenvolveram uma ontologia sentiram necessidade de um ponto de apoio, de um fundamento inabal\u00e1vel que justamente o ser n\u00e3o lhes dava. O ser n\u00e3o propicia um fundamento inabal\u00e1vel \u00e0 experi\u00eancia e ao pensamento, precisamente porque h\u00e1 uma dial\u00e9tica do ser. Situar o ser \u00e9 ao mesmo tempo situar o nada. E colocar que o ser \u00e9 isto, \u00e9 ao mesmo tempo dizer que n\u00e3o \u00e9 aquilo. Portanto, ele \u00e9 tamb\u00e9m na qualidade de ser o seu contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em suma, ao ser falta essencialmente o ser, e n\u00e3o por acidente, mas de modo essencial. A ontologia desemboca sempre em uma dial\u00e9tica do ser. Lacan sabia disso t\u00e3o bem que precisamente definiu o ser do sujeito do inconsciente como \u2018falta-a-ser\u2019 (<em>manque \u00e0 \u00eatre<\/em>). Ele explora a\u00ed os recursos dial\u00e9ticos da ontologia. A tradu\u00e7\u00e3o da express\u00e3o francesa\u00a0<em>manque \u00e0 \u00eatre<\/em>\u00a0por\u00a0<em>want to be<\/em>\u00a0acrescenta algo muito precioso, a no\u00e7\u00e3o de desejo.\u00a0<em>Want\u00a0<\/em>n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o ato; em\u00a0<em>want<\/em>\u00a0h\u00e1 o desejo, h\u00e1 a vontade e, precisamente, o desejo de fazer ser o que n\u00e3o \u00e9. O desejo faz a media\u00e7\u00e3o entre\u00a0<em>being<\/em>\u00a0<em>and nothingness<\/em>. Encontramos esse desejo na psican\u00e1lise no \u00e2mbito do desejo do analista, que anima a opera\u00e7\u00e3o anal\u00edtica na medida em que esse desejo visa a conduzir ao ser inconsciente, visa a fazer aparecer o que est\u00e1 recalcado, como dizia Freud.<\/p>\n<p>Evidentemente, o que est\u00e1 recalcado \u00e9 por excel\u00eancia um\u00a0<em>want to be<\/em>, o que est\u00e1 recalcado n\u00e3o \u00e9 um ser atual, n\u00e3o \u00e9 uma palavra efetivamente dita; \u00e9 um ser virtual em estado de poss\u00edvel, que aparecer\u00e1 ou n\u00e3o. A opera\u00e7\u00e3o que conduz ao ser inconsciente n\u00e3o \u00e9 a opera\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito santo; \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o de linguagem, aquela que coloca em a\u00e7\u00e3o a psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>A linguagem \u00e9 essa fun\u00e7\u00e3o que faz ser o que n\u00e3o existe. Foi isto que os l\u00f3gicos tiveram de constatar; eles se desesperaram pelo fato de que a linguagem seja capaz de fazer ser aquilo que n\u00e3o existe, e ent\u00e3o tentaram normalizar seu uso na esperan\u00e7a de que sua linguagem artificial n\u00e3o nomearia o que n\u00e3o existe. Mas, de fato, \u00e9 preciso reconhecer a\u00ed n\u00e3o um defeito de linguagem, mas sua pot\u00eancia. A linguagem \u00e9 criadora e em particular ela cria o ser. Em suma, o ser do qual os fil\u00f3sofos falam desde sempre, nunca foi sen\u00e3o um ser de linguagem. Este \u00e9 o segredo da ontologia. Ent\u00e3o, h\u00e1 a\u00ed uma vertigem.<\/p>\n<p><strong>Um discurso que fosse real<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 nisto, para os pr\u00f3prios fil\u00f3sofos, uma vertigem que \u00e9 a da dial\u00e9tica. Porque o ser \u00e9 o oposto da apar\u00eancia, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o a apar\u00eancia, uma certa modalidade da apar\u00eancia. E \u00e9, portanto, essa fragilidade intr\u00ednseca ao ser que justifica a inven\u00e7\u00e3o de um termo que re\u00fane o ser e a apar\u00eancia, o termo semblante. O semblante \u00e9 uma palavra que utilizamos na psican\u00e1lise e por meio da qual tentamos cernir o que \u00e9 ao mesmo tempo ser e apar\u00eancia, de modo indissoci\u00e1vel.<\/p>\n<p>Outrora, eu havia tentado traduzir essa palavra em ingl\u00eas pela express\u00e3o\u00a0<em>make believe<\/em>. Efetivamente, se algu\u00e9m cr\u00ea nisso (<em>si on y croit<\/em>), n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre a apar\u00eancia e o ser. \u00c9 uma quest\u00e3o de cren\u00e7a.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, minha tese, que \u00e9 uma tese sobre a filosofia a partir da experi\u00eancia anal\u00edtica, \u00e9 de que os gregos, justamente porque estiveram eminentemente \u00e0s voltas com essa vertigem, buscaram um \u2018para al\u00e9m\u2019 do ser, um \u2018para al\u00e9m\u2019 do semblante. O que chamamos de real \u00e9 esse \u2018para al\u00e9m\u2019 do semblante, um \u2018para al\u00e9m\u2019 que \u00e9 problem\u00e1tico. Ser\u00e1 que existe um \u2018para al\u00e9m\u2019 do semblante? O real seria, se quisermos, um ser, mas n\u00e3o um ser de linguagem. Intocado pelos equ\u00edvocos da linguagem, indiferente ao\u00a0<em>make believe<\/em>.<\/p>\n<p>Esse real, onde os gregos o encontravam? Eles o encontravam nas matem\u00e1ticas e, inclusive, a partir do momento em que os matem\u00e1ticos continuaram, assim como continuou a filosofia, eles se dizem ainda plat\u00f4nicos de bom grado, no sentido em que n\u00e3o pensam de modo algum que criam seu objeto, mas para eles o que fazem \u00e9 soletrar um real que j\u00e1 est\u00e1 a\u00ed. E isto faz sonhar, pelo menos fazia Lacan sonhar.<\/p>\n<p>Certa vez Lacan fez um semin\u00e1rio que se intitulava \u201cDe um discurso que n\u00e3o fosse semblante\u201d<sup>3<\/sup>. \u00c9 uma f\u00f3rmula que permaneceu misteriosa mesmo depois que o\u00a0<em>semin\u00e1rio<\/em>\u00a0foi publicado porque seu t\u00edtulo se apresenta sob uma forma ao mesmo tempo condicional e negativa. Mas com essa forma ele evoca um discurso que fosse real, \u00e9 o que isto quer dizer. Lacan teve o pudor de n\u00e3o dizer isto da forma como desvelo; ele o disse sob uma forma apenas condicional e negativa: Sobre um discurso que fosse real; um discurso que tomaria como ponto de partida o real, assim como as matem\u00e1ticas. O sonho de Lacan era colocar a psican\u00e1lise no n\u00edvel das matem\u00e1ticas. A esse respeito, \u00e9 preciso dizer que s\u00f3 nas matem\u00e1ticas o real n\u00e3o varia \u2013 ainda que nas margens, ele varia mesmo assim. Na f\u00edsica matem\u00e1tica, que incorpora e no entanto se sustenta com as matem\u00e1ticas, a no\u00e7\u00e3o de real \u00e9 totalmente escorregadia, pois, ainda assim, ali ela \u00e9 herdeira da velha ideia de natureza e que, com a mec\u00e2nica qu\u00e2ntica, com as pesquisas do ser \u2018para al\u00e9m\u2019 do \u00e1tomo, pode-se dizer que o real na f\u00edsica se tornou incerto. Na f\u00edsica, h\u00e1 pol\u00eamicas entre f\u00edsicos ainda mais vigorosas do que na psican\u00e1lise. O que para um \u00e9 real, para outro n\u00e3o passa de semblante. Eles fazem propaganda por sua no\u00e7\u00e3o do real, pois a partir de certo momento passaram a levar em conta a observa\u00e7\u00e3o. A partir de ent\u00e3o, o complexo composto pelo observador e os instrumentos de observa\u00e7\u00e3o interfere, e ent\u00e3o o real se torna relativo ao sujeito, isto \u00e9, deixa de ser absoluto. Pode-se dizer que por essa via o sujeito ofusca o real. N\u00e3o \u00e9 este o caso na matem\u00e1tica. Como se chega ao real na matem\u00e1tica, por qual instrumento? Chega-se a ele, \u00e0 sua materialidade, pela linguagem, sem d\u00favida, mas uma linguagem que n\u00e3o ofusca o real, uma linguagem que \u00e9 o real. \u00c9 uma linguagem reduzida, uma linguagem reduzida \u00e0 mat\u00e9ria significante, uma linguagem reduzida \u00e0 letra. Na letra, contrariamente \u00e0 homofonia, n\u00e3o \u00e9 o ser,\u00a0<em>being<\/em>, que encontramos,\u00a0<em>in the letter is not being that you find<\/em>, \u00e9\u00a0<em>the real<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Fulgur\u00e2ncia do inconsciente e desejo do analista<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a partir dessas premissas que proponho questionar a psican\u00e1lise. Na psican\u00e1lise, onde est\u00e1 o real? Esta \u00e9 uma quest\u00e3o premente, na medida em que um psicanalista n\u00e3o pode n\u00e3o experimentar a vertigem do ser, a partir do momento em que est\u00e1 na sua pr\u00e1tica submergido pelas cria\u00e7\u00f5es, pelas criaturas da fala.<\/p>\n<p>Onde est\u00e1 o real em tudo isto? Ser\u00e1 que o inconsciente \u00e9 real? N\u00e3o! De todo modo, esta \u00e9 a resposta mais f\u00e1cil a dar. O inconsciente \u00e9 uma hip\u00f3tese, o que permanece como uma perspectiva fundamental, mesmo que possamos prolong\u00e1-la, faz\u00ea-la variar. Para Freud, lembrem-se que o inconsciente \u00e9 o resultado de uma dedu\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que Lacan traduz mais de perto ao destacar que o sujeito do inconsciente \u00e9 um sujeito suposto, isto \u00e9, hipot\u00e9tico. Portanto n\u00e3o \u00e9 um real. E nos colocamos at\u00e9 a quest\u00e3o de saber se \u00e9 um ser. Voc\u00eas sabem que Lacan prefere dizer que \u00e9 um desejo de ser, mais do que um ser. O inconsciente n\u00e3o tem mais ser do que o pr\u00f3prio sujeito. O que Lacan escreve como , \u00e9 algo que n\u00e3o tem ser, que s\u00f3 tem o ser da falta e que deve advir. E sabemos muito bem disto, basta apenas tirar as consequ\u00eancias. Sabemos muito bem que o inconsciente na psican\u00e1lise est\u00e1 submetido a um dever ser. Ele est\u00e1 submetido a um imperativo que representamos como analista. E \u00e9 neste sentido que Lacan diz que o estatuto do inconsciente \u00e9 \u00e9tico. Se o estatuto do inconsciente \u00e9 \u00e9tico, ele n\u00e3o \u00e9 da ordem do real; \u00e9 o que isto quer dizer. O estatuto do real n\u00e3o \u00e9 \u00e9tico. O real, nas suas manifesta\u00e7\u00f5es, \u00e9 sobretudo\u00a0<em>unethical<\/em>, ele n\u00e3o se mant\u00e9m pela nossa vontade. Dizer que o estatuto do inconsciente \u00e9 \u00e9tico \u00e9 precisamente dizer que \u00e9 relativo ao desejo, e primeiramente ao desejo do analista que tenta inspirar o analisante a assumir a tarefa desse desejo.<\/p>\n<p>Em que momento na pr\u00e1tica da psican\u00e1lise precisamos fazer uma dedu\u00e7\u00e3o do inconsciente? Simplesmente, por exemplo, quando se v\u00ea retornar na fala do analisante lembran\u00e7as antigas que at\u00e9 ent\u00e3o estavam esquecidas. Somos for\u00e7ados a supor que essas lembran\u00e7as, no intervalo, residiam em algum lugar, em um certo lugar de ser, um lugar que permanece desconhecido, inacess\u00edvel ao conhecimento, sobre o qual se diz precisamente que n\u00e3o conhece o tempo. E para mimetizar ainda mais o estatuto ontol\u00f3gico do inconsciente, tomemos o que Lacan denomina suas forma\u00e7\u00f5es, que valorizam precisamente o estatuto fugitivo do ser. Os sonhos se apagam. S\u00e3o seres que n\u00e3o consistem, dos quais, frequentemente, na an\u00e1lise, s\u00f3 se tem fragmentos. O lapso, o ato falho, o chiste, s\u00e3o seres instant\u00e2neos, que fulguram, aos quais damos, na psican\u00e1lise, um sentido de verdade, mas que logo se eclipsam.<\/p>\n<p><strong>Confronta\u00e7\u00f5es com os restos sintom\u00e1ticos<\/strong><\/p>\n<p>Ent\u00e3o, entre essas forma\u00e7\u00f5es do inconsciente, h\u00e1 o sintoma. Por que colocamos o sintoma entre essas forma\u00e7\u00f5es do inconsciente, a n\u00e3o ser porque o sintoma freudiano tamb\u00e9m \u00e9 verdade? N\u00f3s lhe damos um sentido de verdade, n\u00f3s o interpretamos. Mas ele se distingue de todas as outras forma\u00e7\u00f5es do inconsciente por sua perman\u00eancia. Existe outra modalidade de ser. Para que haja sintoma no sentido freudiano, sem d\u00favida \u00e9 preciso que haja sentido em jogo. \u00c9 preciso que isso possa ser interpretado. \u00c9 o que, para Freud, faz a diferen\u00e7a entre sintoma e inibi\u00e7\u00e3o. A inibi\u00e7\u00e3o \u00e9 pura e simplesmente a limita\u00e7\u00e3o de uma fun\u00e7\u00e3o. Uma inibi\u00e7\u00e3o como tal, n\u00e3o tem senso de verdade. Para que haja sintoma, \u00e9 preciso tamb\u00e9m que o fen\u00f4meno dure. Por exemplo, o sonho muda de estatuto quando se trata de um sonho repetitivo. Quando o sonho \u00e9 repetitivo, um trauma est\u00e1 implicado. O ato falho, quando se repete, torna-se sintom\u00e1tico, ele pode at\u00e9 invadir todo o comportamento. Nesse momento, o estatuto de sintoma lhe \u00e9 dado. Nesse sentido o sintoma \u00e9 o que de mais real a psican\u00e1lise nos d\u00e1.<\/p>\n<p>\u00c9 sobre o sintoma que se torna ardente a quest\u00e3o de pensar a correla\u00e7\u00e3o, a conjun\u00e7\u00e3o entre verdadeiro e real. Nesse sentido, o sintoma \u00e9 um Jano, ele tem duas faces, uma face de verdade e uma face de real. O que Freud descobriu e que foi sensacional em seu tempo, foi que um sintoma deve ser interpretado como um sonho, deve ser interpretado em fun\u00e7\u00e3o de um desejo e \u00e9 um efeito de verdade. Mas, como voc\u00eas sabem, h\u00e1 um segundo tempo dessa descoberta, a persist\u00eancia do sintoma depois da interpreta\u00e7\u00e3o, e Freud descobriu isto como um paradoxo. De fato, \u00e9 um paradoxo se o sintoma \u00e9 pura e simplesmente um ser de linguagem. Quando temos de nos haver com seres de linguagem na an\u00e1lise, n\u00f3s os interpretamos, isto \u00e9, n\u00f3s o reduzimos. Reconduzimos os seres de linguagem ao nada (<em>au rien, au n\u00e9ant<\/em>). O paradoxo aqui \u00e9 o do resto. H\u00e1 um \u2018x\u2019 que resta, \u2018para al\u00e9m\u2019 da interpreta\u00e7\u00e3o freudiana. Freud abordou isso de diferentes modos. Ele colocou em jogo a rea\u00e7\u00e3o terap\u00eautica negativa, a puls\u00e3o de morte e alargou a perspectiva at\u00e9 dizer que o final da an\u00e1lise como tal deixa sempre subsistir o que ele chamava de restos sintom\u00e1ticos. Hoje nossa pr\u00e1tica se prolongou para al\u00e9m do ponto freudiano, bem al\u00e9m do ponto em que, para Freud, a an\u00e1lise encontrava seu fim. Justamente, era um fim acerca do qual Freud dizia que h\u00e1 sempre um resto e, portanto, \u00e9 preciso sempre recome\u00e7ar a an\u00e1lise, depois de um tempinho, pelo menos no caso dos analistas. Um tempinho de pausa e depois se recome\u00e7a. Era o ritmo\u00a0<em>stop and go<\/em>, como se diz em franc\u00eas agora. Mas esta n\u00e3o \u00e9 a nossa pr\u00e1tica. Nossa pr\u00e1tica se prolonga para al\u00e9m do ponto em que Freud considerava que havia fins de an\u00e1lise, ainda que fosse preciso retomar a an\u00e1lise. Nossa pr\u00e1tica vai al\u00e9m do ponto que Freud considerava como fim da an\u00e1lise. Em nossa pr\u00e1tica, assistimos ent\u00e3o \u00e0 confronta\u00e7\u00e3o do sujeito com os restos sintom\u00e1ticos. Passa-se evidentemente pelo momento da decifra\u00e7\u00e3o da verdade do sintoma, mas chega-se aos restos sintom\u00e1ticos e a\u00ed n\u00e3o se diz\u00a0<em>stop<\/em>. O analista n\u00e3o diz\u00a0<em>stop<\/em>\u00a0e o analisante n\u00e3o diz\u00a0<em>stop<\/em>. A an\u00e1lise, nesse per\u00edodo, \u00e9 feita da confronta\u00e7\u00e3o direta do sujeito com o que Freud chamava de restos sintom\u00e1ticos e aos quais conferimos um estatuto completamente diferente. Sob o nome de restos sintom\u00e1ticos, Freud esbarrou no real do sintoma, no que do sintoma \u00e9 fora de sentido.<\/p>\n<p><strong>O gozo do ser falante<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 em \u201cInibi\u00e7\u00e3o, sintoma e ang\u00fastia\u201d, no segundo cap\u00edtulo, Freud caracterizava o sintoma a partir do que ele chamava de satisfa\u00e7\u00e3o pulsional, como \u201cum sinal e um substituto (Anzeichen und Ersatz) de uma satisfa\u00e7\u00e3o pulsional que permaneceu em estado jacente\u201d.<sup>4<\/sup>\u00a0Ele explicava isto no terceiro cap\u00edtulo, a partir da neurose obsessiva e da paranoia, destacando que o sintoma que se apresenta inicialmente como um corpo estranho em rela\u00e7\u00e3o ao eu, tenta cada vez mais fazer um com o eu, isto \u00e9, tende a se incorporar ao eu. Ele via no sintoma o resultado do processo de recalcamento. S\u00e3o evidentemente estes dois cap\u00edtulos e o conjunto desse livro que devem ser trabalhados na perspectiva do pr\u00f3ximo congresso.<\/p>\n<p>Gostaria de destacar isto: ser\u00e1 que o gozo em quest\u00e3o \u00e9 prim\u00e1rio? Em certo sentido, sim. Pode-se dizer que o gozo \u00e9 o pr\u00f3prio corpo como tal, que \u00e9 um fen\u00f4meno de corpo. Nesse sentido, um corpo \u00e9 o que goza, mas reflexivamente. Um corpo \u00e9 o que goza de si mesmo, o que Freud chamava de autoerotismo. Mas isto \u00e9 verdade para todo corpo vivo. Pode-se dizer que gozar de si mesmo \u00e9 o estatuto do corpo vivo. O que distingue o corpo do ser falante \u00e9 que seu gozo sofre a incid\u00eancia da fala. E precisamente um sintoma demonstra que houve um acontecimento que marcou seu gozo no sentido freudiano de\u00a0<em>Anzeichen<\/em>\u00a0e que introduz um\u00a0<em>Ersatz<\/em>, um gozo que n\u00e3o deveria, um gozo que perturba o gozo que deveria, isto \u00e9, o gozo de sua natureza de corpo.<\/p>\n<p>Portanto, nesse sentido, n\u00e3o, o gozo em quest\u00e3o no sintoma n\u00e3o \u00e9 prim\u00e1rio. Ele \u00e9 produzido pelo significante. E \u00e9 precisamente essa incid\u00eancia significante que faz do gozo do sintoma um acontecimento, n\u00e3o apenas um fen\u00f4meno. O gozo do sintoma demonstra que houve um acontecimento, um acontecimento de corpo ap\u00f3s o qual o gozo natural entre aspas, que se pode imaginar como sendo o gozo natural do corpo vivo, encontrou-se perturbado e desviado. Esse gozo n\u00e3o \u00e9 prim\u00e1rio, mas \u00e9 primeiro em rela\u00e7\u00e3o ao sentido que o sujeito lhe d\u00e1, e o faz por meio de seu sintoma como interpret\u00e1vel.<\/p>\n<p>Pode-se recorrer \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o da met\u00e1fora e da meton\u00edmia para melhor apreender isto. H\u00e1 uma met\u00e1fora do gozo do corpo, essa met\u00e1fora produz um acontecimento, produz esse acontecimento que Freud chama de fixa\u00e7\u00e3o. Isto sup\u00f5e a a\u00e7\u00e3o do significante como toda met\u00e1fora, mas um significante que opera fora do sentido. E depois da met\u00e1fora do gozo h\u00e1 a meton\u00edmia do gozo, isto \u00e9, sua dial\u00e9tica. \u00c9 nesse momento que ele se dota de significa\u00e7\u00e3o. Freud fala disso em \u201cInibi\u00e7\u00e3o, sintoma e ang\u00fastia\u201d, ele fala de\u00a0<em>die symbolische Bedeutung<\/em>, da significa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica que atinge um certo n\u00famero de objetos.<\/p>\n<p><strong>Da escuta do sentido \u00e0 leitura do fora de sentido<\/strong><\/p>\n<p>Pode-se dizer que isto repercute na teoria anal\u00edtica. Na teoria anal\u00edtica, durante muito tempo se contou uma pequena hist\u00f3ria sobre o gozo, uma historinha em que o gozo primordial se encontrava na rela\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e, onde a incid\u00eancia da castra\u00e7\u00e3o era o fato do pai, e no qual o gozo pulsional encontrava objetos que eram\u00a0<em>Ersatz<\/em>\u00a0que tamponavam a castra\u00e7\u00e3o. \u00c9 um aparelho bastante s\u00f3lido que foi constru\u00eddo, que se adapta aos contornos da opera\u00e7\u00e3o anal\u00edtica.<\/p>\n<p>Mas, mesmo assim \u2013 vou refor\u00e7ar o tra\u00e7o \u2013, \u00e9 uma superestrutura m\u00edtica com a qual conseguimos durante um tempo, de fato, suprimir os sintomas interpretando-os no \u00e2mbito dessa superestrutura. Mas ao faz\u00ea-lo, isto \u00e9, ao prolongar o que eu chamava de meton\u00edmia do gozo, tamb\u00e9m inflamos o sintoma ao nutri-lo de sentido. \u00c9 a\u00ed que se inscreve meu \u201cLer um sintoma\u201d.<\/p>\n<p>Ler um sintoma vai na dire\u00e7\u00e3o oposta, isto \u00e9, consiste em privar o sintoma de sentido. \u00c9 inclusive por isso que no aparelho de interpretar de Freud \u2013 que o pr\u00f3prio Lacan havia formalizado, havia clarificado, isto \u00e9, o tern\u00e1rio edipiano \u2013 Lacan substituiu por um tern\u00e1rio que n\u00e3o faz sentido, o do Real, do Simb\u00f3lico e do Imagin\u00e1rio. Mas ao deslocar a interpreta\u00e7\u00e3o do enquadre edipiano para o enquadre borromeano, \u00e9 o pr\u00f3prio funcionamento da interpreta\u00e7\u00e3o que muda e passa da escuta do sentido \u00e0 leitura do fora de sentido.<\/p>\n<p>Quando se diz que a psican\u00e1lise \u00e9 um assunto de escuta, \u00e9 preciso entrar em acordo, \u00e9 o caso de dizer. O que se escuta de fato \u00e9 sempre o sentido, e o sentido chama sentido. Toda psicoterapia se mant\u00e9m nesse \u00e2mbito. Isto desemboca sempre e definitivamente no fato de que o paciente \u00e9 quem deve escutar, escutar o terapeuta. Trata-se, pelo contr\u00e1rio, de explorar o que \u00e9 a psican\u00e1lise e o que pode fazer no terreno propriamente dito da leitura, quando se toma dist\u00e2ncia com a sem\u00e2ntica \u2013 aqui eu os remeto \u00e0s preciosas indica\u00e7\u00f5es sobre essa leitura no escrito de Lacan que se chama \u201cO aturdito\u201d<sup>5<\/sup>\u00a0e que voc\u00eas encontram nos\u00a0<em>Outros escritos<\/em>, p\u00e1gina 492 e seguintes, sobre os tr\u00eas pontos: da homofonia, da gram\u00e1tica e da l\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>Visar o\u00a0<em>clin\u00e2men<\/em>\u00a0do gozo<\/strong><\/p>\n<p>A leitura, o saber ler, consiste em colocar \u00e0 dist\u00e2ncia a fala e o sentido que ela veicula a partir da escrita como fora de sentido, como\u00a0<em>Anzeichen<\/em>, como letra, a partir de sua materialidade. Ao passo que a fala \u00e9 sempre espiritual, se posso dizer, e que a interpreta\u00e7\u00e3o que se mant\u00e9m puramente no campo da fala s\u00f3 faz inflar o sentido, a disciplina da leitura visa a materialidade da escrita, isto \u00e9, a letra na medida em que ela produz o acontecimento de gozo que determina a forma\u00e7\u00e3o dos sintomas. O saber ler visa o choque inicial, que \u00e9 como um\u00a0<em>clin\u00e2men<\/em>\u00a0do gozo \u2013\u00a0<em>clin\u00e2men<\/em>\u00a0\u00e9 um termo da filosofia dos estoicos.<\/p>\n<p>Para Freud, como ele partia do sentido, isso se apresentava como um resto, mas de fato esse resto \u00e9 o que est\u00e1 nas origens do sujeito, \u00e9 de certo modo o acontecimento origin\u00e1rio e ao mesmo tempo permanente, isto \u00e9, ele reitera sem cessar.<\/p>\n<p>\u00c9 o que se descobre, \u00e9 o que desnuda na adi\u00e7\u00e3o, em \u201cum copo a mais\u201d do qual ouvimos falar h\u00e1 pouco<sup>6<\/sup>. A adi\u00e7\u00e3o \u00e9 a raiz do sintoma que \u00e9 feito da reitera\u00e7\u00e3o inextingu\u00edvel do mesmo Um. \u00c9 o mesmo, isto \u00e9, precisamente, isto n\u00e3o se adiciona. N\u00e3o se tem nunca o \u201cj\u00e1 bebi tr\u00eas copos, ent\u00e3o basta\u201d, bebe-se sempre o mesmo copo uma vez mais. \u00c9 isto a raiz do sintoma. \u00c9 nesse sentido que Lacan p\u00f4de dizer que um sintoma \u00e9 um\u00a0<em>et<\/em>\u00a0<em>coetera<\/em>. Isto \u00e9, o retorno do mesmo acontecimento. Pode-se fazer muitas coisas com a reitera\u00e7\u00e3o do mesmo. Precisamente, pode-se dizer que o sintoma \u00e9, neste sentido, como um objeto fractal, pois o objeto fractal mostra que a reitera\u00e7\u00e3o do mesmo pelas aplica\u00e7\u00f5es sucessivas lhes d\u00e1 as mais extravagantes formas e at\u00e9, disseram, as mais complexas que o discurso matem\u00e1tico p\u00f4de oferecer.<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o como saber ler visa a reduzir o sintoma \u00e0 sua f\u00f3rmula inicial, isto \u00e9, ao encontro material de um significante com o corpo, quer dizer, ao choque puro da linguagem sobre o corpo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, certamente, para tratar o sintoma, \u00e9 preciso passar pela dial\u00e9tica m\u00f3vel do desejo, mas \u00e9 preciso tamb\u00e9m se desprender das miragens da verdade que esse deciframento lhes traz e visar, \u2018para al\u00e9m\u2019 da fixidez do gozo, a opacidade do real. Se quisesse fazer falar esse real, eu lhe atribuiria o que o deus de Israel diz na sar\u00e7a ardente, antes de emitir os mandamentos que s\u00e3o a vestimenta de seu real: \u201ceu sou o que sou\u201d<sup>7<\/sup>.<\/p>\n<h6><strong>Tradu\u00e7\u00e3o: Teresinha N. Meirelles do Prado.<\/strong><\/h6>\n<p>_________________________<\/p>\n<h6><sup>*<\/sup>\u00a0Texto de apresenta\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo congresso da NLS. Pronunciado no encerramento do congresso da NLS, que aconteceu em Londres, nos dias 2 e 3\/04\/11. Publicado em portugu\u00eas na revista Op\u00e7\u00e3o Lacaniana n\u00b0 70, em junho de 2015.<\/h6>\n<h6><sup>1<\/sup>\u00a0Lacan, J. (1970\/2003). \u201cRadiofonia\u201d. In\u00a0<em>Outros escritos<\/em>.\u00a0RJ: Zahar, p.427.<\/h6>\n<h6><sup>2<\/sup>\u00a0Lacan, J. (1973\/2003). \u201cTelevis\u00e3o\u201d. In\u00a0<em>Outros escritos<\/em>. RJ: Zahar, p.508.<\/h6>\n<h6><sup>3<\/sup>\u00a0Lacan, J. (2009 [1970-71]).\u00a0<em>O Semin\u00e1rio, livro 18: De um discurso que n\u00e3o fosse semblante.<\/em>\u00a0Rio de Janeiro: Zahar.<\/h6>\n<h6><sup>4<\/sup>\u00a0Freud, S. (1926\/1980). \u201cInibi\u00e7\u00e3o, sintoma e ang\u00fastia\u201d. (J. Salom\u00e3o, Trad.). In\u00a0<em>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas<\/em>. (Vol. XX, pp. 107-198). Rio de Janeiro: Imago, p.112.<\/h6>\n<h6><sup>5<\/sup>\u00a0Lacan, J. (1972\/2003). \u201cO aturdito\u201d.\u00a0In\u00a0<em>Outros Escritos<\/em>. RJ: Zahar, p.493-495.<\/h6>\n<h6><sup>6<\/sup>-J.-A. Miller faz refer\u00eancia \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de nossa colega Gabriela van den Hoven, da\u00a0<em>London Society of the NLS<\/em>: \u00ab\u00a0<em>The Symptom in an Era of Disposable Ideals<\/em>\u00a0\u00bb, os sintomas na era dos ideais descart\u00e1veis.<\/h6>\n<h6><sup>7<\/sup>\u00a0Mois\u00e9s diz a Deus: \u201cQuando eu for aos filhos de Israel e comunicar: \u2018O Deus de vossos pais me enviou at\u00e9 v\u00f3s\u2019 e me questionarem: \u2018Qual \u00e9 o seu Nome?\u2019 \u2013 que deverei dizer?\u201d\u00a0Ent\u00e3o afirmou Deus a Mois\u00e9s: \u201cEu Sou o que Sou. \u2013\u00a0<em>Ehyeh asher Ehyeh<\/em>\u00a0(B\u00edblia, \u00caxodo 3,13-14a).<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jacques-Alain Miller (Paris) Tenho que lhes revelar o t\u00edtulo do pr\u00f3ximo congresso da NLS, para justific\u00e1-lo e apresentar sobre o assunto algumas reflex\u00f5es que poder\u00e3o servir-lhes como refer\u00eancia para a reda\u00e7\u00e3o dos trabalhos cl\u00ednicos que ele convoca. Esse t\u00edtulo, escolhi a partir de duas indica\u00e7\u00f5es que recebi de sua presidente, Anne Lysy. 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