{"id":5660355,"date":"2022-09-27T15:40:13","date_gmt":"2022-09-27T18:40:13","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/?p=5660355"},"modified":"2022-09-28T06:01:05","modified_gmt":"2022-09-28T09:01:05","slug":"ressonancias-da-segunda-preparatoria-da-ii-jornada-da-secao-nordeste-e-o-analista-em-tempos-de-evaporacao-do-pai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/2022\/09\/27\/ressonancias-da-segunda-preparatoria-da-ii-jornada-da-secao-nordeste-e-o-analista-em-tempos-de-evaporacao-do-pai\/","title":{"rendered":"RESSON\u00c2NCIAS DA SEGUNDA PREPARAT\u00d3RIA DA II JORNADA DA SE\u00c7\u00c3O NORDESTE E O ANALISTA EM TEMPOS DE EVAPORA\u00c7\u00c3O DO PAI?"},"content":{"rendered":"<h3><span style=\"color: #993300;\">RESSON\u00c2NCIAS DA PRIMEIRA PREPARAT\u00d3RIA DA II JORNADA DA SE\u00c7\u00c3O NORDESTE E O ANALISTA EM TEMPOS DE EVAPORA\u00c7\u00c3O DO PAI?<\/span><\/h3>\n<p>Na noite de 16 de agosto de 2022, realizamos a nossa segunda atividade preparat\u00f3ria para a Jornada anual da EBP-Se\u00e7\u00e3o Nordeste. As coordenadoras do Eixo 2, Claudia Formiga e Margarida Assad, apresentaram o tema \u201cO Analista frente ao discurso de \u00f3dio segregador e a nova l\u00f3gica coletiva\u201d, juntamente com seus convidados Suele Conde e Nelson Matheus, que contribu\u00edram com a apresenta\u00e7\u00e3o de um v\u00eddeo que alimentou boa parte do debate, uma vez que o conte\u00fado dele permitiu abordar quest\u00f5es da proposta do Eixo em rela\u00e7\u00e3o ao \u00f3dio, segrega\u00e7\u00e3o e a l\u00f3gica coletiva.<\/p>\n<p>Cl\u00e1udia Formiga introduz sua fala considerando esta atividade menos como lugar de produ\u00e7\u00f5es de respostas prontas sobre os fen\u00f4menos de manifesta\u00e7\u00f5es de \u00f3dio segregador e mais como um momento de provoca\u00e7\u00e3o ao trabalho, ressaltando a import\u00e2ncia de podermos extrair das situa\u00e7\u00f5es da cl\u00ednica e da cena do mundo os pontos que nos instigam \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de trabalhos para a II Jornada.<\/p>\n<p>Da leitura do argumento do eixo, Claudia escolheu trazer para essa conversa algumas notas que fez sobre o tema da segrega\u00e7\u00e3o, que destacou como central nesse eixo de trabalho, a partir da leitura de algumas passagens do texto de Lacan.<\/p>\n<p>A primeira delas, do texto de 1968, \u201cNota sobre o pai\u201d, no qual Lacan menciona o termo \u201cevapora\u00e7\u00e3o do pai\u201d, situando a segrega\u00e7\u00e3o como sua cicatriz. Ou seja, do decl\u00ednio do Nome-do-Pai enquanto fun\u00e7\u00e3o se produz uma muta\u00e7\u00e3o na ordem simb\u00f3lica que deixa uma marca: a segrega\u00e7\u00e3o no lugar vazio daquilo que se evaporou.<\/p>\n<p>Claudia destaca que a no\u00e7\u00e3o de segrega\u00e7\u00e3o \u00e9 utilizada por Lacan, ao longo do seu ensino, para tratar dos efeitos que o discurso produz no la\u00e7o, tanto no que diz respeito \u00e0 comunidade anal\u00edtica quanto como processo resultante de uma pol\u00edtica de mercado.<\/p>\n<p>A segunda se encontra na \u201cProposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola\u201d, onde Lacan introduziu o conceito de Segrega\u00e7\u00e3o. Nela ele antecipa os efeitos do discurso da ci\u00eancia sobre os sujeitos, evocando o campo de concentra\u00e7\u00e3o nazista como um precursor do reordenamento das agrupa\u00e7\u00f5es sociais feito pela ci\u00eancia e, em especial, a universaliza\u00e7\u00e3o que esta introduz.<\/p>\n<p>A terceira nota se encontra no Semin\u00e1rio 17, \u201cO avesso da Psican\u00e1lise\u201d, outro texto citado por Claudia. Ela localiza, no contexto das elabora\u00e7\u00f5es de Lacan sobre os discursos, a interpreta\u00e7\u00e3o do discurso do mestre contempor\u00e2neo a partir dos discursos do capitalismo e do da ci\u00eancia. Lacan vai atribuir a ascens\u00e3o da segrega\u00e7\u00e3o e as modalidades de segrega\u00e7\u00e3o a uma muta\u00e7\u00e3o do discurso do mestre, que, sob o dom\u00ednio da ci\u00eancia, por meio das cifras e das tecnoci\u00eancias, transformaria os sujeitos em dados cifrados, tendo como efeito a dessubjetiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A partir dessas passagens, Claudia destaca que, foi se utilizando das formula\u00e7\u00f5es de Freud em sua leitura do mal-estar de sua \u00e9poca, que o tema da segrega\u00e7\u00e3o, em Lacan, foi vinculado a sua tese dos ideais universalizantes promovidos pelo discurso da ci\u00eancia, tomada tanto no n\u00edvel do sujeito quanto das agrupa\u00e7\u00f5es, como efeito da universaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Claudia salienta ainda, no Semin\u00e1rio 17, no cap\u00edtulo em que trabalha os mitos de \u00c9dipo e de Totem e Tabu, um questionamento de Lacan sobre a fraternidade, em que ele considera \u201crid\u00edculo o gasto excessivo de energia com essa ideia obsessiva da fraternidade\u201d. Ela nos diz que, a partir da ideia freudiana da fraternidade entre irm\u00e3os como resultante do assassinato do pai da horda, Lacan vai dizer que tal fraternidade poderia recobrir outra coisa: \u201cS\u00f3 conhe\u00e7o uma origem da fraternidade que \u00e9 a segrega\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Com essas tr\u00eas refer\u00eancias tomadas do texto de Lacan, Claudia se prop\u00f5e a uma digress\u00e3o a partir de uma reflex\u00e3o sua em um trabalho que escreveu para o EBCF sobre o tema da viol\u00eancia contra as mulheres e o feminic\u00eddio. Ela se pergunta se as refer\u00eancias que serviram para a sua pesquisa sobre o \u00f3dio dirigido \u00e0s mulheres conviriam a uma leitura de outros eventos que hoje trazem \u00e0 cena do mundo a manifesta\u00e7\u00e3o de \u00f3dio no seu aspecto segregador, a exemplo do que h\u00e1 poucas semanas pautou os notici\u00e1rios, referindo-se ao caso do assassinato de uma pessoa na sua festa de anivers\u00e1rio, por motivo de intoler\u00e2ncia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Claudia destaca, no texto de Miquel Bassols \u201cTranstornos de linguagem e segrega\u00e7\u00e3o\u201d, a distin\u00e7\u00e3o que este faz entre os dois sentidos de segrega\u00e7\u00e3o em Lacan. Um primeiro, a segrega\u00e7\u00e3o estrutural inerente ao fato da inser\u00e7\u00e3o na linguagem, se fundamenta na argumenta\u00e7\u00e3o de que os sujeitos e os discursos se constituem por interm\u00e9dio do significante-mestre (S1) e dos singulares modos de gozo; O segundo sentido da segrega\u00e7\u00e3o, diz Claudia, refere-se \u00e0 dita segrega\u00e7\u00e3o social, que se d\u00e1 no plano do v\u00ednculo do sujeito com os outros e diz respeito aos efeitos da segrega\u00e7\u00e3o que perpassam a rela\u00e7\u00e3o de um sujeito universal constitu\u00eddo pelo discurso da ci\u00eancia e a exig\u00eancia de mais-de-gozar. Esse imperativo tem como resultado a constitui\u00e7\u00e3o de um sujeito que percebe o gozo diferente do seu como um gozo a menos para si e, por isso, segrega o diferente. O resultado disso \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de \u201ccampos de concentra\u00e7\u00e3o de gozo\u201d, onde sujeitos tornados iguais recusam a segrega\u00e7\u00e3o estrutural, recusando tamb\u00e9m a singularidade.<\/p>\n<p>Qualquer fen\u00f4meno segregativo, diz Claudia, deve considerar o fen\u00f4meno descrito por Lacan como estrutural na psicose: \u201caquilo que fica fora do simb\u00f3lico retorna no real\u201d. O princ\u00edpio freudiano de uma exclus\u00e3o prim\u00e1ria, do recha\u00e7o origin\u00e1rio de um objeto ou de um gozo. \u00c9 uma opera\u00e7\u00e3o fundamental para entender qualquer segrega\u00e7\u00e3o, assinala Claudia, citando Bassols: \u201cE o modo como cada um responde a essa segrega\u00e7\u00e3o estrutural est\u00e1 na base da segrega\u00e7\u00e3o social. A segrega\u00e7\u00e3o social \u00e9 uma resposta a essa segrega\u00e7\u00e3o estrutural. O recha\u00e7o a esse Outro que carrego em mim em posi\u00e7\u00e3o de extimidade, \u00e9 o que est\u00e1 na raiz do racismo\u201d.<\/p>\n<p>Claudia acrescenta ainda que, em certa medida, essa distin\u00e7\u00e3o (que articula individual e coletivo) nos ajuda na leitura de alguns fen\u00f4menos de intoler\u00e2ncia, a partir da no\u00e7\u00e3o de estranheza, que Lacan situa em lugar do gozo mais \u00edntimo, q ue \u00e9 opaco ao sujeito. E finaliza, apontando: \u201c\u00c9 esse gozo estranho, gozo mais \u00edntimo, por\u00e9m opaco a uma explicita\u00e7\u00e3o pela linguagem, que frequentemente \u00e9 atribu\u00eddo ao outro, que passa a ser tomado como inimigo mortal\u201d.<\/p>\n<p>A partir das pontua\u00e7\u00f5es de Claudia sobre a segrega\u00e7\u00e3o, Margarida Assad fala do \u00f3dio como sua raiz, pensando na pergunta da II Jornada. E o analista? E o analista frente a essa evapora\u00e7\u00e3o do pai? Quais as consequ\u00eancias da segrega\u00e7\u00e3o e do \u00f3dio ou, como partir deles, para pensar na possibilidade de novos la\u00e7os? Como essa queda da fun\u00e7\u00e3o paterna pode trazer esses efeitos de \u00f3dio e segrega\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Retomando a quest\u00e3o do \u00f3dio como parte da constitui\u00e7\u00e3o do sujeito, Margarida nos lembra Freud, pontuando que ele, no seu artigo sobre As puls\u00f5es e seus destinos, fala do \u00f3dio como uma primazia, o que n\u00e3o deixa de chamar a aten\u00e7\u00e3o do que o fez pensar assim. Se Freud aborda o \u00f3dio a partir das puls\u00f5es, Lacan o traz para o campo do Ser. Para Freud est\u00e1 relacionado ao eixo prazer-desprazer, apontando Margarida que, na l\u00f3gica freudiana, o que causa desprazer \u00e9 expulso e o que d\u00e1 prazer permanece, marcando assim a rela\u00e7\u00e3o proje\u00e7\u00e3o e introje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro ponto trazido tamb\u00e9m a partir de Freud diz da rela\u00e7\u00e3o amor e \u00f3dio deslocados para o ego e os objetos, pois, como lembra Margarida, para Freud as puls\u00f5es n\u00e3o odeiam.<\/p>\n<p>J\u00e1 para Lacan, nos diz ela, essa polaridade \u00e9 colocada em outro registro, trazido no semin\u00e1rio 20 como am\u00f3dio \u2013 amor e \u00f3dio juntos \u2013 sendo que o \u00f3dio \u00e9 colocado por ele como parte de uma segrega\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria daquilo que o eu n\u00e3o consegue absorver, embora lhe perten\u00e7a.<\/p>\n<p>Essa segrega\u00e7\u00e3o, tomada como estrutural, lembra Margarida, vem sob a forma de \u00f3dio: \u201co eu odeia o outro que tem algo que \u00e9 seu\u201d, o que faz rela\u00e7\u00e3o com o que podemos tomar a partir do narcisismo das pequenas diferen\u00e7as. Freud dir\u00e1 assim: \u201co que eu odeio no outro \u00e9 algo que est\u00e1 em mim e que eu n\u00e3o tendo como nomear, coloco no outro\u201d<\/p>\n<p>Margarida cita Oscar Ventura: \u201c A matriz segregativa que veicula a identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 antes de mais nada contra Um, contra si mesmo, \u00e9 um modo de recusa do objeto ao qual se est\u00e1 identificado, e que \u00e9 em \u00faltima inst\u00e2ncia, um mesmo. Um mesmo subjetivado como um resto inome\u00e1vel, apanhado nas redes do Outro. E o que se segrega \u00e9 o gozo que est\u00e1 encapsulado na identifica\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o alimento privilegiado do \u00f3dio\u201d<\/p>\n<p>Tanto Freud como Lacan abordam o \u00f3dio. Em Freud ele \u00e9 projetado, e em Lacan \u00e9 segregado. Como significante segregado, diz Margarida, a gente faz uma cumplicidade entre aquele que segrega e que \u00e9 segregado.<\/p>\n<p>Agora, o que isso tem a ver com os la\u00e7os sociais? \u00c9 o que questiona Margarida. Por que colocamos segrega\u00e7\u00e3o no \u00f3dio e n\u00e3o nos la\u00e7os sociais? \u00c9 a\u00ed que reside a ess\u00eancia da presen\u00e7a do analista, seja frente ao sintoma do sujeito, seja frente aos grupos, os coletivos ou \u00e0s tribos. Se esse \u00f3dio se enra\u00edza nas identifica\u00e7\u00f5es, o que \u00e9 que pode o analista? Como atravessar as identifica\u00e7\u00f5es, para esburacar nelas os semblantes que enrijecem as parcerias, injetando segrega\u00e7\u00e3o, disputas e, principalmente, intoler\u00e2ncia e o \u00f3dio?<\/p>\n<p>Ao perguntar sobre a presen\u00e7a do analista frente ao \u00f3dio, Margarida destaca que, no \u00faltimo Enapol, trabalhamos o tema do Novo Amor e pergunta: o que Lacan nos diz sobre o Novo Amor? Ela traz que, no semin\u00e1rio 24, Lacan fala que o insucesso do saber ou o insucesso do inconsciente \u00e9 o amor. E nos deixa as quest\u00f5es: o que tem esse saber e esse amor se a gente pode partir da concep\u00e7\u00e3o do \u00f3dio como segrega\u00e7\u00e3o do gozo? Como pensar que o amor pelo saber possa ser uma guia que o analista tenha a oferecer, levando-se em conta um outro patamar, al\u00e9m de uma defesa contra o \u00f3dio?<\/p>\n<p>Suele destaca que o tema da II Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste evoca dois significantes, pai e evapora\u00e7\u00e3o, diante de um terceiro, o analista. Todos na mesma frase. O eixo E o analista frente ao discurso de \u00f3dio, convoca o analista frente a esse tempo em que os discursos de \u00f3dio e segrega\u00e7\u00e3o se fazem ver e ouvir por todo o globo. Apesar da aridez dessa tem\u00e1tica, diz Suele, conversar com Nelson sobre alguns acontecimentos que marcaram nosso pa\u00eds e demais localidades no globo, permeou suas discuss\u00f5es e questionamentos. Nelson conseguiu transformar em imagens suas conversas para a prepara\u00e7\u00e3o dessa noite. Foi um trabalho de transforma\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o das imagens, das palavras e das letras. O v\u00eddeo mostra da decapita\u00e7\u00e3o de um rei at\u00e9 as revolu\u00e7\u00f5es, as evolu\u00e7\u00f5es e o progresso. Da realeza, o luxo, resgate, vida. Pessoas ocupando as ruas, lutando, cantando, bradando. Imagens e palavras se misturam fazendo vibrar, pois as puls\u00f5es s\u00e3o do corpo, eco de que h\u00e1 um dizer. Para falar disso, Suele destaca do Curso de Miller \u201cUm Esfor\u00e7o de Poesia\u201d, justo no cap\u00edtulo sobre \u201cTempos Modernos\u201d, o momento em que ele nos interroga acerca da pr\u00e1tica da psican\u00e1lise: \u201cCom que condi\u00e7\u00e3o \u00e9 praticado a via de Freud? Acaso \u00e9 hoje? Poder\u00e1 ser amanh\u00e3?\u201d.\u00a0 Assim, coloca-nos a quest\u00e3o da modernidade, do progresso, da homeostase, em tempo da lei de ferro dos novos tempos modernos. Suele continua falando que Miller nos dir\u00e1 que o desejo, em efeito, n\u00e3o \u00e9 democr\u00e1tico. O valor da democracia como lugar vazio falha em situar o sujeito da democracia como sujeito barrado ($), o qual implica excluir tudo o que \u00e9 da ordem da particularidade dos gozos. Miller avan\u00e7a: \u201csabemos por Freud, sabemos por Lacan, sabemos pelo dia a dia que quanto mais \u00e9 vazia a democracia, mais se converte em deserto do significante do gozo e correlativamente maior \u00e9 a condensa\u00e7\u00e3o de gozo. Quanto mais desafetivizado est\u00e1 o significante, quanto mais avan\u00e7a o significante puro na forma do direito da democracia igualit\u00e1ria, da mundializa\u00e7\u00e3o do mercado, correlativamente aumenta a destrui\u00e7\u00e3o e a extens\u00e3o dos massacres e das cat\u00e1strofes. N\u00e3o \u00e9 apenas porque os meios de destrui\u00e7\u00e3o se tornam superiores, sen\u00e3o mais bem pelo eclipse que avan\u00e7a. Quanto mais avan\u00e7a o reino do significante puro, maior condensa\u00e7\u00e3o se produz do lado do gozo\u201d.<\/p>\n<p>Suele conclui deixando algumas interroga\u00e7\u00f5es: como pensar isso hoje quando estamos diante da amea\u00e7a a toda forma de democracia com a crescente de ressurgimento de governos totalit\u00e1rios? O que Miller quer bem dizer quando fala de democracia vazia? Se pensarmos na liberdade dos mercados comuns, que sentido a palavra \u201cdemocracia\u201d tem hoje?<\/p>\n<p>Para Nelson Matheus, trata-se de um tema denso, no qual n\u00e3o foi poss\u00edvel um racioc\u00ednio unilateral, porque a pr\u00f3pria interpreta\u00e7\u00e3o de Lacan, de que a segrega\u00e7\u00e3o estaria na raiz dessa evapora\u00e7\u00e3o do pai, \u00e9 algo que suscitou muitos questionamentos. Numa leitura apressada, tender\u00edamos a pensar, por exemplo, em ressuscitar o pai como a resposta da cultura em torno de governos totalit\u00e1rios, nos diz Nelson.<\/p>\n<p>Em Televis\u00e3o, Lacan d\u00e1 tanta \u00eanfase quando fala em segrega\u00e7\u00e3o e racismo que chega a dizer \u201ceu n\u00e3o estou brincando\u201d. Para demonstrar as raz\u00f5es de Lacan nessa passagem, Nelson nos fala de um caminho perigoso, porque se a resposta vem pelo coletivo, chega numa tentativa de ressuscitar o pai que est\u00e1 evaporado.<\/p>\n<p>Seguindo em sua fala, Nelson pontua que outro desafio para pensar sobre o \u00f3dio e a segrega\u00e7\u00e3o \u00e9 de tentar localizar o que, no la\u00e7o social, poderia ser falado como lugar do int\u00e9rprete da civiliza\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio Lacan situa o analista nesse lugar. Dessa forma, como o analista se situa em nossa \u00e9poca? Qual o efeito, por exemplo, das palavras hoje, quando exatamente a palavra hoje entra em decl\u00ednio? E se os efeitos das palavras entram em decl\u00ednio, como interpretar?<\/p>\n<p>Outro ponto levantado por Nelson diz respeito \u00e0 transfer\u00eancia, fazendo interlocu\u00e7\u00e3o entre os la\u00e7os sociais, mas n\u00e3o sem considerar a pr\u00e1tica cl\u00ednica. Qual o lugar da transfer\u00eancia nesse campo onde o pai se evaporou, e em que, ao mesmo tempo, o capitalismo foraclui as coisas do amor? \u00c9 o discurso dominante, como Miller nos diz em entrevista recente, apontando que Lacan conseguiu antecipar a domina\u00e7\u00e3o do discurso capitalista.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao v\u00eddeo apresentado, Nelson comenta o destaque feito por Suele, sobre um evento bem crucial na hist\u00f3ria do ocidente. A partir do fato do rei Luiz XVI ser guilhotinado, inicia-se uma s\u00e9rie de revolu\u00e7\u00f5es para acabar com a monarquia na Europa, pontap\u00e9 inicial em prol da rep\u00fablica, na qual o rei \u00e9 guilhotinado como algo inimagin\u00e1vel nessa \u00e9poca. Inclusive, no momento em que o rei est\u00e1 sendo guilhotinado, seguram a cabe\u00e7a, e o povo grita: \u201cviva a rep\u00fablica\u201d! De alguma forma, acrescenta Nelson, parece que esse momento tem uma nova l\u00f3gica que passa, aos poucos, a se instalar. Se \u00e9 para o pior, &#8230; <em>Ou pior<\/em>, conclui que nesse caso caberia uma interpreta\u00e7\u00e3o, no caso da l\u00f3gica coletiva.<\/p>\n<p>Marcando o percurso da hist\u00f3ria que o v\u00eddeo resume, v\u00ea-se, segundo Nelson, fatos onde a palavra p\u00f4de tomar lugar de um outro jeito, a exemplo de fatos mais recentes, como nos Estados Unidos, com a morte de George Floyd, mas tamb\u00e9m no Recife, quando o menino Miguel caiu de um apartamento. Fatos que mobilizaram e mobilizam at\u00e9 hoje uma s\u00e9rie de revoltas com efeitos, porque n\u00e3o \u00e9 sem efeitos, n\u00e3o s\u00e3o como espumas jogadas ao vento. H\u00e1 efeitos, enfatiza Nelson, citando tamb\u00e9m outro movimento como o das mulheres chilenas que se juntaram e acusaram o governo de seu pa\u00eds, os ju\u00edzes, a pol\u00edcia e a pol\u00edtica, dizendo: \u201co estuprador \u00e9 voc\u00ea\u201d. Um movimento que ultrapassou o Chile, espalhando-se pelo mundo todo como no Brasil, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Espanha e Portugal.<\/p>\n<p>Nelson conclui chamando a aten\u00e7\u00e3o para a l\u00f3gica pautada no universal, dizendo ser curioso, pois o pr\u00f3prio Lacan, em sua apresenta\u00e7\u00e3o aos psiquiatras em 1967, j\u00e1 apontava que a segrega\u00e7\u00e3o \u00e9 efeito da universaliza\u00e7\u00e3o. Ou seja, ao mesmo tempo que h\u00e1 um universal, sua pr\u00f3pria l\u00f3gica produz tamb\u00e9m uma segrega\u00e7\u00e3o. Ponto importante para n\u00e3o cairmos na l\u00f3gica do universal, para n\u00e3o seguirmos nem na nostalgia do universal nem na l\u00f3gica da exist\u00eancia do pai. Por outro lado, lembra Nelson, isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o presenciamos todos os dias novos universais \u2013 no plural \u2013 uma prolifera\u00e7\u00e3o de universais. Ent\u00e3o, parece-me, diz Nelson, que n\u00e3o estamos t\u00e3o desorientados assim. Agora, como dar conta disso na cl\u00ednica e na civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o que fica.<\/p>\n<p>Nosso debate acerca das falas das coordenadoras do eixo e dos convidados centraram a discuss\u00e3o, antes mesmo de iniciar o debate, no que o v\u00eddeo nos revelou em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 montagem das imagens, a partir das conversas pr\u00e9vias de Nelson e Suele. Tomando a palavra, Suele ressalta que o v\u00eddeo nos remete \u00e0s letras, aos cartazes, \u00e0s palavras (como por exemplo, o brado das mulheres do Chile), numa tentativa de p\u00f4r ordem nas palavras, como uma ordem que pudesse constituir outra l\u00f3gica, um empuxo ao sentido. Suele tamb\u00e9m nos diz que as imagens do v\u00eddeo parecem querer substituir as palavras, estas que est\u00e3o nas teses, nos v\u00eddeos em geral e neste apresentado por Nelson, que tem um impacto, pois traz a dureza. Ela aponta a m\u00fasica como algo que poderia trazer um suport\u00e1vel \u00e0s imagens, n\u00e3o no sentido imagin\u00e1rio, mas alguma coisa pela letra.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, algumas quest\u00f5es v\u00e3o surgindo, estabelecendo-se uma conversa com os coordenadores e os convidados.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0 Luis Tudanca, da EOL, traz uma quest\u00e3o muito interessante sobre a pol\u00edtica da psican\u00e1lise ser a pol\u00edtica do sintoma. Ele destaca disso a via do sentido do sintoma e o tratamento que se d\u00e1 a ele na psican\u00e1lise pura que leva ao passe. Sobre a psican\u00e1lise aplicada podemos pensar como esse sintoma se insere no social. A partir disso, Tudanca fala que a posi\u00e7\u00e3o do psicanalista se diferencia da pol\u00edtica, uma vez que a fun\u00e7\u00e3o desta \u00e9 buscar o sentido. Sendo a via do sentido, mesmo que a psican\u00e1lise tenha algo a dizer, sua pol\u00edtica \u00e9 colocar o sem sentido, \u00e9 colocar a dimens\u00e3o do real, ou seja, o que fica fora.<\/p>\n<p>&#8211; Outro ponto colocado por Tucanda, ainda dentro dessa l\u00f3gica, \u00e9 que o psicanalista \u00e9 um meio dizer porque evita a den\u00fancia, j\u00e1 que denunciar refor\u00e7a o denunciado. Ent\u00e3o, esse meio dizer aponta para o vazio e isso ajuda muito a pensar como a psican\u00e1lise entra nesse di\u00e1logo com a pol\u00edtica, quando ela traz a dimens\u00e3o do n\u00e3o sentido, do meio dizer.<\/p>\n<p>&#8211; Pelo que Margarida apontava, o que essa rela\u00e7\u00e3o com o \u00f3dio e a segrega\u00e7\u00e3o, hoje, poderia apontar para o la\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o ao amor? Lembro de um texto de Simone Souto sobre o autoerotismo em que ela fala do autoerotismo n\u00e3o ser o absoluto. Pensar o amor pelo que Nelson fala pelos efeitos da transfer\u00eancia. Como entender essa via do \u00f3dio pelo autoerotismo que n\u00e3o \u00e9 absoluto, se escorrega algo que escapa para o campo do Outro? As quest\u00f5es que foram me ocorrendo numa vertente do significante do gozo, da met\u00e1fora. Nelson fala da l\u00f3gica do universal, que parece dialogar com o que Suele traz a partir de Miller sobre a democracia vazia. Essa universalidade n\u00e3o parece exatamente uma desorienta\u00e7\u00e3o. Ocorreu-me pensar se o la\u00e7o tenta localizar, condensar nesse campo de concentra\u00e7\u00e3o do Outro, alguma coisa que est\u00e1 foraclu\u00edda.<\/p>\n<p>&#8211; Instigante o que voc\u00eas est\u00e3o proporcionando hoje. O eco, o fato de que h\u00e1 um dizer que toca o corpo. Gostaria de conversar com voc\u00eas a partir do que me vem, como a psican\u00e1lise est\u00e1 do lado da democracia porque, sen\u00e3o, o pior &#8211; titulo do semin\u00e1rio 19 &#8211; <em>Ou pior<\/em>. Como Nelson diz, o quanto isso n\u00e3o \u00e9 a nostalgia do pai? E uma outra coisa que voc\u00eas trazem em v\u00e1rios elementos da fala de voc\u00eas, essa precis\u00e3o do texto de Claudia, dessa diferen\u00e7a, me ensinou muito a pensar sobre essa segrega\u00e7\u00e3o estrutural e sobre essa segrega\u00e7\u00e3o social, que Bassols, Tarrab e tantos outros trazem. E essa perspectiva do amor que Margarida aponta, que Suele traz tamb\u00e9m com essas imagens que n\u00e3o devem ser lidas simplesmente como imagens, mas nessa dimens\u00e3o de uma materialidade que toca o corpo. Quem n\u00e3o foi tocado por esses acontecimentos no mundo e no Brasil tamb\u00e9m? Eu gostaria de pensar um aspecto a partir do texto \u201cPsicologia das massas e an\u00e1lise do eu\u201d, ou seja, aquele esquema que Freud traz para pensar sobre esse novo la\u00e7o coletivo, como essas manifesta\u00e7\u00f5es que v\u00eam a partir do povo, mas que toca na raiz da segrega\u00e7\u00e3o. Pensando no lugar do ideal, desse Outro de exce\u00e7\u00e3o, o que voc\u00eas nos provocam hoje \u00e9 pensar que n\u00e3o h\u00e1 mais essa sustenta\u00e7\u00e3o. Algo se evaporou desse ideal, desse lugar que o pai estava, que o l\u00edder estava. \u00c9 o mais-de-gozar, \u00e9 o que Claudia traz quando fala dessas ilhas de gozo. Como \u00e9 que se aciona esse mais-de-gozar e a\u00ed vem um la\u00e7o que faz um certo coletivo? Fiquei pensando isso, que retomo a partir dessa quest\u00e3o que Nelson traz: se o analista se situa como um int\u00e9rprete na civiliza\u00e7\u00e3o, como ele pode sair de uma leitura da segrega\u00e7\u00e3o estrutural, que tamb\u00e9m \u00e9 fundamental nesse discurso dessa parceria com a civiliza\u00e7\u00e3o, e pensar um pouco a\u00ed a segrega\u00e7\u00e3o j\u00e1 como efeito? Efeito, por exemplo, do neoliberalismo. As falas de voc\u00eas nos provocam a pensar sobre isso. Isso me instiga. Esse x que est\u00e1 fora \u00e9 esse x que tem a ver com essa segrega\u00e7\u00e3o estrutural. Com esse mais-de-gozar que o pr\u00f3prio social toma e o neoliberalismo joga? Inclusive, transformando quest\u00f5es que poderiam n\u00e3o entrar na massifica\u00e7\u00e3o, modificando isso em objetos de mercado.<\/p>\n<p>&#8211; O v\u00eddeo me impactou muito. A m\u00fasica amacia um pouco o impacto, mas a ideia de poder, ainda, falar do coletivo, tamb\u00e9m alivia. Fiquei pensando nessa quest\u00e3o que Margarida traz do coletivo, da massa dentro dessa l\u00f3gica do discurso ligado ao \u00f3dio. O \u00f3dio, ele \u00e9 discursivo. O que extrapola \u00e9 viol\u00eancia? Como disse Margarida a partir de Freud, as puls\u00f5es n\u00e3o odeiam. Lembro de um texto de Miller em que ele aborda amor e \u00f3dio como Eros. A viol\u00eancia \u00e9 puls\u00e3o de morte. Nesse v\u00eddeo produzido por Nelson, ele consegue trazer essa quest\u00e3o. O que impacta nesse v\u00eddeo, o que angustia, mas tamb\u00e9m anima, \u00e9 saber que h\u00e1 manifesta\u00e7\u00f5es, sustentadas na ordem do discurso, que se conhece como movimentos de resist\u00eancia. Voc\u00ea pode falar um pouco, se voc\u00ea pensa esse coletivo como uma forma de discurso, mesmo que esteja no \u00f3dio? Pelo que voc\u00ea estava dizendo o \u00f3dio \u00e9 estrutural, podemos senti-lo, mas n\u00e3o para sair matando o outro por a\u00ed. Ent\u00e3o acho interessante essa distin\u00e7\u00e3o ente \u00f3dio e viol\u00eancia que Miller nos traz, para distinguir essa vis\u00e3o do senso comum que traz o \u00f3dio, onde, na psican\u00e1lise, l\u00ea-se puls\u00e3o de morte.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s as provoca\u00e7\u00f5es trazidas pelas coordenadoras do eixo e dos convidados da noite, al\u00e9m das quest\u00f5es levantadas pelo p\u00fablico, Claudia retoma, a partir da pontua\u00e7\u00e3o de Suele, as manifesta\u00e7\u00f5es de 2013, ressaltando que uma das caracter\u00edsticas delas eram as de n\u00e3o estarem ligadas nem a partidos nem a l\u00edderes pol\u00edticos, l\u00f3gica que impera nessas agrupa\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 segrega\u00e7\u00e3o, diz que esta est\u00e1 referida por uma muta\u00e7\u00e3o no discurso e, tomando Marie-Hellen Brousse, fala do sujeito que se dirigia ao saber, sujeito dividido, sendo substitu\u00eddo pelo puro sujeito da ci\u00eancia, que, sem quest\u00e3o, responde pelo algoritmo.\u00a0 Assim, pergunta Claudia a partir do v\u00eddeo exibido: o que nos traz esses coletivos quando n\u00e3o h\u00e1 cabe\u00e7a, como eles se originam hoje? Como se fazem as agrupa\u00e7\u00f5es hoje?<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 rea\u00e7\u00e3o \u00e0 den\u00fancia e ao denunciado, aponta que a caracter\u00edstica de quem est\u00e1 segregado \u00e9 n\u00e3o ter d\u00edvida com o segregador e, como n\u00e3o tem d\u00edvida, vira uma pot\u00eancia. O segregado, diz Cl\u00e1udia, amea\u00e7a a ordem por esta fora. Pensar isso em termos do gozo \u00e9 pensar no que est\u00e1, ent\u00e3o, desordenado, pois n\u00e3o tem mais uma ordena\u00e7\u00e3o, nem um ordenador, ideia que bem for\u00e7a a l\u00f3gica da den\u00fancia que refor\u00e7a o denunciado.<\/p>\n<p>Sobre a quest\u00e3o do \u00f3dio e esses novos coletivos, Margarida aponta que nessa nova configura\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 como resgatar esse pai, n\u00e3o h\u00e1 mais algo para fazer ressurgir esse pai, nem ficar nesse saudosismo. Nesses lugares est\u00e3o surgindo os coletivos e as novas formas de enla\u00e7amento. Laurent no seu texto da \u00faltima Op\u00e7\u00e3o Lacaniana diz algo muito curioso: que o crime fundador n\u00e3o \u00e9 o assassinato do pai, mas a vontade de assassinar, um gozo que eu rejeito. Assassinar aquele que carrega o que se fundamenta pela segrega\u00e7\u00e3o. Esses movimentos em que se diz \u201co estuprador \u00e9 tu\u201d, \u201cvidas negras importam\u201d, de alguma forma promovem, me parece, um outro enla\u00e7amento, exatamente tentando escapar desse \u00f3dio segregador, tentando fazer um novo la\u00e7o. Eu acho que o trabalho anal\u00edtico n\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ar isso enquanto universal, universal dos negros, universal das mulheres, mas encontrar algo nesses coletivos. Lembrando Marcus Andr\u00e9, ele traz uma express\u00e3o muito interessante, \u201cum significante vazio\u201d, esse meio dizer que aponta para o vazio como dito hoje aqui. Esse significante vazio que pode estar ali enla\u00e7ando aquele coletivo, sem necessariamente constituir esse universal. Acho que foi bom voc\u00ea lembrar isso, porque penso que os coletivos est\u00e3o a\u00ed como alternativas para a segrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A partir da conclus\u00e3o das falas das coordenadoras e dos convidados, surge uma outra quest\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0 Duas coisas que v\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o do que Margarida traz, mas tamb\u00e9m do que Claudia traz no in\u00edcio sobre a quest\u00e3o da fraternidade como obsessiva. A gente encontra isso em Freud, todo questionamento dele em rela\u00e7\u00e3o ao mandamento, o mandamento do amai uns aos outros, da quest\u00e3o do narcisismo das pequenas diferen\u00e7as como aquilo que rateia, aquilo que impede a realiza\u00e7\u00e3o desse mandamento. Por\u00e9m, a fraternidade persiste obsessivamente, me parece, como esse ideal humano e, a\u00ed na fala de Nelson, ele destaca a segrega\u00e7\u00e3o como um efeito desse universal. Ocorreu-me que a prolifera\u00e7\u00e3o de universais \u00e9 o que a gente assiste hoje, inclusive a prolifera\u00e7\u00e3o daquilo que \u00e9 segregado. Esse \u00e9 o paradoxo.\u00a0 Porque aquilo que \u00e9 segregado \u00e9 reintroduzido, n\u00e3o sei se pela obsess\u00e3o da fraternidade, porque de fato a segrega\u00e7\u00e3o \u00e9 algo do insuport\u00e1vel para o segregado, obviamente. Mas eu fiquei pensando tamb\u00e9m se a aposta no novo la\u00e7o social e em novas formas de enla\u00e7amento a partir da segrega\u00e7\u00e3o, mas que n\u00e3o refor\u00e7a a segrega\u00e7\u00e3o &#8211; o que \u00e9 segregado retorna no real. Essa obsess\u00e3o me pareceu curiosa para pensar um pouco mais sobre.<\/p>\n<p>A partir das provoca\u00e7\u00f5es deixadas por esta atividade e, transmitidas com muito entusiasmo, as coordenadoras do eixo convidaram todos \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de trabalhos para a II Jornada, sugerindo quest\u00f5es e elabora\u00e7\u00f5es sobre um tema t\u00e3o caro aos analistas e \u00e0 psican\u00e1lise, tanto em sua pr\u00e1tica cl\u00ednica quanto em sua forma de ler a cena do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>Por Sandra Conrado<br \/>\nP\/ Comiss\u00e3o Cient\u00edfica<\/h5>\n<hr \/>\n<h5><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h5>\n<h5>BASSOLS. M. O b\u00e1rbaro, transtorno de linguagem e segrega\u00e7\u00e3o. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana On line Nova serie ano. 9. nos. 25 e 26 mar\u00e7o e julho. 2018<\/h5>\n<h5>LACAN, J. O sinthoma, semin\u00e1rio 23. Jorge Zahar editor: Rio de Janeiro, 2007.<\/h5>\n<h5>Lacan, J. Os corpos aprisionados pelo discurso. In: J. Lacan. O Semin\u00e1rio, Livro 19 \u2026ou pior. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2012, p. 227.<\/h5>\n<h5>______ Televis\u00e3o\u201d, Outros Escritos, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2003, p. 533.<\/h5>\n<h5>______ \u201cNota sobre o pai\u201d. In: Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n. 71, p. 7.<\/h5>\n<h5>______ \u201cProposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola\u201d In: Outros escritos. Tradu\u00e7\u00e3o Vera Avelar Ribeiro. Zahar editor. Rio de Janeiro. 2013.<\/h5>\n<h5>______ \u201cO Semin\u00e1rio Livro 17. O avesso da Psican\u00e1lise\u201d. (1969-70). texto estabelecido por jacques-Alain Miller. Zahar editor. Rio de janeiro. 1992.<\/h5>\n<h5>MILLER, J. A. Tiempos modernos. In.: Un esfuerzo de poes\u00eda. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2016, p. 43 e 53<\/h5>\n<h5>VENTURA, O. Amor e La\u00e7o Social- PDF. XXIV Jornada EBP-MG. Muta\u00e7\u00f5es do La\u00e7o Social.<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RESSON\u00c2NCIAS DA PRIMEIRA PREPARAT\u00d3RIA DA II JORNADA DA SE\u00c7\u00c3O NORDESTE E O ANALISTA EM&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[138],"tags":[],"class_list":["post-5660355","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espumas-ao-vento"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5660355","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5660355"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5660355\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5660358,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5660355\/revisions\/5660358"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5660355"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5660355"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5660355"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}