{"id":5660271,"date":"2022-08-15T09:33:29","date_gmt":"2022-08-15T12:33:29","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/?p=5660271"},"modified":"2022-08-18T20:37:38","modified_gmt":"2022-08-18T23:37:38","slug":"ressonancias-da-primeira-preparatoria-da-ii-jornada-da-secao-nordeste-e-o-analista-em-tempos-de-evaporacao-do-pai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/2022\/08\/15\/ressonancias-da-primeira-preparatoria-da-ii-jornada-da-secao-nordeste-e-o-analista-em-tempos-de-evaporacao-do-pai\/","title":{"rendered":"RESSON\u00c2NCIAS DA PRIMEIRA PREPARAT\u00d3RIA  DA II JORNADA DA SE\u00c7\u00c3O NORDESTE  E O ANALISTA EM TEMPOS DE EVAPORA\u00c7\u00c3O DO PAI?"},"content":{"rendered":"<h3><span style=\"color: #808080;\"><strong>RESSON\u00c2NCIAS DA PRIMEIRA PREPARAT\u00d3RIA <\/strong><strong>DA II JORNADA DA SE\u00c7\u00c3O NORDESTE &#8211; <\/strong><strong>E O ANALISTA EM TEMPOS DE EVAPORA\u00c7\u00c3O DO PAI?<\/strong><\/span><\/h3>\n<h4><strong>Eixo 1<br \/>\n<\/strong><strong>\u201cFam\u00edlia Hol\u00f3frase\u201d: a crise como seu fundamento<\/strong><\/h4>\n<h5><strong>Coordenadoras: Cristina Maia e Susane Zanotti<\/strong><\/h5>\n<p>Na noite de 19 de julho de 2022, iniciamos nossas atividades de prepara\u00e7\u00e3o para a Jornada anual da EBP-Se\u00e7\u00e3o Nordeste. As coordenadoras do Eixo 1, Cristina Maia e Susane Zanotti, contribu\u00edram com as pontua\u00e7\u00f5es proposta pelo eixo, desdobrando-as com pondera\u00e7\u00f5es e quest\u00f5es acerca do tema.<\/p>\n<p>Para conversar com as coordenadoras, as convidadas Ana Aparecida e Vania Ferreira, trouxeram v\u00e1rias contribui\u00e7\u00f5es, com reflex\u00e3o e perguntas, provocando, assim, n\u00e3o s\u00f3 um debate produtivo com as coordenadoras, como tamb\u00e9m com o p\u00fablico, ali, presente.<\/p>\n<p>Cristina Maia inicia a apresenta\u00e7\u00e3o do tema, introduzindo a fam\u00edlia como ve\u00edculo do discurso que transmite os ideais, mas tamb\u00e9m as proibi\u00e7\u00f5es e os significantes que circulam em torno de um nome. Do vivente que tem uma inscri\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica como sujeito introduzido no mundo como falta. Uma inscri\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica que possa dar valor de interpreta\u00e7\u00e3o do que se \u00e9 no discurso do Outro. Ponto que dar\u00e1 \u00e0 crian\u00e7a, segundo Daniel Roy, a condi\u00e7\u00e3o de decifrar as suas coordenadas como causa de desejo, mas tamb\u00e9m como dejeto do gozo de seus pais.<\/p>\n<p>Como lugar de transmiss\u00e3o a fam\u00edlia tamb\u00e9m propicia a restri\u00e7\u00e3o de gozo que, por outro lado, permanece como resto, muitas vezes vivido nas formas de segredo que encobre o imposs\u00edvel de dizer do gozo dos pais ou mesmo do mal-entendido do encontro sexual, do qual sempre se \u00e9 produto. Como institui\u00e7\u00e3o, a fam\u00edlia recobre esse imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>De Eric Laurent, Cristina recolhe que n\u00e3o h\u00e1 crian\u00e7a sem fam\u00edlia, sem institui\u00e7\u00e3o, pois mesmo que seja ela abandonada, h\u00e1 a institui\u00e7\u00e3o da rua que a recebe. A rua, o abrigo, o orfanato. Ainda citando Laurent, Cristina nos diz: \u201conde n\u00e3o h\u00e1 mais fam\u00edlia, ela sobrevive, apesar de tudo. \u00c9 a fam\u00edlia do Um sozinho\u201d.<\/p>\n<p>E a partir do Um sozinho vai introduzir na sua apresenta\u00e7\u00e3o a quest\u00e3o que nos interessa a partir da premissa de Laurent, \u201ca fam\u00edlia moderna \u00e9 uma hol\u00f3frase\u201d, que Daniel Roy cita no seu artigo \u201cPais exasperados \u2013 crian\u00e7as terr\u00edveis\u201d, destacando o valor do h\u00edfen como o que compacta, mas tamb\u00e9m separa, e que desafia o analista contempor\u00e2neo a dizer sobre isso, frente a um gozo opaco que se condensa na forma de S1.<\/p>\n<p>Cristina nos fala ainda sobre a inconsist\u00eancia da fam\u00edlia moderna, das suas modifica\u00e7\u00f5es, complexidades e particularidades e faz uso do termo compacta\u00e7\u00e3o para nos deixar algumas quest\u00f5es pontuais para o trabalho do eixo.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0 Os lugares do pai, m\u00e3e e filho est\u00e3o compactados? Eles estariam mal situados? O que se pode chamar fam\u00edlia hoje?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o \u00e9 a crise da fam\u00edlia, mas a crise como fundamento da fam\u00edlia. Isso pode situar o que o tema da II Jornada atribui em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 evapora\u00e7\u00e3o do Pai?<\/p>\n<p>&#8211; Para o analista se coloca a quest\u00e3o: como receber uma crian\u00e7a \u201cterceirizada\u201d, com o estigma de terr\u00edvel (com bastantes aspas), quando a fam\u00edlia em geral e a escola n\u00e3o sabem mais o que fazer, tamanha a opacidade de gozo?<\/p>\n<p>Em tempos de evapora\u00e7\u00e3o do pai, a partir da complexidade das fam\u00edlias holofr\u00e1sicas, o que pode o analista, num espa\u00e7o que s\u00f3 mostra o S1, de t\u00e3o denso que \u00e9? Quais as dimens\u00f5es da interpreta\u00e7\u00e3o quando diz respeito \u00e0 parentalidade, mas tamb\u00e9m a pensar no trabalho do analista em institui\u00e7\u00f5es, na cl\u00ednica da filia\u00e7\u00e3o, na procria\u00e7\u00e3o assistida? E quais s\u00e3o os avan\u00e7os das biotecnologias?<\/p>\n<p>Susane abre sua apresenta\u00e7\u00e3o com dois contos de Luis Fernando Ver\u00edssimo: \u201cPalavras\u201d e \u201cDe Areia\u201d. Do primeiro, destaca uma reflex\u00e3o sobre o valor dos significantes (o S1 no jogo da palavra \u201cm\u00e1gica\u201d proferida por uma crian\u00e7a que s\u00f3 repete a mesma), e o modo que estes afetam o corpo da crian\u00e7a, bem como a fragilidade do pr\u00f3prio registro simb\u00f3lico. Do segundo, extrai a ideia trazida pelo conto para pensar uma analogia com o analista al\u00e9m da nostalgia do Nome-do-Pai. Tomando esse fio, faz refer\u00eancia a uma passagem do texto de Nohemi Brown, \u201cFam\u00edlia Hol\u00f3frase\u201d, em que esta observa, num caso conduzido por Estela Solano, no qual foi poss\u00edvel operar um trabalho de abrir intervalos, cifrar a l\u00edngua falada, marcado pelas algaravias do mal-entendido do qual se nasce.<\/p>\n<p>V\u00e2nia Ferreira introduz seus coment\u00e1rios tomando a intersec\u00e7\u00e3o entre os pais e a crian\u00e7a quando, ali, adotava-se o desejo como orientador da falta e da nomea\u00e7\u00e3o. O que temos nos novos tempos \u00e9 essa intersec\u00e7\u00e3o ocupada pelo gozo. O que se tinha como separa\u00e7\u00e3o surge, hoje, como colagem, dando outra forma ao discurso do Outro e ao sintoma. A hol\u00f3frase \u00e9 esse n\u00e3o intervalo, em que o espa\u00e7o para a constru\u00e7\u00e3o de um saber, S2, fica fechado, produzindo apenas um gozo circulat\u00f3rio em torno de um S1 sozinho. A fun\u00e7\u00e3o do analista serve como furo nesse circuito, para que a crian\u00e7a possa, como n\u00e3o-toda, abrir-se para novos arranjos ou construir uma bricolagem. Um trabalho que possa buscar novos significantes e, assim, tornar o gozo mais leg\u00edvel.<\/p>\n<p>V\u00e2nia tamb\u00e9m coloca a import\u00e2ncia de se conceituar a \u201cFam\u00edlia Hol\u00f3frase\u201d, no sentido de compreender que nela n\u00e3o se encontra mais, como se tinha na fam\u00edlia patriarcal, as fun\u00e7\u00f5es bem definidas. O significante \u201chol\u00f3frase\u201d, que Lacan se serve para falar da psicose, do fen\u00f4meno psicossom\u00e1tico e da debilidade mental, traz uma pista da dificuldade em lidar com a met\u00e1fora paterna, e que faz conson\u00e2ncia com o tema da II Jornada, na qual se pode pensar a Evapora\u00e7\u00e3o do Nome-do-Pai. Este tema, tamb\u00e9m proposto por Lacan, pode ser recuperado para se pensar o que hoje, na fam\u00edlia, n\u00e3o d\u00e1 mais conta de fazer as simboliza\u00e7\u00f5es significantes ou as inscri\u00e7\u00f5es do simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>V\u00e2nia nos fala que, na sua experi\u00eancia cl\u00ednica, muitas vezes as fam\u00edlias precisam ser acolhidas \u2013 o pai, a m\u00e3e, a tia, os av\u00f3s, a escola. Isso exige do analista, diz ela, um manejo diferenciado, delicado, para que, como diz Daniel Roy, algo possa passar pela opera\u00e7\u00e3o de uma descompacta\u00e7\u00e3o do S1.<\/p>\n<p>Ana Aparecida introduz sua fala, colocando a crian\u00e7a em cena ao perguntar: que saber podemos recolher dela quando enfiadas nos enredos das muta\u00e7\u00f5es que a fam\u00edlia apresenta? Os pais surgem como ref\u00e9ns, ora de uma ordem de ferro do capricho do desejo materno, ora guiados por um coach parental que, rastreando o seu disfuncionamento, trar\u00e1 solu\u00e7\u00f5es para as manifesta\u00e7\u00f5es de desordem instaladas na fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u00c9 entre o filho perfeito prometido pelo ideal e a crian\u00e7a terr\u00edvel que se instala a crise, e Ana Aparecida extrai de Roy que essa crise se expressa em um tempo no qual \u201cos objetos mais de gozar se tornaram autoridade e fundaram a lei de todas as formas de ideal\u201d<\/p>\n<p>Tomando as palavras de Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse, que interroga se as crian\u00e7as de 2021 recobrem ainda o homem como pai e a mulher como m\u00e3e, Ana Aparecida destaca a parentalidade, que, segundo Brousse, resta \u00e0 crian\u00e7a se tornar o fundamento e n\u00e3o mais o efeito da fam\u00edlia, cabendo a ela escolher seu lugar em uma diferen\u00e7a que se pluralizou.<\/p>\n<p>Diante disso, destaca a import\u00e2ncia do analista na sua escuta com a crian\u00e7a. Qual seja? A possibilidade de extra\u00e7\u00e3o dos significantes que esta oferece, em seu valor singular, na busca de um espa\u00e7o que entreabra a brecha da separa\u00e7\u00e3o, permitindo a esta crian\u00e7a fazer do S1 um S2. Coloca tamb\u00e9m que a especificidade do analista est\u00e1 mais em apreender do que em supor saber. Apreens\u00e3o da l\u00edngua que se fala na fam\u00edlia, sua gram\u00e1tica e vocabul\u00e1rio, longe de um modelo ideal e sem avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desta forma, diz Ana Aparecida, \u00e9 poss\u00edvel colocar a crian\u00e7a na l\u00f3gica do n\u00e3o-todo e oferecer outros recursos, de modo que crian\u00e7as, pais e m\u00e3es n\u00e3o sejam dependentes das identifica\u00e7\u00f5es familiares, do amor parental e filial, mesmo sabendo que n\u00e3o existe ser falante que n\u00e3o seja de uma fam\u00edlia. Aqui, o trabalho com os pais se faz presente.<\/p>\n<p>\u201cPais exasperados \u2013 Crian\u00e7as Terr\u00edveis\u201d, tema que Daniel Roy nos oferece como premissa da fam\u00edlia hoje.<\/p>\n<p>Ana Aparecida ressalta a pergunta: o que fazer com o h\u00edfen? Um equ\u00edvoco que marca a fam\u00edlia e que se situa contra a norma. \u00c9 poss\u00edvel descompactar essa ordem que envolve pais e filhos fechados em apuros frente a um gozo feroz e sem media\u00e7\u00e3o? Roy nos d\u00e1 alguma b\u00fassola: de Freud, vermos as inven\u00e7\u00f5es que o inconsciente realiza frente ao mal-estar e, de Lacan, tentarmos usar a palavra para outro uso que n\u00e3o aquele para o qual \u00e9 feita. Algo que se assemelha a um chiste, a uma poesia. Trabalho fino e delicado em meio ao imperativo que des-funciona.<\/p>\n<p>Essas pontua\u00e7\u00f5es levantadas pelas colegas renderam uma conversa muito produtiva, com troca de ideias, tomadas na articula\u00e7\u00e3o afinada com o tema da II Jornada anual da EBP-Se\u00e7\u00e3o NE, que se prop\u00f5e a discutir este ano a a\u00e7\u00e3o anal\u00edtica em tempos de Evapora\u00e7\u00e3o do Nome-do-Pai.\u00a0 O Eixo I, \u201c<em>Fam\u00edlia Hol\u00f3frase\u201d: a crise como seu fundamento<\/em>, abriu nesta noite a participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico que, atento ao tema, contribuiu com perguntas, coment\u00e1rios e deixou algumas provoca\u00e7\u00f5es para se pensar a atua\u00e7\u00e3o do analista na fam\u00edlia contempor\u00e2nea, quando n\u00e3o se pode contar mais com as incid\u00eancias do simb\u00f3lico em sua base.<\/p>\n<p>Seguem algumas:<\/p>\n<p>&#8211; A import\u00e2ncia de se tomar a hol\u00f3frase, a partir de Lacan, visando o hierogl\u00edfico, o qual n\u00e3o comporta um deslizamento na cadeia. Neste sentido, o corpo inscreve um n\u00famero. Qual seria a diferen\u00e7a dessa montagem holofr\u00e1sica a um casal parental, que articula algo da ordem de uma parentalidade?<\/p>\n<p>&#8211; Tomar como refer\u00eancia as \u201cDuas Notas sobre a crian\u00e7a\u201d de Lacan, o objeto <em>a <\/em>como fantasma materno e a crian\u00e7a enquanto sintoma do casal parental. Isso se sustenta na perspectiva da fam\u00edlia hol\u00f3frase?<\/p>\n<p>&#8211; Diante do decl\u00ednio do pai, da evapora\u00e7\u00e3o do pai nessa l\u00f3gica do \u00c9dipo atual e da pluraliza\u00e7\u00e3o, o gozo da m\u00e3e passou a dominar? Como resguardar a fam\u00edlia, se o gozo da m\u00e3e parece mais acentuado diante da evapora\u00e7\u00e3o do pai?<\/p>\n<p>&#8211; Diante das quest\u00f5es diagn\u00f3sticas hoje, como interrogar o que toca o corpo? Quando o S1 n\u00e3o se desloca e o corpo se agita, fica o gozo como discurso?<\/p>\n<p>&#8211; Temos hoje as quest\u00f5es diagn\u00f3sticas (TDAH, transtorno de oposi\u00e7\u00e3o), e a gente se interroga: o que toca o corpo? Com a hol\u00f3frase, o S1 n\u00e3o se desloca, o corpo se agita. Assim, passa-se a interrogar mais o gozo, enquanto discurso. Podemos pensar que estamos no territ\u00f3rio de lal\u00edngua, n\u00e3o mais no mal-entendido da interpreta\u00e7\u00e3o, mas um mal-entendido anterior, que toca o real do corpo?<\/p>\n<p>&#8211; Dois aspectos para se pensar essa opera\u00e7\u00e3o de separa\u00e7\u00e3o que Lacan traz no semin\u00e1rio 11. Ele fala dessa meia lua, dessa intersec\u00e7\u00e3o, e coloca a fun\u00e7\u00e3o do objeto <em>a<\/em>. Essa fun\u00e7\u00e3o de res\u00edduo que um pai tenta sustentar, o qual n\u00e3o se transmite sem ser pela via do mal-entendido. Essa meia lua, pelo que est\u00e1 sendo discutido, est\u00e1 fechada a essa abertura, da\u00ed a no\u00e7\u00e3o de \u201cFam\u00edlia Hol\u00f3frase\u201d, que Roy toma a partir de Laurent. Qual a fun\u00e7\u00e3o do analista nessa tentativa de abertura dessa meia lua? Recuperar essa dimens\u00e3o de res\u00edduo que \u00e9 o objeto <em>a<\/em>, tanto como causa e objeto, quanto como resto dessa opera\u00e7\u00e3o? Como esse resto que remete ao gozo pode servir ao que as pr\u00f3prias crian\u00e7as est\u00e3o pontuando no seu dizer? Parece que s\u00e3o as crian\u00e7as que est\u00e3o indicando esse caminho, s\u00e3o as crian\u00e7as que v\u00e3o trazendo esses significantes soltos. Isso \u00e9 de grande preciosidade para a cl\u00ednica.<\/p>\n<p>&#8211; Qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do analista hoje, quando ele segue as pistas que as pr\u00f3prias crian\u00e7as d\u00e3o com esses S1s isolados, como trouxe Susane com essa quest\u00e3o da palavra \u201cm\u00e1gica\u201d? Serve a um outro tipo de inven\u00e7\u00e3o, a uma certa bricolagem? N\u00e3o s\u00e3o mais as crian\u00e7as psic\u00f3ticas. N\u00e3o d\u00e1 mais para dizer, a partir das \u201cduas notas sobre a crian\u00e7a\u201d, que o objeto <em>a<\/em> do fantasma materno \u00e9 psicose e que a verdade parental estaria mais do lado da neurose.<\/p>\n<p>&#8211; Quando se diz o analista em tempos da evapora\u00e7\u00e3o do pai, estamos falando tamb\u00e9m de uma temporalidade. O que essa temporalidade de evapora\u00e7\u00e3o tem a ver com essa hol\u00f3frase? Estamos vivendo uma sociedade hol\u00f3frase, uma sociedade compactada e uma dificuldade, sem espa\u00e7o para o desejo, para o novo e para uma inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; O que poderia romper mais essa hol\u00f3frase, sen\u00e3o a crian\u00e7a?\u00a0 A crian\u00e7a \u00e9 esse objeto que interroga, que traz o transtorno e que, muitas vezes, \u00e9 ejetada por essas fam\u00edlias. Fam\u00edlias que n\u00e3o suportam o que a crian\u00e7a traz e que v\u00e3o romper com aquele pacto familiar. A crian\u00e7a de hoje incomoda porque ela pode abrir uma brecha na hol\u00f3frase. O que a crian\u00e7a tem a ver com o mundo hol\u00f3frase? A crise na raiz do mundo, que \u00e9 uma raiz que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 social. O que o simb\u00f3lico faz com esse imposs\u00edvel hoje?<\/p>\n<p>&#8211; Partindo-se do pressuposto de que se sabe o que \u00e9 uma fam\u00edlia, o problema seria: interroga-se uma fam\u00edlia hol\u00f3frase? Pode-se situar a fam\u00edlia como objeto pol\u00edtico ou n\u00e3o? Quem toma a frente hoje, pelo menos no Brasil, para defender a fam\u00edlia? Ela est\u00e1 em risco? Se ela n\u00e3o est\u00e1, ent\u00e3o, n\u00e3o precisa se sair em defesa dela. Isso n\u00e3o colocaria em quest\u00e3o para pensar a no\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia hol\u00f3frase?<\/p>\n<p>&#8211; Ao dizer que a fam\u00edlia est\u00e1 em crise, a gente est\u00e1 dizendo o qu\u00ea? Que a crise \u00e9 um problema a ser solucionado ou \u00e9 a sua pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Quest\u00f5es no Chat:<\/p>\n<p>&#8211; A fam\u00edlia, agora, para al\u00e9m dos fatos de discurso e linguagem, ap\u00f3s a evapora\u00e7\u00e3o do pai, \u00e9 fato de gozo? Hol\u00f3frase \u2013 S1 sozinho?<\/p>\n<p>&#8211; Nesse sentido, se nossa cl\u00ednica aponta para as inven\u00e7\u00f5es (ou gambiarras), quais cuidados tomar para n\u00e3o alimentar o sintoma da contemporaneidade [de um mais-de-gozar na l\u00f3gica do Um]?<\/p>\n<p>As quest\u00f5es est\u00e3o a\u00ed, abertas, aguardando outras palavras, outras perguntas que podem seguir nas discuss\u00f5es das preparat\u00f3rias seguintes, mas tamb\u00e9m em forma de artigo. Escrevam, tragam suas perguntas, suas suposi\u00e7\u00f5es a respeito das fam\u00edlias contempor\u00e2neas. O tema desse eixo 1 est\u00e1 lan\u00e7ado e a bibliografia, incluindo alguns textos citados nessa noite, est\u00e3o no site de nossa II Jornada.<\/p>\n<p>At\u00e9 a pr\u00f3xima!!!<\/p>\n<p><strong>Nordeste, 19 de julho de 2022<\/strong><\/p>\n<h5>Sandra Conrado<br \/>\nP\/ Comiss\u00e3o Cientifica<\/h5>\n<hr \/>\n<h5><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h5>\n<h5>BROUSSE, Marie-H\u00e9l\u00e8ne \u2013 O Buraco Negro da diferen\u00e7a sexual, Cien Digital, No. 23, novembro\/de 2019 <a href=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2019\/11\/17\/o-buraco-negro-da-diferenca-sexual\/\">http:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2019\/11\/17\/o-buraco-negro-da-diferenca-sexual\/<\/a><\/h5>\n<h5>BROWN, N \u2013 \u201cFam\u00edlia Ho\u00f3frase\u201d . In\u00e9dito<\/h5>\n<h5>LAURENT. Instituci\u00f3n del fantasma, fantasma de la instituci\u00f3n. In: Hay un fin de analisis para los ni\u00f1os. 2\u00ba edici\u00f3n. Buenos Aires: Colecci\u00f3n Diva, marzo de 2003<\/h5>\n<h5>ROY, D. Pais exasperados &#8211; crian\u00e7as terr\u00edveisn https:\/\/institut-enfant.fr\/wp content\/uploads\/2021\/01\/PARENTS_EXASPERES.<\/h5>\n<h5>__\u00a0\u00a0\u00a0 Quatro perspectivas sobre a diferen\u00e7a sexual, Cien Digital, No. 23, novembro\/de 2019 <a href=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2019\/11\/17\/o-buraco-negro-da-diferenca-sexual\/\">http:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2019\/11\/17\/o-buraco-negro-da-diferenca-sexual\/<\/a><\/h5>\n<h5>VER\u00cdSSIMO, Luis Fernando. Ironias do tempo. Organiza\u00e7\u00e3o: Adriana Falc\u00e3o e Isabel Falc\u00e3o. Rio de Janeiro: Objetiva, 2018. Se vc quiser colocar as p\u00e1ginas especificamente das duas cr\u00f4nicas: De areia (p. 103-104). Palavra (p. 175-176).<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RESSON\u00c2NCIAS DA PRIMEIRA PREPARAT\u00d3RIA DA II JORNADA DA SE\u00c7\u00c3O NORDESTE &#8211; E O ANALISTA&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[138],"tags":[],"class_list":["post-5660271","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espumas-ao-vento"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5660271","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5660271"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5660271\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5660275,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5660271\/revisions\/5660275"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5660271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5660271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5660271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}