{"id":5660316,"date":"2022-09-14T07:43:12","date_gmt":"2022-09-14T10:43:12","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/?page_id=5660316"},"modified":"2022-09-14T07:48:59","modified_gmt":"2022-09-14T10:48:59","slug":"referencias-eixo-2-o-analista-frente-ao-discurso-de-odio-segregador-e-a-nova-logica-coletiva-primeira-entrega","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/bibliografia\/referencias-eixo-2-o-analista-frente-ao-discurso-de-odio-segregador-e-a-nova-logica-coletiva-primeira-entrega\/","title":{"rendered":"Refer\u00eancias Eixo 2: O analista frente ao discurso de \u00f3dio segregador e a nova l\u00f3gica coletiva \u2013 primeira entrega"},"content":{"rendered":"[vc_row][vc_column]<div class=\"norebro-text-sc \" \n\tid=\"norebro-custom-69daf8b63e4d7\" \n\t \n\t>\n\n\t<h3><strong>Refer\u00eancias Eixo 2: O analista frente ao discurso de \u00f3dio segregador e a nova l\u00f3gica coletiva \u2013 primeira entrega<\/strong><\/h3>\n<h5><strong>Colaboradores: L\u00eddia e Paulo<\/strong><\/h5>\n<p>FREUD<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cTeremos de considerar se os grupos com l\u00edderes talvez n\u00e3o sejam os mais primitivos e completos, se nos outros uma ideia, uma abstra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode tomar o lugar do l\u00edder (estado de coisas para o qual os grupos religiosos, com seu chefe invis\u00edvel, constituem etapa transit\u00f3ria) e se uma tend\u00eancia comum, um desejo, em que certo n\u00famero de pessoas tenha uma parte, n\u00e3o poder\u00e1, da mesma maneira, servir de suced\u00e2neo. (&#8230;) O l\u00edder ou a ideia dominante poderiam tamb\u00e9m, por assim dizer, ser negativos; o \u00f3dio contra uma determinada pessoa ou institui\u00e7\u00e3o poderia funcionar da mesma maneira unificadora.\u201d (p. 127)<\/li>\n<\/ul>\n<p>FREUD. S. \u201cPsicologia de Grupo e An\u00e1lise do Ego\u201d, <em>Obras completas<\/em>, XVIII, Rio de Janeiro, Imago, 1969.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>LACAN<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\u201cDepois de se haverem considerado entre si por um certo tempo, os tr\u00eas sujeitos d\u00e3o juntos alguns passos, que os levam simultaneamente a cruzar a porta. Em separado, cada um fornece ent\u00e3o uma resposta semelhante, que se exprime assim:<\/li>\n<\/ul>\n<p>(&#8230;) \u201cSou branco, e eis como sei disso. Dado que meus companheiros eram brancos, achei que, se eu fosse preto, cada um deles poderia ter inferido o seguinte: \u201cSe eu tamb\u00e9m fosse preto, o outro, devendo reconhecer imediatamente que era branco, teria sa\u00eddo na mesma hora, logo, n\u00e3o sou preto\u201d. E os dois teriam sa\u00eddo juntos, convencidos de ser brancos. Se n\u00e3o estavam fazendo nada, \u00e9 que eu era branco como eles. Ao que sa\u00ed porta afora, para dar a conhecer minha conclus\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>(&#8230;) \u201cFoi assim que todos tr\u00eas sa\u00edram simultaneamente, seguros das mesmas raz\u00f5es de concluir\u201d. (p. 198)<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cMas, a que tipo de rela\u00e7\u00e3o corresponde essa forma l\u00f3gica? A uma forma de objetiva\u00e7\u00e3o que ela gera em seu movimento, qual seja, \u00e0 refer\u00eancia de um (eu) ao denominador comum do sujeito rec\u00edproco\u201d, ou ainda, aos outros como tais, isto \u00e9, como sendo outro uns para os outros (&#8230;)\u201d (p. 211)<\/li>\n<li>(&#8230;) \u201ce a coletividade j\u00e1 est\u00e1 integralmente representada na forma do sofisma, uma vez que se define como um grupo formado pelas rela\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas de um n\u00famero definido de indiv\u00edduos, ao contr\u00e1rio da generalidade, que se define como uma classe que abrange abstratamente um n\u00famero indefinido de indiv\u00edduos.\u201d (p. 212)<\/li>\n<li>(&#8230;) \u201capresentada como conclus\u00e3o da forma aqui demonstrada da asser\u00e7\u00e3o antecipat\u00f3ria, ou seja, como se segue: 1\u00ba Um homem sabe o que n\u00e3o \u00e9 o homem; 2\u00ba Os homens se reconhecem entre si como sendo homens; 3\u00ba Eu afirmo ser homem, por medo de ser convencido pelos homens de n\u00e3o ser homem.\u201d (p.213)<\/li>\n<\/ul>\n<p>LACAN, J. \u201cO tempo l\u00f3gico e a asser\u00e7\u00e3o de certeza antecipada\u201d. In: <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 1988.<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cAbreviemos dizendo que o que vimos emergir deles, para nosso horror, representou a rea\u00e7\u00e3o de precursores em rela\u00e7\u00e3o ao que se ir\u00e1 desenvolvendo como consequ\u00eancia do remanejamento dos grupos sociais pela ci\u00eancia, e, nominalmente, da universaliza\u00e7\u00e3o que ela ali introduz.\u201d (p. 263)<\/li>\n<li>\u201cNosso futuro de mercados comuns encontrar\u00e1 seu equil\u00edbrio numa amplia\u00e7\u00e3o cada vez mais dura dos processos de segrega\u00e7\u00e3o\u201d. (p. 263)<\/li>\n<\/ul>\n<p>LACAN, J. \u201cProposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola\u201d. In: <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 2003.<\/p>\n<ul>\n<li>(&#8230;) \u201ccomo responderemos, n\u00f3s, os psicanalistas: a segrega\u00e7\u00e3o trazida \u00e0 ordem do dia por uma subvers\u00e3o sem precedentes. Aqui, n\u00e3o se deve negligenciar as perspectivas a partir da qual Oury pode h\u00e1 pouco formular que, no interior do coletivo, o psic\u00f3tico apresenta-se essencialmente como o sinal, sinal como impasse, daquilo que legitima a refer\u00eancia \u00e0 liberdade.\u201d (p. 361)<\/li>\n<\/ul>\n<p>LACAN, J. \u201cAlocu\u00e7\u00e3o sobre as psicoses da crian\u00e7a\u201d. In: <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2002.<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cPorque n\u00e3o me parece engra\u00e7ado e, no entanto, \u00e9 verdade. No desatino de nosso gozo, s\u00f3 h\u00e1 o Outro para situ\u00e1-lo, mas na medida em estamos separados dele. Da\u00ed fantasias, in\u00e9ditas quando n\u00e3o nos met\u00edamos nisso.\u201d (p. 532)<\/li>\n<li>\u201cDeixar esse Outro entregue a seu modo de gozo, eis o que s\u00f3 seria poss\u00edvel n\u00e3o lhe impondo o nosso, n\u00e3o o tomando por subdesenvolvido.\u201d (p. 532)<\/li>\n<li>\u201cDeus, recuperando a for\u00e7a, acabaria por ex-sistir, o que n\u00e3o pressagia nada melhor do que um retorno de seu passado funesto.\u201d (p. 532-533)<\/li>\n<\/ul>\n<p>LACAN, J. \u201cTelevis\u00e3o\u201d. In: <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2002, p. 532.<\/p>\n<ul>\n<li>(&#8230;) \u201cAlcan\u00e7ar em seu horizonte a subjetividade de sua \u00e9poca\u201d (p. 322)<\/li>\n<\/ul>\n<p>LACAN, J. \u201cFun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem\u201d. In: <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 1988.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>MILLER<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\u201cOra, o agalma desse dito \u00e9 uma f\u00f3rmula, \u2018O inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica\u2019. Podemos ao menos observar que se trata de uma f\u00f3rmula da compet\u00eancia de um psicanalista, enquanto que a outra, que prop\u00f5e uma defini\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica, \u00e9 certamente mais arriscada quando \u00e9 enunciada por um psicanalista, cuja tarefa n\u00e3o \u00e9 definir a pol\u00edtica. Por isso mesmo Lacan diz \u2018N\u00e3o digo [\u00b4a pol\u00edtica \u00e9 o inconsciente\u00b4], mas simplesmente [\u00b4o inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica\u00b4]\u2019.\u201d (p. 2)<\/li>\n<li>\u201cO inconsciente \u00e9 t\u00e3o pouco represent\u00e1vel e sabemos t\u00e3o pouco sobre ele que \u00e9 inveross\u00edmil e muito arriscado definir o que quer que seja a partir dele: pelo contr\u00e1rio, \u00e9 sempre ele, o inconsciente, que deve ser definido, porque n\u00e3o se sabe o que \u00e9\u201d (p. 4)<\/li>\n<li>\u201cA defini\u00e7\u00e3o do inconsciente pela pol\u00edtica tem ra\u00edzes profundas no ensino de Lacan. \u2018O inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica\u2019 \u00e9 um desenvolvimento de \u2018O inconsciente \u00e9 o discurso do Outro\u2019. Essa rela\u00e7\u00e3o com o Outro, intr\u00ednseca ao inconsciente, \u00e9 o que anima desde o in\u00edcio o ensino de Lacan. \u00c9 a mesma coisa quando estabelece que o Outro \u00e9 dividido e n\u00e3o existe como Um.\u201d (p. 6)<\/li>\n<li>\u201cO inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica\u201d radicaliza a defini\u00e7\u00e3o do Witz, do chiste como processo social que tem seu reconhecimento e sua satisfa\u00e7\u00e3o no Outro, enquanto comunidade unificada no instante de rir. (p. 6)<\/li>\n<\/ul>\n<p>[Sobre a terceira reflex\u00e3o: o inconsciente \u00e9 pol\u00edtico]<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cA an\u00e1lise freudiana do Witz justifica o fato de Lacan articular o sujeito do inconsciente a um Outro, e qualificar o inconsciente como transindividual. \u00c9 poss\u00edvel passar de \u2018o inconsciente \u00e9 transindividual\u2019 para \u2018o inconsciente \u00e9 pol\u00edtico\u2019 desde que fique claro que esse Outro \u00e9 dividido, que ele n\u00e3o existe como Um.\u201d (p. 6-7)<\/li>\n<li>\u201cPor isso \u2018o inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica\u2019 n\u00e3o diz absolutamente a mesma coisa que \u2018a pol\u00edtica \u00e9 o inconsciente\u2019. \u2018A pol\u00edtica \u00e9 o inconsciente\u2019 \u00e9 uma redu\u00e7\u00e3o, e quando Lacan formaliza o discurso do mestre ele diz, ao mesmo tempo, que se trata do discurso do inconsciente. Fazendo isso ele oferece uma chave para in\u00fameros textos de Freud. Ao passo que \u2018o inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica\u2019 \u00e9 o contr\u00e1rio de uma redu\u00e7\u00e3o, trata-se de uma amplifica\u00e7\u00e3o, do transporte do inconsciente para fora da esfera solipsista para coloc\u00e1-lo na Cidade, faz\u00ea-lo depender da \u2018Hist\u00f3ria\u2019, da disc\u00f3rdia do discurso universal a cada momento da s\u00e9rie que nela se cumpre.\u201d (p. 7)<\/li>\n<li>\u201cHoje n\u00e3o h\u00e1 mais a cidade\u201d (p. 7)<\/li>\n<li>(&#8230;) \u00e9 certamente marcado por esses tempos, sofre suas consequ\u00eancias\u201d. (p. 12)<\/li>\n<\/ul>\n<p>MILLER, J-A. \u201cIntui\u00e7\u00f5es milanesas\u201d. In<em>: Op\u00e7\u00e3o Lacaniana On-line<\/em>, Ano 2, n\u00ba 05, Jul 2011. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_5\/Intui%C3%A7%C3%B5es_milanesas.pdf\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_5\/Intui%C3%A7%C3%B5es_milanesas.pdf<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>AUTORES DO CAMPO FREUDIANO<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\u201cA melhor maneira de enfrentar a viol\u00eancia contra o feminino como h\u00e9tero, que se dirige \u00e0s mulheres, n\u00e3o \u00e9 colocar nelas uma m\u00e1scara masculina, por um lado, nem fazer delas objetos, v\u00edtimas do Outro masculino por outro lado, mas permitir a cada uma encontrar sua maneira de localizar-se como Outra para si mesma.\u201d (p.11)<\/li>\n<\/ul>\n<p>ALVARENGA, Elisa. \u201cAs mulheres e a viol\u00eancia de nossos tempos\u201d. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana On-line, n. 17,\u00a0 Jul 2015.<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cA escola \u00e9 um coment\u00e1rio vivo sobre a democracia&#8230;\u201d (p. 68)<\/li>\n<li>\u201cA melhor figura do chefe, salvo Deus, \u00e9 o pai.\u201d (p. 55)<\/li>\n<\/ul>\n<p>BARROS, Romildo do R\u00eago.\u00a0 \u201cDa massa freudiana ao pequeno grupo lacaniano\u201d. In: <em>Psican\u00e1lise na favela projeto Diga a\u00ed Mar\u00e9: a cl\u00ednica dos grupos<\/em>. Rio de Janeiro: Associa\u00e7\u00e3o Diga\u00ed-Mar\u00e9, 2008.<\/p>\n<ul>\n<li>(&#8230;) a dial\u00e9tica do desejo n\u00e3o \u00e9 jamais individual.\u201d (p. 26).<\/li>\n<li>(&#8230;) exige-se do analista que ele se interesse pela dimens\u00e3o do pol\u00edtico e da cidade.\u201d (p. 28)<\/li>\n<li>\u201cN\u00e3o podemos conceber a an\u00e1lise sem a dimens\u00e3o do ato. E nesse n\u00edvel apresenta-se tamb\u00e9m a quest\u00e3o do pol\u00edtico.\u201d (p. 30)<\/li>\n<li>Trata-se de uma neutralidade pol\u00edtica?\u201d (p. 33)<\/li>\n<li>(&#8230;) \u201c a psican\u00e1lise \u00e9 um la\u00e7o social, portanto um tratamento do gozo, que o psicanalista est\u00e1 necessariamente envolvido com a quest\u00e3o do pol\u00edtico.\u201d (p. 34.)<\/li>\n<\/ul>\n<p>BROUSSE, Marie-H\u00e9l\u00e8ne. <em>O Inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2018.<\/p>\n<ul>\n<li>(&#8230;) \u201co pai evapora, seu predom\u00ednio vai decaindo. &#8230; a met\u00e1fora perde pot\u00eancia no discurso e com ela o semblante.\u201d (p. 8)<\/li>\n<\/ul>\n<p>BROUSSE, Marie-H\u00e9l\u00e8ne. \u201cAs identidades, uma pol\u00edtica, a identifica\u00e7\u00e3o, um processo, e a identidade, um sintoma\u201d. In: <em>Op\u00e7\u00e3o lacaniana online,<\/em> n\u00ba 25\/26 , mar\u00e7o\/julho 2018. Dispon\u00edvel: <a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_25\/As_Identidades_uma_politica_a_identificacao.pdf\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_25\/As_Identidades_uma_politica_a_identificacao.pdf<\/a><\/p>\n<ul>\n<li>\u201cUma coletividade n\u00e3o come\u00e7a por um tra\u00e7o identificat\u00f3rio que constituiria uma classe, mas por uma rejei\u00e7\u00e3o, uma exclus\u00e3o&#8230; que n\u00e3o tem outro nome que um tra\u00e7o de segrega\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que Lacan fala da \u2018assimila\u00e7\u00e3o humana como assimiladora de uma barb\u00e1rie\u2019.\u201d (p. 24)<\/li>\n<li>\u201cOs discursos ser\u00e3o quatro maneiras de apresentar uma posi\u00e7\u00e3o coletivizante para o sujeito a partir da extra\u00e7\u00e3o primordial de um gozo.\u201d (p. 29)<\/li>\n<li>(&#8230;) o termo desejo do psicanalista para designar o advento in\u00e9dito do lugar do psicanalista na civiliza\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d (p. 32)<\/li>\n<\/ul>\n<p>LAURENT, \u00c9ric. \u201cSete problemas de l\u00f3gica coletiva na experiencia da psican\u00e1lise segundo o ensinamento de Lacan\u201d. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, 26\/27, abril 2000.<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cOs analistas t\u00eam de passar da posi\u00e7\u00e3o de especialistas da desidentifica\u00e7\u00e3o para a de analista cidad\u00e3o. Um analista cidad\u00e3o no sentido que esse termo pode ter na moderna teoria democr\u00e1tica. Os analistas precisam entender que h\u00e1 comunh\u00e3o de interesses entre o discurso anal\u00edtico e a democracia, e precisam entend\u00ea-lo verdadeiramente! H\u00e1 que se passar do analista reservado, cr\u00edtico, a um analista que participa, a um analista sens\u00edvel \u00e0s formas de segrega\u00e7\u00e3o, a um analista capaz de entender qual foi sua fun\u00e7\u00e3o e qual lhe corresponde agora.\u201d (p. 143)<\/li>\n<li>\u201cO analista esmaecido de meu professor Leclaire, o analista vazio, tem uma face que deve ser criticada, mas possui outra que deve ser relembrada, porque foi mal interpretada: a de que, em vez de se manter nessa posi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, pode intervir com seu dizer silencioso. O analista vazio, chamado tamb\u00e9m, em algumas teorias, de \u2018o analista furado\u2019, n\u00e3o deve, em uma institui\u00e7\u00e3o, em qualquer discurso institucional, de maneira alguma mostrar-se um analista esmaecido. \u00c9 ele quem sabe participar com seu dizer silencioso, distinto do sil\u00eancio. O dizer silencioso implica tomar partido de maneira ativa, silenciar a din\u00e2mica de grupo que rodeia toda organiza\u00e7\u00e3o social. Como se diz em determinado discurso que n\u00e3o \u00e9 o nosso, \u2018quando tr\u00eas se juntam, o vigor est\u00e1 com eles!\u2019 Do ponto de vista anal\u00edtico, quando tr\u00eas se juntam, instala-se a din\u00e2mica de grupo, ou seja, desencadeiam-se determinadas paix\u00f5es imagin\u00e1rias.\u201d (p. 143)<\/li>\n<li>\u201cNesse sentido, o analista, mais que um lugar vazio, \u00e9 aquele que ajuda a civiliza\u00e7\u00e3o a respeitar a articula\u00e7\u00e3o entre normas e particularidades individuais. O analista, mais al\u00e9m das paix\u00f5es narc\u00edsicas das diferen\u00e7as, tem de ajudar, junto de outros, sem pensar que \u00e9 o \u00fanico que est\u00e1 nessa posi\u00e7\u00e3o. Assim, com outros, h\u00e1 de contribuir para que n\u00e3o se esque\u00e7a, em nome da universalidade ou de qualquer outro universal, tanto humanista quanto anti-humanista, a particularidade de cada um.\u201d (p. 144)<\/li>\n<\/ul>\n<p>LAURENT, E. \u201cO analista cidad\u00e3o\u201d in <em>A sociedade do sintoma \u2013 a psican\u00e1lise hoje<\/em>. Rio de Janeiro: ContraCapa, 2007.<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cA l\u00f3gica desenvolvida por Lacan \u00e9 a seguinte. N\u00e3o sabemos o que \u00e9 o gozo a partir do qual poder\u00edamos nos orientar. S\u00f3 sabemos rejeitar o gozo do Outro. Com o fato de nos meter, Lacan denuncia o duplo movimento do colonialismo e da vontade de normalizar o gozo daquele que \u00e9 deslocado, emigrado em nome de um dito \u2018bem dele\u2019.\u201d<\/li>\n<li>\u201cDe fato, o racismo muda seus objetos \u00e0 medida em que as formas sociais se modificam, mas, conforme a perspectiva de Lacan, sempre jaz, numa comunidade humana, a rejei\u00e7\u00e3o de um gozo inassimil\u00e1vel, dom\u00ednio de uma barb\u00e1rie poss\u00edvel\u201d<\/li>\n<li>Para Freud, o \u00f3dio e a rejei\u00e7\u00e3o racista se unem, por\u00e9m permanecem conectados ao l\u00edder que toma o lugar do pai ou, mais precisamente, do assassinato do pai. O ilimitado da exig\u00eancia permanece no grupo e o estabelecimento do la\u00e7o social \u00e9 fundamentado no assentamento pulsional da identifica\u00e7\u00e3o. O grupo est\u00e1vel comp\u00f5e nele mesmo o mesmo princ\u00edpio de ilimita\u00e7\u00e3o produzido pela multid\u00e3o prim\u00e1ria. Assim Freud p\u00f4de dar conta do ex\u00e9rcito como multid\u00e3o organizada e do poder de matan\u00e7a selvagem que a acompanha. O \u00f3dio comum pode unificar a multid\u00e3o, ligada a uma identifica\u00e7\u00e3o segregada ao l\u00edder.<\/li>\n<li>\u201c O racismo muda seus objetos \u00e0 medida em que as formas sociais se modificam, mas, conforme a perspectiva de Lacan, sempre jaz, numa comunidade humana, a rejei\u00e7\u00e3o de um gozo inassimil\u00e1vel, dom\u00ednio de uma barb\u00e1rie poss\u00edvel.\u201d<\/li>\n<li>(&#8230;) \u201ca l\u00f3gica pela qual Lacan constr\u00f3i qualquer conjunto humano que seja, opera uma tor\u00e7\u00e3o na Psicologia de Grupo freudiana.\u201d<\/li>\n<li>\u201cO crime fundador n\u00e3o \u00e9 o assassinato do pai, mas a vontade de assassinato daquele que encarna o gozo que eu rejeito.\u201d<\/li>\n<\/ul>\n<p>LAURENT, \u00c9ric. \u201cO racismo 2.0\u201d. In: <em>Lacan Quotidiane<\/em> n\u00ba 371, janeiro. 2014. Dispon\u00edvel: <a href=\"http:\/\/ampblog2006.blogspot.com\/2014\/02\/lacan-cotidiano-n-371-portugues.html\">http:\/\/ampblog2006.blogspot.com\/2014\/02\/lacan-cotidiano-n-371-portugues.html<\/a><\/p>\n<p>LAURENT, \u00c9ric. \u201cRacismo 2.0\u201d. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n. 67, dezembro 2013.<\/p>\n<ul>\n<li>\u201c&#8230; o sintoma como acontecimento de corpo n\u00e3o condena a nenhum solipsismo ou individualismo. Ele adv\u00e9m num corpo tomado pela linguagem, isto \u00e9, num corpo tomado no la\u00e7o social com os outros. Porque o corpo que se trata n\u00e3o \u00e9 aquele do indiv\u00edduo. Ao passo que a Massenpsychologie freudiana estava fundada na identifica\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma nova psicologia das massas que se esbo\u00e7a a partir do acontecimento de corpo\u201d (p. 23)<\/li>\n<li>\u201cA nova forma pol\u00edtica assim produzida n\u00e3o \u00e9 aquela do sentimento, como se diz com muita frequ\u00eancia, e sim aquela dos afetos, no sentido do acontecimento de corpo\u201d (p. 23)<\/li>\n<li>\u201cTal abordagem pelo falasser permite retomar, de modo renovado, o coment\u00e1rio \u2018o inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica\u2019. A identifica\u00e7\u00e3o, mecanismo pol\u00edtico por excel\u00eancia, pode ser relida a partir da inscri\u00e7\u00e3o sobre o corpo, a partir do acontecimento de corpo.\u201d (p. 212)<\/li>\n<li>\u201cEsse mal-estar era, Para Freud, um sentimento \u00e9tico partilhado no seio da \u2018civiliza\u00e7\u00e3o\u2019, perspectiva que se op\u00f5e justamente \u00e0 moral liberal que concebe a comunidade apenas como um agregado de decis\u00f5es individuais, exterior \u00e0 dimens\u00e3o de um corpo pol\u00edtico como tal. Foi a extens\u00e3o da \u00f3tica individualista neoliberal contempor\u00e2nea que relan\u00e7ou a busca por tudo o que pode ser qualificado de comum no espa\u00e7o pol\u00edtico.\u201d (p. 212)<\/li>\n<li>\u201cO acontecimento de corpo pode ser generalizado como um tra\u00e7o inscrito no corpo do falante.\u201d (LAURENT, 2016, p. 213)<\/li>\n<li>\u201cO corpo falante vem sempre fazer contrapeso ao corpo do indiv\u00edduo, no sentido do corpo como propriedade de cada um, separado dos demais outros. O corpo que fala testemunha o discurso como la\u00e7o social que vem se inscrever sobre ele: \u00e9 um corpo socializado. Essa dimens\u00e3o coletiva aparece em seus desarranjos e nomea\u00e7\u00f5es. A subjetividade que est\u00e1 a\u00ed \u00e9 individual, mas tamb\u00e9m de uma \u00e9poca, como manifestado nas patologias recobertas pelo sintagma \u2018sofrimento no trabalho\u2019.\u201d (p. 213)<\/li>\n<li>\u201c&#8230;a cren\u00e7a numa comunidade ideal poder acompanhada, como por sua sombra, pela comunidade do acontecimento de corpo\u201d (p. 214)<\/li>\n<li>\u201cH\u00e1 a\u00ed um gozo especial que, paradoxalmente, permite ao sujeito encontrar o mundo comum em que n\u00f3s vivemos, um mundo no qual o Ideal do eu empalidece, como disse Lacan, diante da eleva\u00e7\u00e3o ao z\u00eanite do objeto a, do gozo. (p. 214)<\/li>\n<li>\u201cCom o acontecimento de corpo, retira-se a identifica\u00e7\u00e3o ao Pai e se desnudam, como para Schreber, os acontecimentos de gozo, mais al\u00e9m da castra\u00e7\u00e3o\u201d (p. 219)<\/li>\n<\/ul>\n<p>LAURENT, \u00c9ric. <em>O avesso da biopol\u00edtica. Uma escrita para o gozo<\/em>. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2016.<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cO sujeito do inconsciente \u00e9 de fato, diz Lacan, n\u00e3o apenas contradit\u00f3rio e v\u00e3o, mas vazio e evanescente. Isso \u00e9, sem d\u00favida, o que os discursos buscam nomear de uma maneira ou de outra. O discurso pol\u00edtico, o discurso do mestre, faz da identifica\u00e7\u00e3o a chave de uma captura.\u201d (p.2)<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cUm corpo, para Lacan, \u00e9 um corpo em um sentido pr\u00f3ximo ao de Spinoza. \u00c9 ao mesmo tempo o corpo do sujeito e o corpo pol\u00edtico. Um corpo n\u00e3o \u00e9 biol\u00f3gico e por essa raz\u00e3o pode estar vivo ou morto. Um corpo \u00e9 o lugar que experimenta afetos e paix\u00f5es, tanto o corpo pol\u00edtico como o corpo individual. Paix\u00f5es pol\u00edticas novas surgem como acontecimentos de corpos pol\u00edticos novos, e logo se transformam.\u201d (p.14)<\/li>\n<\/ul>\n<p>LAURENT, \u00c9ric. \u201cO traumatismo do final da pol\u00edtica das identidades\u201d. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana On-line<\/em>, Ano 9, n\u00ba 25 e 26, Mar\/Jul 2019. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_25\/O_traumatismo_do_final_da_politica_das_identidades.pdf<\/p>\n\t\n<\/div>[\/vc_column][\/vc_row]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":5660319,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-5660316","page","type-page","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5660316","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5660316"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5660316\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5660326,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5660316\/revisions\/5660326"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5660319"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5660316"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}