AD 3/ Anteriores 2013–2014

Cartéis: do que é prévio ao que se desdobra
Cristiane Barreto

Do significado corrente, retiramos que Dobradiça é um conjunto de duas peças unidas por um  pino sobre o qual giram, o que lhes permite afastar-se ou aproximar-se, formando um ângulo mais ou menos aberto. Sinônimo de charneira, gonzo, bisagra. Dobradiça também se define como uma junção ou lugar de contato de duas partes dobráveis uma sobre a outra, numa obra ou armação.

Dobra-se ou desdobra-se, em qualquer coisa.

Para pensar nos efeitos de formação que um cartel pode promover, também podemos vislumbrar uma dobradiça. Com a proposta que nos transmitiu Romildo do Rego Barros – em sua conferência proferida na XIV Jornada de Cartéis da EBP-MG, publicada neste número –, os efeitos de formação destinados a um cartel resultariam do “choque entre o trabalho coletivo e a produção individual”, a tal ponto de podermos constatar, em alguns casos, a estrutura de um ato, posto na irrupção de algo único, a partir do trabalho feito no espaço coletivo do pequeno grupo.

A conferência de Romildo está circunscrita no segundo texto que apresentaremos aqui. Trata-se de uma resenha dos trabalhos da XIV Jornada de Cartéis da EBP-MG feita por Bernadete Carvalho e Maria das Graças Sena. Resenha que estreita a conexão com este Editorial, complementando-o e, também, informando sobre o restante dos trabalhos da Jornada, com as apresentações dos cartelizantes. Nesse viés, selecionamos um dos trabalhos da Jornada para compor esta Dobradiça, no “Escritas analisantes”. Trata-se de um texto transcrito do depoimento de Andreia Barbosa, cujo título, Efeitos de sujeito advindos do cartel, cumpre a sua função.

Numa abertura mais acentuada, o Dobradiça se desdobra, ainda, para revelar as notícias, espaços destinados aos cartéis na EBP, finalizando este terceiro número, num esforço para transmitir o movimento de trabalho que persistir em agalmatizar o cartel, temos o “Acontece em Cartéis”.

A invenção lacaniana do Cartel comportaria, desde sempre, a ideia da produção de um ideal, visto que não há coletivo sem um ideal e, ainda, no seu interior, “o rudimento de um processo de separação”. Em um cartel, a “dedicação coletiva” e um inquieto ponto íntimo de leitura, permitem percorrer uma elaboração (provocada!) do produto final, sempre individual. Enlaçamento necessário à função de formação do Cartel, derivado e, ao mesmo tempo, pedra angular da Escola de Lacan, onde o empenho na construção do espaço coletivo não se faz sem o naco de carne de cada um.

Se uma escola mantém viva a pergunta “O que é um analista”, o faz demarcando sua ressonância nos pilares da formação permanente de cada um dos seus membros na própria análise, na supervisão, na vertente epistêmica e no cartel; afinal, numa análise, trata-se sempre, em última instância, de “circunscrever a solidão subjetiva”, para que, no final, outra dobra se enlace na sustentação do “Lugar da diferença em Psicanálise” e dedicação dessa radical decisão de fazer durar uma Escola.

Não deixe de visitar a página dos cartéis no site da EBP (http://ebp.org.br/carteis/apresentacao), onde você poderá se inscrever no “Procura-se um Cartel”, caso ainda não tenha encontrado colegas para trabalhar em conjunto; ou onde o mais-um de um cartel já constituído poderá declarar o seu, formalizando o laço entre esse pequeno grupo e o Outro da Escola.

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