AD 1/ Anteriores 2013–2014

Boletim de Cartéis da Escola Brasileira de Psicanálise

Inaugurando este que será o primeiro de uma série de informes que vocês receberão da Diretoria de Secretaria dos Cartéis da EBP, transmito-lhes em breves palavras nossa proposta inicial de trabalho. Num instante ainda de ver, eis a primeira e feliz constatação de que o legado da Diretoria anterior só nos encoraja a assumir o desafio de dar continuidade à tarefa de promover na EBP o trabalho em cartel, o órgão de base criado por Lacan em junho de 1964 no ato de fundação de sua Escola.

O cartel no tripé da formação do analista
Por que Lacan propõe, na formação do analista, a produção de um escrito próprio elaborado num pequeno grupo de quatro, mais-um, posto à céu aberto para a crítica e controle da Escola?

Por que, na composição do célebre tripé freudiano da formação do analista, Lacan não acrescentou à análise e à supervisão, o aprendizado da teoria psicanalítica em seminários, cursos e colóquios, mas criou o dispositivo do cartel como o lugar próprio para a elaboração do saber que convém ao psicanalista?

O princípio do cartel que incita a colocar algo de si no saber que se elabora, não sem o Outro da Escola, converge com a noção do nosso inconsciente que Lacan, em 1964, distingue do inconsciente pós-freudiano, lugar das divindades de cujas profundezas emanaria um saber já pronto, morto, à espera da decifração pelo psicanalista hermenêutico. Rompendo também com a sacralização da teoria pelos pós-freudianos, que cultuavam a letra morta do pai da psicanálise, Lacan revitalizou o inconsciente como um corte, ruptura por onde se abre a hiância de um real impossível de simbolizar, revelando o caráter de semblante de todo saber que repousa sobre um furo. Isto requer do analista em formação contínua não o aprendizado de um saber pronto, senão sua enunciação no saber que assim se produz, a fim de manter vivo o inconsciente e a própria psicanálise.

Por isso, o cartel não é um grupo de estudo, um lugar onde se adquire aprendizado: a aposta é que o mais-um perfure as identificações imaginárias entre os membros e a demanda de um saber pronto dirigido ao mestre que alimenta a inércia da paixão da ignorância. O cartel pode ser assim o lugar onde a singular questão de cada Um se enlaça ao coletivo para produzir um escrito próprio, desde que o mais-um sustente esse lugar, da causa, da Coisa freudiana, como um agente provocador do trabalho que presentifique o furo no saber, sem deixar cair a psicanálise mesma.

O Cartel, do latim cardo, a dobradiça é assim o lugar de um laço que pode articular, sobretudo nos tempos atuais do Outro que não existe, o singular de cada Um ao Outro da Escola; o saber que se produz numa análise com o saber textual da psicanálise; e, sobretudo, na porta de entrada, articular o exterior ao interior deste campo para aqueles que se aproximam da Escola e que, com o trabalho de carterlizantes, nela podem inserir-se.

A inscrição na Escola como “cartelizante”
É sempre bom lembrar que as portas de entrada na Escola estão abertas para aqueles que desejam a ela se vincular, não demandando títulos de garantia, mas com seu próprio trabalho.

Para “cartelizar-se” não é preciso pertencer à Escola, mas nela inscrever seu pedido de cartel.

Os interessados podem escolher seus parceiros ou dirigir-se ao site da EBP no “Procura-se um cartel” (http://ebp.org.br/carteis/procura-se-um-cartel/), onde há uma lista de inscritos cujo objetivo é promover o contato entre os interessados a partir de um tema comum e facilitar a formação de novos cartéis.

Os quatro reunidos escolhem o mais-um, que deve ser membro da Escola. Cabe a ele a inscrição do cartel no “Inscreva seu cartel” (http://ebp.org.br/carteis/inscreva-seu-cartel/), bem como comunicar ao responsável pelos cartéis na sua Seção ou Delegação a dissolução do cartel – o que deve ocorrer em, no máximo, 2 anos após o início do trabalho do cartel.

O tempo de duração do cartel pode variar, mas invariavelmente o tempo é limitado. Foi o que Lacan propôs para evitar o efeito de cola imaginária entre os membros. Nada impede que um cartel seja “fulgurante”, destinado aos fins mais diversos, como a preparação de um seminário, de um congresso, etc., e que cada um se sirva desse dispositivo como desejar.

Breve ou não, contudo, é preciso inscrever o cartel na Escola. Essa estrutura requer alguns elementos, ainda que mínimos, para assegurar seu funcionamento: a presença do mais-um, a inscrição na Escola e o tempo limitado.

Cabe à Escola acolher as demandas de inscrição e responder da boa maneira para zelar pelo dispositivo que lhe é próprio, pelo qual responde a Diretoria dos Cartéis da EBP e a Comissão Nacional dos Cartéis na EBP, recém renovadas com a permutação.

A Comissão Nacional dos Cartéis na EBP trabalhará em Cartel Compondo a Comissão Nacional dos Cartéis da EBP, Paola Salinas, na coordenação, Cristiana Gallo, Inês Seabra e Cristiane Barreto aceitaram o meu convite de trabalhar no Cartel o tema “Os cartéis na EBP”, apostando numa elaboração coletiva da qual cada uma de nós pudesse produzir as bases epistêmicas que sustentem nossas ações na Comissão. Temos o privilégio do contar com Carlos Augusto Nicéas como mais-um deste cartel, êxtimo à Comissão, mas desde sempre no coração da nossa Escola trabalhando pela causa analítica.

Paola Salinas trouxe-nos da gestão passada o funcionamento ágil, já em marcha, da inscrição dos cartéis e do “Procura-se um cartel” no site da EBP, e agora contamos com Cristiana Gallo, que ficará responsável pela importante tarefa de atualização semanal dos Cartéis no site.

Cuidamos de cada demanda de inscrição, uma a uma, zelando por esta estrutura. Cada vez que um cartel é inscrito no site ou alguém se anuncia no “procura-se um cartel”, tanto a Coordenadora da Comissão (Paola Salinas), como a responsável pela atualização no site (Cristiana Gallo), como a Diretora Secretária, somos notificadas. Paola Salinas então envia um e-mail ao responsável pelos cartéis na Seção ou Delegação da EBP onde ele foi inscrito, contando que este terá condições de avaliar se a estrutura mínima do cartel será preservada.

Nesse momento em que se verificam as demandas uma a uma, abre-se um espaço importante onde a Comissão fornece orientações, mas também onde recolhe questões relevantes para serem debatidas no próprio cartel. Por exemplo, quando o mais-um não é membro da Escola; cartéis que não se dissolvem após dois anos de trabalho; cartéis que fundam novos cartéis com exatamente os mesmos componentes do primeiro; etc.

Uma vez aprovado pelo responsável local, o processo de inscrição deve durar, no máximo, uma semana. Sempre atualizado, a agilidade desse processo dá credibilidade ao catálogo online, e aqueles que se inscrevem obtém prontamente sua resposta.

Desta forma, o ato de inscrição do cartel na Escola não é uma burocracia. Apostamos nos seus efeitos em cada um dos componentes do cartel como um ato que instaura um corte e dá chances ao Outro da Escola de responder pela formação do analista.

O Boletim Dobradiça
Na permutação, o boletim Dobradiça, criado pela Diretoria anterior, será para nós também o articulador do trabalho já realizado, com aquele que poderá se produzir na contingência do encontro nesta nova gestão.

No Dobradiça de Cartéis, boletim que será também rubrica da Diretoria na Rede – vocês encontrarão informes, indagações, relatórios, comentários relativos ao nosso trabalho com os cartéis, redigido a cada vez, um por um, e aberto às contingências por aqueles que nele estão envolvidos.

A fim de promover o intercâmbio entre cartéis, na função de agentes provocadores, convidaremos os cartelizantes a publicar seus escritos a partir de temas que o Dobradiça de Cartéis irá privilegiar, como também a participar com seus trabalhos nos Seminários e atividades da EBP.

Encontros com os Diretores de Cartéis nas Seções e Delegações

Também temos a sorte de contar com uma excelente equipe de Diretores de cartéis nas Seções e Delegações da EBP que, já na reunião realizada em Porto de Galinhas (27/4/2013), mostraram a que vieram, abrindo nossa primeira conversação que prosseguirá online e a cada vez que uma oportunidade se der, em presença. Eles serão os colaboradores deste boletim e responderão pela divulgação das atividades que se realizam em cada uma da Seções e Delegações, e pelo envio de resenhas ou comentários sobre as questões locais relativas a este trabalho.

AGENDA DOS CARTÉIS NA EBP
EBP-MINAS GERAIS
Diretor de Intercâmbio e Cartéis: Lúcia Grossi

Dia 22/6: A XVI Jornada de Cartéis da EBP-MG conta com Romildo do Rego Barros como convidado e será na sede da Seção (Rua Felipe dos Santos, 588, Lourdes). Em abril de 2010, Romildo participou da Jornada de Cartéis da Seção São Paulo, onde discorreu sobre Os coletivos lacanianos. Esta excelente conferência foi publicada no boletim da Diretoria de Intercâmbios e Cartéis da Seção São Paulo e estará à venda na livraria das Jornadas de Cartéis da EBP-MG.

Destacamos o trecho da carta convocatória de Lúcia Grossi endereçada aos membros da EBP-MG:

“Contamos com vocês neste movimento nacional de libidinizar esse dispositivo tão importante hoje quanto o passe. Lembrando o tema da primeira mesa de discussão do Congresso: “De onde vêm, hoje, os analistas de amanhã?”, podemos dizer que independente da formação universitária, estes analistas deveriam vir dos cartéis da Escola. Aproveitamos a ocasião para falar da importância da Jornada de Cartéis; a nossa ocorrerá dia 22 de junho com Romildo do Rêgo Barros como convidado. Estamos esperando o envio dos trabalhos até dia 20 de maio. Conto com a participação de vocês: seja com os textos, com o incentivo nos cartéis e a participação na Jornada. O convite está feito: visitem o site da EBP, entrem na rubrica Cartéis, na lista dos Cartéis inscritos e no “Procura-se um cartel”. Penso que isso é importante para sentir o que se passa com a Escola, que temas estão sendo trabalhados, quem está se inscrevendo, com que tema se apresenta. Isso é uma forma de recolhermos também os efeitos da nossa transmissão na cidade. Agradeço a atenção em nome da Diretoria da Seção e da equipe de Cartéis e Intercâmbio. Abraços a todos, Lúcia Grossi.”

Maria Josefina Sota Fuentes
Diretora Secretária da EBP

São Paulo, 20 de maio de 2013

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