Atividade especial do Núcleo de pesquisa Psicanálise e Cultura

05-07-2018 20:30 - 22:00
Sede EBP Seção Santa Catarina
Phone:(48)3222-2962
Address: R. Prof. Airton Roberto de Oliveira, 1-71 - Itacorubi, Florianópolis - SC, 88034-050, Brasil
Colegas!
Convidamos cada um de vocês para essa atividade especial do Núcleo de pesquisa Psicanálise e Cultura. No dia 5 de julho, 20:30h contaremos com a presença do Psicanalista Adriano Aguiar, membro da EBP/AMP e Doutor em Saúde Coletiva (IMS/ UERJ) para encerrar nossas atividades deste primeiro semestre. Essa será uma atividade aberta e gratuita para discutirmos o tema Incidências da ciência na cultura e a política da psicanálise no século XXI, a partir das questões colocadas pelo Adriano apresentadas no resumo abaixo:

No final do século XX, muitos previram que nós estávamos entrando naquele que seria o século da biotecnologia, uma era na qual assistiríamos o surgimento de novas possibilidades médicas, ao mesmo tempo fascinantes e preocupantes. Muitas destas técnicas biomédicas na verdade já fazem parte do nosso cotidiano: triagem genética, tecnologias reprodutivas, transplantes de órgãos, a modificação genética de organismos, e as novas drogas psiquiátricas, por exemplo – que são hoje os medicamentos mais consumidos no mundo. A medicina do futuro, que já vivemos, será cada vez menos delimitada pelos pólos de saúde e doença, se ocupando cada vez mais da nossa crescente capacidade de controlar, gerenciar e remodelar, incrementar e até mesmo transformas as capacidades vitais dos seres humanos como seres vivos e o espectro de suas modalidades de gozo. Segundo Miller, a “bioengineering” será a grande característica deste século XXI, cabendo aos analistas estar atentos às “desordens no real” produzidas por esta nova perspectiva biopolítica.

Essas transformações nos convocam a perguntar: qual deve ser a posição do psicanalista frente a essas novas incidências da ciência na cultura e na subjetividade de nossa época? 

Muitas vezes os analistas se vêem quase que impelidos a recusar o real da ciência para assegurar a presença da psicanálise no mundo. Miller nos mostra que o discurso da ciência, ao buscar a todo custo encontrar o saber no real e suturar a hiância que aloja o sujeito e a verdade, produz pelo seu próprio desdobramento uma reação que busca negar o saber no real para afirmar que o essencial do humano escapa ao saber científico. Segundo Miller esta posição reivindica “o gozo da ignorância frente ao saber científico”, e não pode ser a posição da psicanálise lacaniana: 

“O que Lacan trará, não consiste de modo algum, recusar o saber científico e o saber no real. Porque recusar o real científico, recusar o discurso da ciência é uma via de perdição que abre para todas as manigâncias psis. Não recusar esse saber, admitir que há saber no real, mas ao mesmo tempo, formular que nesse saber há furo, que a sexualidade faz furo nesse saber” (Miller, 2005, p. 16)

No texto “Uma fantasia”, proferido em Comandatuba em 2004, Miller nos convida assim a pensar em uma “nova aliança entre a psicanálise e a ciência” que repouse sobre a não-relação. Ele, no entanto, não dá muitas indicações de como isto poderia se dar. Como essa “nova aliança” proposta por Miller poderia tomar forma nos debates da psicanálise com a Cidade? Como pensar a incidência da ciência na cultura e a política da psicanálise no século XXI a partir dessas coordenadas? São essas questões que eu proporia discutir com vocês.