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Seminário com Clara Holguín

by secao_rj in Aconteceu na Seção RJ

01/10 Seminário com Clara Holguín

Notícias da conversa: Thereza De Felice

No dia 1/10, contamos na Seção Rio com a presença de Clara Holguín, presidente da NEL, que intitulou sua fala como “A mãe, figura que não se adequa aos paraísos fálicos”. A ideia era articular os temas da Jornada da NEL, de 2018, “Qué madres hoy?”, e do XXII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, “A queda do falocentrismo: consequências para a psicanálise”. A discussão partiu das seguintes perguntas propostas por Clara Holguín: Como cada um se pensa nesta época? Como lemos as questões da atualidade e fazemos laço entre as Escolas?

Os temas da queda do falocentrismo e das mães de hoje começam a se entrelaçar quando levamos em conta as singularidades de ser mãe nos tempos atuais. Se pensarmos a queda do falo como a queda de seu lugar no centro do discurso, então, onde ele está? Ser mãe não é mais um atributo necessário para que alguém seja mulher. Estamos diante de uma variedade de mães. Poderíamos dizer, então, que, ser mãe, hoje, não passa pela lógica fálica?

A multiplicidade de tipos de mães se insere no contexto em que a ordenação do gozo pelo “ter ou não ter” está enfraquecida. No lugar do falo como referência, aparecem outros referentes, que não fornecem resposta.

Os movimentos feministas atuais dariam notícias de um modo de resposta àquilo que, classicamente, ganharia uma significação fálica advinda do Nome do Pai. Esses movimentos não apenas reivindicam direitos, mas viralizam a palavra. Nas redes, com os algoritmos, cifras e números, os nomes se capilarizam sem um ordenador universal. O que aparece é um gozo opaco, não limitado pelo fálico. As palavras se propagam sem limites, como, por exemplo, no movimento #metoo. Clara Holguín o descreve como um movimento feminino, na medida em que, nesse caso específico, as mulheres foram tomadas pela palavra, fazendo-se escutar a partir de uma lógica que não responde ao falo como referência. Para a psicanalista, poderíamos encarar tal movimento como um tratamento atual do gozo feminino: coletiviza-se o não-todo, a partir de um sentido único.

Trata-se de uma invenção, uma solução sem medida comum, mas que, sem dúvida, vemos também operar em sua face de segregação. Restou, no encontro, a pergunta: quanto às mães, em que coletivos vão se haver com o gozo feminino, sem o tratamento do Nome do Pai?

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