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Porque ler o Seminário 10 de Jacques Lacan, A angústia ?

Estamos em 1962-1963, ano em que Lacan será “excomungado” da IPA.

Se no Seminário 4 a angústia, em relação à fobia, não teria objeto, aqui Lacan enuncia que a angústia não é sem objeto. E trata-se de elaborar um objeto irredutível ao significante, o objeto a. A angústia será a via de acesso a esse objeto heterogêneo ao significante, ou a via de acesso ao real.

Da mesma forma que Freud, em “Inibição, Sintoma e Angústia”, reformula seus pontos de vista sobre a angústia como transformação da libido inutilizada, fazendo dela um sinal evocado pelo eu, que leva ao recalque, Lacan faz uma reviravolta neste momento do seu ensino.

Se Lacan começa apontando a angústia como signo do desejo do Outro e o objeto a como causa, ele avança em direção à angústia como sinal do real. À medida que interroga o privilégio atribuído ao corpo especular, a significantização e o falocentrismo, Lacan se interessa pelo corpo anatômico e pela função do corte, elaborando um objeto a da ordem da substância e da extração corporal, que não tem nome.  E coloca em questão o Nome-do-Pai, que fracassa como operador da simbolização e será pluralizado na Conferência Nomes-do-Pai, em novembro de 1963.

A desedipianização da castração leva Lacan a se interessar pela separação e seus objetos, passando a prescindir de um agente da castração, pensada a partir do órgão detumescente. O elogio da feminilidade – “à mulher nada falta” – é corolário do macho embaraçado com o falo órgão.

A última parte do Seminário, que destaca o realismo do objeto a, abre o caminho para a reformulação do conceito do inconsciente no Seminário 11, assim como para a formulação do objeto a como consistência lógica e, no Seminário 16, como objeto mais de gozar.

Exploraremos as referências apontadas por Jacques-Alain Miller no estabelecimento do texto do Seminário, privilegiando aquelas que, na literatura analítica, nos ajudem a elucidar a angústia lacaniana – que não engana – como uma bússola que nos oriente na clínica contemporânea.

Coordenação: Elisa Alvarenga

Datas: Terças-feiras, às 20:30h, mensal

  • 12.03.2019
  • 09.04.2019
  • 07.05.2019
  • 04.06.2019
Local: EBP-MG
Rua Felipe dos Santos, 588 – Lourdes