[Conversações/ Intercâmbio com a cidade – Nº8] Conversação: Juventude e Contemporaneidade (Curitiba): resenha por Flávia Cera, Notas de Marcus André Vieira sobre as ocupações; Notícias sobre a Conversação: sobre Migração e Refugiado (Florianópolis) por Cíntia Busato

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Resenha da conversação Juventude e Contemporaneidade:
Por Flávia Cera

Uma conversação entre filosofia e psicanálise com Nohemí Brown e o filósofo Fabián Ludueña sobre juventude e contemporaneidade animou uma noite de primavera em Curitiba. Pensar esses dois lugares tão movediços é sempre uma tarefa difícil: como fazê-lo e de que lugar fazê-lo? Fabián propôs pensar a juventude como uma posição subjetiva porque a idade cronológica, embora possa definir um jovem, não é o que o determina: há jovens que não teriam a idade cronológica da juventude, e há também os cronologicamente jovens que não podem usufruir dela. Nesse espaço equívoco, vazio e, portanto, ocupável, a juventude se situa e, hoje, em um cenário bastante complexo.

Complexo porque há uma mudança de sociabilidade, nos modos de socialização, mais notadamente visto nas redes sociais que têm consequências subjetivas e sócio-políticas importantes que não podem ser deixadas de lado. Há aí novos modos de vida, novas formas de socializar, bastante diferentes das que se conhecia, mais do que lugares que frequentamos, compartilhamos momentos, eventos, etc. Fabián abordou esse fenômeno como um êxodo político do real ao virtual que traz consequências inéditas já que o corpo é o que fica obliterado. Se, por um lado, o corpo sai de cena, o encontro dos corpos também sai de cena ou, mais precisamente, a construção do corpo que passa pelo encontro com o corpo do Outro pode ficar suspensa, por outro lado, entra em cena a sobredeterminação e a produção de fantasmas e semblantes. O que se tem é um esvaziamento dos sentidos, dos espaços, dos encontros. Um esvaziamento que também dá lugar a invenção como Nohemí apontou: a juventude é a emergência do novo e não só alienação.

Seguimos então para as ocupações que, neste contexto, dão corpo a um lugar de socialização por excelência que é a escola. Os estudantes ocupam com seus corpos esse lugar esvaziado da educação, da instituição e seus métodos, evidenciam a destituição do Outro do saber tal como ele se apresenta. Eles dão corpo à política, às suas demandas e tentam criar novos sentidos, saberes e práticas que vão desde o cuidado com a estrutura física aos discursos feitos às autoridades políticas. Nohemí acrescentou à juventude como posição subjetiva, a posição de enunciação, esse momento em que um jovem tem que tomar a palavra e se responsabilizar por ela. Como, então, diante do cenário contemporâneo, os jovens articulam corpo e língua? Essas novas experiências se apresentam na clínica em versões inéditas de novas relações entre o corpo e a língua que precisamos saber ler, mas não sem se deixar aprender, pontuou Nohemí. Não se trata, evidentemente, de dar respostas prontas, nem mesmo de dar respostas, mas de elaborar perguntas – talvez seja este mesmo o princípio de qualquer ensino. Os estudantes mostram que algo excede a normalização, que excede a lei, que algo em seus corpos excede e não pode ser capturado. Perguntam sobre o impossível para poder dar espaço ao contingente. Como acolher isso que não funciona é sempre o grande desafio.

Entretanto, há mais um ponto que complexifica a relação entre corpo e língua no contemporâneo: a lei não é mais encarnada no Outro, no Nome-do-Pai. Fabián Ludueña falava sobre o panóptico de Bentham e que sua forma seria a do pai que transmite a lei, um olho que tudo vê, que controla e disciplina. Mas atentava também para o pannomium, outro projeto de Bentham, em que não era mais preciso um corpo para encarnar a lei, ao contrário, trata-se de leis sem corpo, sem o corpo do Outro, de um corpo da lei. Esse mecanismo de controle já dá notícias na clínica, contava Nohemí, com os imperativos superegóicos que não dão espaço para uma intervenção simbólica que faça furo. Livrar-se de uma lei do pai, sabemos, não aliviou a obediência, talvez a tenha piorado. E a pergunta que ressoa implicando tanto a filosofia quanto a psicanálise: como fazer frente a um mundo em que essa lei sem corpo atua com seus imperativos? Esboçamos, nesta noite de então, uma pequena brecha por onde olharmos: é preciso insistir na palavra, no que não funciona, no fracasso, para que possamos criar.

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Notas sobre as ocupações[1](desdobramentos conversação Juventude e Contemporaneidade)
Por Marcus André Vieira  

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O que dizer das ocupações do ponto de vista do psicanalista?

Será preciso, antes de mais nada, aceitarmos falar de “ocupações” como de um movimento relativamente coeso, que se reconhece nos mais variados matizes desde 2011, mesmo nas ocupações em curso neste momento no Brasil.

Assumirei ainda que há algo novo e vivo nas ocupações tomadas como um conjunto, o que justifica uma relativa suspensão do julgamento sobre este conjunto. Em vez de tomar posição, chamá-las de “invasões”, por exemplo, quero buscar alguma leitura, interessada e necessariamente precária.

E então? Em minha frequentação intensa e fragmentada dos variados suportes, intensos e fragmentados, a que pude ter acesso sobre o tema[i], penso que posso destacar, com alguma segurança coisas grandes e óbvias e colocar uma ou duas questões:

  1. Duas evidências como ponto de partida: O corpo é elemento fundamental da ocupação, mais especificamente a convergência de corpos para um mesmo espaço. Segunda evidência: Essa reunião de corpos causa perturbações da ordem em que se insere.
    É preciso, então, considerar em que essas perturbações são originais ou velhas conhecidas e, para isso, interessa comparar a ocupação com a greve.
    O gesto fundamental da greve não é deslocamento e reunião, mas a parada do movimento. Uma categoria de trabalhadores cruza os braços, daí seu poder, o do prejuízo causado na suspensão da atividade. Os que realizam uma ocupação não o fazem como trabalhadores que cruzam os braços. O slogan “sou 99 por cento” do Occupy de 2011 tem valor paradigmático por indicar que a ocupação de Wall Street foi realizada exatamente por quem se localizava fora da cadeia de produção, os que não participam da riqueza do sistema financeiro.
    Ocupação não é sinônimo de paralisação, vale lembrar que as ocupações nas escolas de São Paulo, por exemplo, vieram impedir seu fechamento ou uma alteração de seu funcionamento.
    Justamente por julgarem que uma ocupação é uma paralisação alguns a usam para interromper, por exemplo, vias de grande circulação. É um engano, tanto dos que assim fazem, quanto dos que com isso encontram elementos para se apoiar em velhas concepções e decidir o quanto a ocupação é fruto apenas de uma nova versão de sindicalistas autoritários ou jovens baderneiros.
  1. Um passo a mais na especificidade do gesto da ocupação pode ser dado se nos perguntamos quem seria o Outro da ocupação, a quem se dirige ou com que lida. Não é o patrão, este é o Outro da greve, pois é ele que sofre com a paralisação de uma categoria e eventualmente aceita suas reivindicações por conta dos prejuízos causados. Novamente a ocupação de Wall Street é paradigma por mostrar que ela não se endereça a nenhum patrão. Os negócios dos financistas não são afetados pela ocupação de algumas calçadas em sua rua emblemática.
    O Outro da ciranda financeira é virtual, não precisa de centro vital ou sede, está em toda parte. Apesar disso, não foi à toa que a ocupação ocorresse, ali, naquela rua, pois seu Outro era exatamente o mercado, apenas a intervenção da ocupação sobre este Outro é diferente daquela dos grevistas. É que este Outro é muito especial.[ii] O Outro do mercado é uma presença virtual, está em todo lugar e em lugar nenhum. De Wall Street para o Brasil, não podemos dizer que as ocupações das escolas de São Paulo tiveram também como endereçamento esse Outro virtual? De um poder onipresente, mas sem corpo? No caso de São Paulo, ele se apresentou menos em sua face “mercado” e mais “gestão”, o Outro da gestão economicista de nossas vidas. Como poder da cifra, sem corpo, ele ficou mais que patente no projeto de Geraldo Alkmin de reorganização do sistema escolar, ou ainda nas fábricas de escolas de Eduardo Paes. Ambos eram projetos Excell, de planilhas e pranchetas movidas a fluxos e números em direção à eficiência (comprovada pelo lucro), como objetivo maior.
  1. Os gestores são grandes protagonistas em nossos dias, mas seu poder está justamente no plano virtual em que se situam, fora dos corpos e seus desejos singulares. No plano dos corpos há os que fazem e os que criticam, os que atuam e os que assistem. Com o Outro da gestão, impossível contar com os parâmetros clássicos, a clássica divisão entre atores e plateia, ou entre teoria e prática não se aplica quando não há corpos, mas apenas cifras e os resultados das composições entre elas que nos dirigem sem que tenhamos contra quem lutar, ou mesmo nos revoltar. É como quando vamos ao banco e nos dizem, “nada posso fazer, o sistema caiu” ou “o sistema não aprovou seu crédito”.
    Se a ocupação subverte a ordem da gestão é porque ela também não funciona no registro clássico. A distinção entre os que agem, fazem passeata por exemplo, e os que a assistem, não faz sentido na ocupação, pois ela cria um espaço relativamente fechado que até pode ser frequentado, mas nunca como turista ou espectador.[iii] Os secundaristas de São Paulo provaram que a gestão empresarial não era a única forma de vida a ser considerada, mas foi preciso tomar as escolas, ocupá-la com ideias e fazeres muito distinto dos da gestão. Este é a intervenção da ocupação. Seu objetivo principal não é a paralisação das atividades, ou os prejuízos que ela causará, mas instituir uma área livre da normatividade sem corpo que nos regula quotidianamente, arrancar desse Outro virtual um pedaço de chão, tornando-o espaço de exceção. A ocupação cria um espaço concreto, material, no coração de um Outro virtual. Para isso é preciso materializar este espaço, concretamente, ocupando-o. Só assim, algum destino novo poderá lhe ser dado.
  1. Talvez, a produção deste território de exceção que resiste ao Outro da gestão já seja novidade o bastante, mas sabemos que muito acontece quando os espaços ocupados são ressignificados pelos ocupantes. Para a cidade pode ser nada, uma vez desocupado o espaço, tudo parece voltar ao normal. Muitos dizem que não, que uma nova política está nascendo (ou pelo menos novos quadros). Difícil imaginar ou mesmo acompanhar as consequências dos movimentos de ocupação em larga escala. “Lá dentro”, porém, muito acontece e quem participa muitas vezes afirma que nunca mais será o mesmo. No plano que nos interessa mais diretamente, o psicanalista precisa se perguntar pelo que há de fala nestes espaços.
    Fala-se muito nas ocupações. Mais “para dentro” que “para fora”: assembleias para resolver o que fazer com o espaço, divisão do trabalho, propostas práticas comuns e intensas discussões sobre encaminhamentos e rumos a definir.[iv] Podemos nos perguntar em que medida o que acontece nas escolas ocupadas como experiência de fala é compatível com o inconsciente.
  1. Em uma análise é comum reviver, como num cinema, cenas cruciais de uma vida. Este revival vai se deparando com fragmentos de memória desencaixados, ditos por Freud inconscientes. Não precisam ser monstruosos ou proibidos, são apenas incompatíveis com o que somos. Aquilo não cabe na foto, não sou eu, mas não há como dizer que não faça parte de mim.
    Passa-se, por exemplo, da guerra quotidiana com o chefe à infância sob o jugo de um pai autoritário até se chegar a traços repetidos em que as várias cenas desse pai vão cristalizando. Estes detalhes até então fora do foco, fora da consciência, vão se libertando do peso afetivo das cenas de onde emergiram. O romance se torna hai-cai composto de traços fundamentais: um modo de girar as chaves, um pigarro, a faca no pão, vêm dissolver a névoa de revolta em que se via emaranhado o sujeito. Essas falas do inconsciente, ficam assim, sem corpo, mas não sem valor. Ao contrário, são até mais vivas do que antes e passam a funcionar, como o vagalume na escuridão da noite, descrito por Guimarães Rosa como um “psiu de luz”.[v] O inconsciente é a surpresa do encontro, em nós, com falas-vagalume. Elas tomam o corpo, são verdadeiros acontecimentos sem, porém, se incorporarem.[vi] Marcam o caminho sem dar a direção. Teriam lugar nas ocupações?
  1. Ideias sem corpo não são privilégio da psicanálise. O que é a liberdade senão uma ideia sem corpo, sem sentido bem definido e que por isso mesmo pode mobilizar tantos corpos ao mesmo tempo? As grandes causas estão em nossos dias, porém, em baixa. Mais valorizadas são as falas “com corpo”, emocionadas, transmitindo a coesão entre o que se diz e o que se sente. Quanto mais incorporadas dessa forma as ideias, mais serão tidas como verdadeiras.[vii] Na busca de seus vagalumes ajuda muito ao analista a analogia com a escrita, pois estes traços podem ser lidos como o que se escreve em nós do que vivemos.[viii] Uma análise busca no ontem as letras do que está sendo escrito hoje, para recompor o amanhã. Neste sentido, talvez estejamos descobrindo nas ocupações falas abertas das quais se poderá amanhã extrair a escrita do que deixaram como futuro possível.
    Escrevo essas notas enquanto meus filhos dormem em ocupações. Só posso, então, esperar que assim seja e que o dia venha com o que se risca na vigília.

 

Notícias sobre a conversação Migração e Refugiados em Florianópolis
Por Cínthia Busato

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No sábado dia 27 de Agosto, no Espaço Sol da Terra, na Lagoa da Conceição, ocorreu o primeiro encontro do Projeto Ação Lacaniana aqui em Florianópolis. Esse projeto, vinculado à EBP via Diretoria de Cartéis e Intercâmbios, já acontece há quase dois anos por outras cidades do Brasil. É um movimento de sair da sede da EBP e nos inserir na cidade. No formato de uma conversação, convidamos pessoas de outras áreas, com outro olhar sobre um tema que esteja causando algum impasse no momento. Como nosso espaço é um cinema, sempre a atividade começará com um curta-metragem sobre o tema escolhido. Nessa tivemos o privilégio de projetar pela primeira vez no Brasil o curta 4242, realizado por Sara Eustáquio, diretora de 16 anos que tem se destacado em festivais nessa sua estréia. Ela gentilmente autorizou essa exibição.

Naquele sábado que passou, o tema foi a questão da Migração Humana e Refugiados. Como convidados, tivemos Matheus Felipe de Castro, professor de Direito Constitucional e Filosofia do Direito na UFSC, e Cecília Braga, psicóloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Psicologia, Migrações e Cultura (NEMPisC), que acolhe e ouve pessoas nessa situação. Realmente, foram ótimas escolhas!

Matheus nos traçou um panorama de inserção desse tema e nos disse que essa situação marginal sempre esteve presente na nossa civilização, desde a época das navegações e descobertas de novos continentes, quando o invasor se apropriava da terra e colocava povos inteiros sob seu domínio, iniciando um processo de mercantilização mais abrangente e feroz. Depois disso, as revoluções Francesa e a Industrial acirraram esse processo discriminatório, que após a Segunda Grande Guerra tem se mostrado cada vez mais aterrador, perverso e sem saída. De maneira clara e apaixonada ao mesmo tempo, foi muito instigante ouvi-lo.

Cecília trabalha diretamente com os refugiados. Ela nos mostrou, com gentileza e precisão, o quanto está envolvida na pesquisa e o esforço de tornar esse processo – tão dolorido e difícil por se deparar com o que é estranho tanto objetiva quanto subjetivamente – um lugar de criação de laços e aprendizado. Ela mesma – uma migrante voluntária – tem uma escuta delicada e atenta no sentido de não fixar esses sujeitos no lugar de vítima, isso sem negar o quanto de fato o são.

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Responsáveis pela atividade: Eneida Medeiros Santos, Cínthia Busato e Juliana do Rego Silva.

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[1] Uma primeira versão dessas notas foi preparada para a conversação: Juventude e Contemporaneidade (EBP/UFPR) em Curitiba, com Fabián L. Romandini e Nohemí Brown, posteriormente redigidas para minha participação na plenária “Grupo, massa ou multidão? (A ocupação das Escolas em São Paulo)”, do XXI º Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, São Paulo, 25 de novembro de 2016.

[i] Um sem número de referências estão disponíveis. Agradeço a Cristina Frederico pelas indicações bibliográficas precisas, das quais destaco apenas o excelente Escolas de luta, São Paulo, Veneta, 2015. Como boa introdução ao tema destaco Occupy, São Paulo, Boitempo, 2012.

[ii] O Outro virtual, aqui, tem como referência o “Outro que não existe” de J. A. Miller que, por sua vez se apóia no nãotodo de J. Lacan (cf. Miller, El Otro que no existe y sus comités de ética, Buenos Aires, Paidós, 2005. Para as relações deste Outro com o biopoder cf. cf. Vieira, M. A. Restos, Contra Capa, 2008, verbete biopoder.

[iii] “A ocupação abandona uma das formas clássicas das manifestações políticas desde o nazismo, as passeatas e marchas. Diante de uma multidão disposta às suas margens, a passeata evoca o espetáculo da história que passa diante dos olhos de espectadores passivos (lembremos de Rousseau e sua resistência à concepção parisiense do teatro). Sua visualidade dinâmica, acompanhada de bandeiras tremulando no ar, tem a forma transitória do evento. As ocupações, desde Occupy Wall Street, invertem essa lógica da visualidade e do progresso: estáticas, elas se furtam aos olhares dos curiosos, e só existem para seus próprios atores. Ou melhor: toda repercussão externa é apenas secundária em relação ao que ocorre dentro dos muros ocupados.” (Pinheiro, U. inédito: https://www.facebook.com/ulysses.pinheiro.1?fref=ts)

[iv] Escolas de luta, p. 127.

[v] Fechei-me no quarto. Pela janela aberta entrava um cheiro de mato misantropo. Debrucei-me. Noite sem lua, concha sem pérola. [Só vento] e silhuetas de árvores. E um vaga-lume lanterneiro, que riscou um psiu de luz.Guimarães R. J. Tutaméia: terceiras histórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, (1967)2001, p. 211. Cf. tb. Didi-Huberman, G. Sobrevivência dos vaga-lumes, Belo Horizonte, UFMG, 2011.

[vi] Laurent, E. O avesso da biopolítica, Rio de Janeiro, JZE, 2016, p. 211. Laurent propõe que “a identificação, mecanismo político por excelência, pode ser relida a partir da inscrição sobre o corpo e do acontecimento de corpo”. Cf. Lacan, J. e Miller J.A.

[vii] Talvez porque vivamos dias em que o corpo seja cada vez mais abordado a partir de bisturis ou planilhas – o que nos permitiria ainda entender um pouco da obsessão contemporânea pelas narrativas de sucesso e de auto-superação (e deixo de lado as narrativas religiosas que mereceriam ser examinadas sob o prisma da fala incorporada).

[viii] Cf. Attié, J. Le dit et l’Ecrit, Paris, Michèlle, 2015.

 

Imagens :
1 – Fhero PDF Crew e Thiago Alvim
2 – Fhero PDF Crew
3 – Foto da conversação: Juventude e Contemporaneidade
4 – Foto da conversação: Juventude e Contemporaneidade
5 – Fhero PDF Crew
6 – Fhero PDF Crew
7 – Cartaz da conversação: Migração Humana e Refugiados